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	<title>Letras Despidas - três anos!</title>
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		<title>Letras Despidas - três anos!</title>
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		<title>Não tenho tempo para ler</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 00:44:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriano Senkevics</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Pennac]]></category>
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		<description><![CDATA[Inspirado no livro “Como um Romance”, de Daniel Pennac.
Ninguém tem tempo para ler. A vida parece um entrave à leitura. Eu não tenho tempo para ler, você não deve ter, ninguém tem. Não existe um tempo para isso.
Porque o tempo para ler é sempre um tempo roubado, assim como o tempo para escrever, ou para [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=letrasdespidas.wordpress.com&blog=752733&post=1171&subd=letrasdespidas&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><em>Inspirado no livro “Como um Romance”, de Daniel Pennac.</em></p>
<p>Ninguém tem tempo para ler. A vida parece um entrave à leitura. Eu não tenho tempo para ler, você não deve ter, ninguém tem. Não existe um tempo para isso.</p>
<p>Porque o tempo para ler é sempre um tempo roubado, assim como o tempo para escrever, ou para amar (ninguém diz “vou amar hoje das cinco às seis”). Roubado do quê?</p>
<p>Roubado da obrigação de viver. Mas se ler é um gosto pessoal, fazer o que gosta também é uma obrigação. Posso ter milhares de tarefas, mas meu chefe não vai me impedir de terminar um romance.</p>
<p>A leitura, assim como o amor, não depende da organização da rotina, ela é uma maneira de ser. Não é um tempo que lhe é dado, mas é você que se entrega ou não a ele. É você que se oferece às felicidades da leitura.</p>
<p>As pessoas vivem dizendo que não tempo para as coisas, por isso nunca tentam. Quando se colocam mais coisas na rotina, ela se rearranja. Roube tempo para o que te satisfaz. Não espere o tempo vir, porque ele nunca virá.</p>
<p>Eu carrego o tempo para ler comigo. Ele está no meu bolso, na minha mochila, ou em cima da escrivaninha. No meio da aula, no caminho para casa ou deitado na cama, eu me usurpo ao me dedicar à leitura. Ler é uma transgressão.</p>
<p>Talvez por isso ninguém tenha tempo para ler.</p>
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			<media:title type="html">Adriano Senkevics</media:title>
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		<title>Machismo sexual</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Sep 2009 00:19:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriano Senkevics</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Social]]></category>
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		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
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		<category><![CDATA[Simone de Beauvoir]]></category>

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		<description><![CDATA[Vivemos numa época em que valores tradicionais, como a castidade, estão em baixa. Hoje, a juventude vai às baladas e usufruem prazeres que, há algumas décadas, eram recheados de pudor. Em meio a essa liberação sexual tanto entre homens quanto mulheres, que ocorreu principalmente nas sociedades ocidentais, vale a pena nos perguntar se realmente nos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=letrasdespidas.wordpress.com&blog=752733&post=1165&subd=letrasdespidas&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Vivemos numa época em que valores tradicionais, como a castidade, estão em baixa. Hoje, a juventude vai às baladas e usufruem prazeres que, há algumas décadas, eram recheados de pudor. Em meio a essa liberação sexual tanto entre homens quanto mulheres, que ocorreu principalmente nas sociedades ocidentais, vale a pena nos perguntar se realmente nos libertamos do tradicionalismo até então vigente.</p>
<p>Analisando especificamente o caso da igualdade de sexos, a resposta é não. Falar de mudanças na sociedade é falar num tom político. E, óbvio, é de certo modo um ato político dois homens andarem de mãos dadas na rua, mais até do que uma demonstração de afeto. Porém, a liberação sexual, entendida hoje como ficadas sem compromisso, se banalizou, tornando-se modismo de juventudes que, alienadas, buscam apenas um prazer pessoal.</p>
<div id="attachment_1167" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><img src="http://letrasdespidas.files.wordpress.com/2009/09/pegacao.jpg?w=300&#038;h=187" alt="Viva a liberação sexual!" title="Pegação" width="300" height="187" class="size-medium wp-image-1167" /><p class="wp-caption-text">Viva a liberação sexual!</p></div>
<p>Não há política nas micaretas. O garoto de classe média vai com a intenção de “pegar” várias meninas, apoiando-se em conquistas liberais anteriores, sem ter a menor consciência disso. <strong>A própria visão de “pegar” mulheres, somada à objetificação do sexo, são visões conservadoras e machistas.</strong></p>
<p>Não quero dizer que o homem se aproveita da mulher nas baladas, até porque é recíproco. Individualmente, tanto a mulher quanto o homem se beneficiam dessa liberdade. <strong>Coletivamente, a mulher sai prejudicada.</strong> São elas que majoritariamente são consumidas pela indústria da beleza e do sexo.</p>
<p>Os homens as consomem, eles compram a beleza. É claro que também são alvos desse ideal, <strong>mas um homem “sarado” tem um significado por si só.</strong> Ele existe como um macho dominante, no caso, “pegador”. <strong>Enquanto que as mulheres “gostosas” existem em relação a ele</strong>, são objetos para ele, e o seu prazer é apenas um anexo de um prazer maior voltado para a satisfação masculina.</p>
<p>Reafirma-se o que bem escreveu a escritora feminista <strong>Simone de Beauvoir</strong>: <em>“O homem define a mulher não em si, mas relativamente a ele; ela não é considerada um ser autônomo. Ela não é senão o que o homem decide que seja.”</em></p>
<div id="attachment_1168" class="wp-caption aligncenter" style="width: 237px"><img src="http://letrasdespidas.files.wordpress.com/2009/09/playboy.jpg?w=227&#038;h=300" alt="Liberação sexual: sempre política?" title="Playboy" width="227" height="300" class="size-medium wp-image-1168" /><p class="wp-caption-text">Liberação sexual: sempre política?</p></div>
<p>Uma mulher que sai na Playboy pode até se achar feminista, porque os homens a idolatram tal qual um romântico idealiza a mulher amada. Ela, a modelo, se põe num patamar superior, parece ser dominante, exibe caras e bocas provocantes, procura poses inéditas que tentam subjugar o homem.<strong> Mas não percebem que, sendo reféns da beleza, caem na ilusão de que conquistam seus direitos não abrindo a cabeça, e sim as pernas.</strong></p>
<p>Assim, embora a sociedade tenha visto avanços nos direitos femininos, que reduziram o machismo profissional, intelectual e político, ainda é fortalecido uma outra forma de machismo: <strong>o machismo sexual</strong>.</p>
<p>Enquanto se <strong>“pornifica”</strong> tudo, até propaganda de cerveja, as gerações vão sendo educadas de modo que ser homem vira sinônimo de ver sexo onde não tem. <strong>O sexo está em tudo, na mesma proporção em que não está em nada</strong>. Comprar um carro não é sexo, passar creme antiacne ou fazer a barba também não, mas estão associados pela publicidade.</p>
<p>As gerações sexualmente liberais acreditam estar exercendo uma liberdade social e política, quando na verdade tornam-se mantenedoras de tradicionalismos que apenas se reformulam para continuarem existindo.</p>
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		<title>A Fábula do Unicórnio</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Aug 2009 00:22:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriano Senkevics</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
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		<category><![CDATA[unicórnio]]></category>

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		<description><![CDATA[Estavam numa floresta doze amigos. Foi-lhes proposto um desafio: disseram que havia um unicórnio na floresta, que não podia ser visto, ouvido, tocado, cheirado e nem deixava rastro. Venceria o desafio quem provasse que ele não existe. Aí começa:

João, o empirista, logo se pronuncia: “Se não podemos experimentar, se não podemos sentir que haja um [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=letrasdespidas.wordpress.com&blog=752733&post=1158&subd=letrasdespidas&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Estavam numa floresta doze amigos. Foi-lhes proposto um desafio: disseram que havia um <strong>unicórnio</strong> na floresta, que não podia ser visto, ouvido, tocado, cheirado e nem deixava rastro. Venceria o desafio quem provasse que ele não existe. Aí começa:</p>
<p><img src="http://letrasdespidas.files.wordpress.com/2009/08/unicornio.jpg?w=300&#038;h=234" alt="Unicórnio" title="Unicórnio" width="300" height="234" class="aligncenter size-medium wp-image-1161" /></p>
<p><strong>João, o empirista</strong>, logo se pronuncia: <em>“Se não podemos experimentar, se não podemos sentir que haja um unicórnio nesta floresta, é claro que ele não existe”</em> e encontra apoio em <strong>Piro, o cético</strong>, que completa com <em>“ver para crer”</em>. Ambos deram-se por satisfeitos.</p>
<p><strong>Renan, o racionalista</strong>, negou-os, argumentando que a experiência pode ser enganosa. <em>“Por mais que pudéssemos sentir os unicórnios”</em>, diz ele, <em>“a sensação não descreve uma realidade. É impossível encontrar os pensamentos deles, o que por si só já definiria sua existência.”</em></p>
<p><strong>Chico, o indutivo</strong>, solta uma gargalhada e, defendendo João, diz que nunca foram vistos animais unicórnios, o que já basta para dizer que eles inexistem. João e Piro concordam, mas Renan provoca: <em>“Como você pode assumir como verdade que não há unicórnios?”<br />
</em><br />
<strong>Emanuel, o iluminista</strong>, intervem para apaziguar a discussão: <em>“Acalmem-se, o que vemos é influenciado pelo modo que queremos ver. Sabendo que há cavalos e que há animais com chifres, juntando os dois temos o unicórnio.”</em> Todos fizeram cara de ponto de interrogação. <em>“Logo, sua existência é um misto da nossa experiência com nossa razão.”</em> Resultado: amarram-no numa árvore com um pano sobre a boca.</p>
<p><strong>William, o pragmático</strong>, discute a utilidade de se provar a existência do unicórnio, falando que se não há um fim prático para isso, é perda de tempo. Renan sugere que o unicórnio seja perfeito, o que leva <strong>Ricardo, o probabilista</strong>, a opinar que ele muito provavelmente não exista, pois para isso haveria de existir um ser mais perfeito que o teria criado, e que aquele seria criado por um outro ser ainda mais perfeito e por aí vai&#8230;</p>
<p><strong>Carlos, o evolucionista</strong>, diz que numa floresta como aquela, ter chifres não seria vantajoso, tampouco adaptativo, com isso, a natureza não o selecionaria, pelo contrário, se encarregaria de exterminá-lo. Chico insiste que nenhum animal com chifre é unicórnio. Aproveitando essa máxima, <strong>Evaristo, o lógico</strong>, diz que todos os unicórnios possuem chifres, o que o leva a concluir que alguns animais com chifres não possuem chifres.</p>
<p><strong>George, o idealista</strong>, trata a realidade como um movimento constante, um espírito: <em>“Se afirmamos a existência do unicórnio com base no que sabemos, estamos negando outras verdades, porque&#8230;”</em>, <em>“Cale-se!”</em>, grita <strong>Fred, o niilista</strong>. <em>“Não há verdades, o unicórnio é uma criação contextualizada dos valores humanos.”</em></p>
<p><img src="http://letrasdespidas.files.wordpress.com/2009/08/floresta.jpg?w=300&#038;h=225" alt="Floresta" title="Floresta" width="300" height="225" class="aligncenter size-medium wp-image-1162" /></p>
<p>Renan se impõem: <em>“O unicórnio é perfeito, portanto sua existência é inerente!” </em>Fred apanha uma espingarda e dispara aleatoriamente para o meio do mato, comemorando: <em>“O unicórnio está morto! Eu o matei!”</em> Renan irrita-se e pula com as duas mãos no pescoço do colega, levando os dois ao chão. Chico tenta separá-los.</p>
<p><strong>Paulo, o existencialista</strong>, fala: <em>“Se imaginamos que o unicórnio exista, estamos projetando uma essência anterior à sua própria existência, o que é incorreto. Primeiro ele existe, depois se define no mundo.”</em> George reclama: <em>“Só o racional é viável!” </em>Paulo continua: <em>“Quieto! Ainda que ele existisse, isso em nada afetaria o homem.”</em> George provoca: <em>“Vamos ver se não?”</em> e ataca uma pedra na direção de Paulo, <em>“segura esse unicórnio, quatro olhos!”</em></p>
<p>O grupo parte para a briga. Eram urros, gritos e ofensas. Camisas surradas, sapatos voando, cabelos despenteados. Quando, de repente, chega um outro elemento, que ninguém até então conhecia, e diz pacificamente: <em>“Eu acredito na existência do unicórnio acima de qualquer coisa. Não preciso senti-lo materialmente nem obtê-lo por deduções, posso senti-lo dentro de mim, independente do que dizem ou provem. O unicórnio, enfim, existe.”</em></p>
<p><strong>Moral da História:</strong> A ciência não será nunca capaz de provar a inexistência de Deus, não importa o método ou tecnologia que adote. Da mesma forma, nunca será provada sua existência e Deus permanecerá para sempre no terreno relativo das ideias. Podemos ser imagem e semelhança Dele, ou Ele da nossa.</p>
<p>O empírico, o racional ou a lógica não competem com doutrinas que encerram em si mesmas, tendo como conclusão as próprias premissas que as sustentam. Perto da fé, caro leitor, a ciência parece brinquedo de humanóides. O que não nos impede de dizer que Deus está morto, de acreditar no nosso livre-arbítrio, de negar um destino, de não engolir valores. Criemos o nosso unicórnio, pois, ainda que Ele exista, nada compensa a Nossa existência.</p>
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	</item>
		<item>
		<title>História e MPB no Século XX: A volta de Getúlio (IV)</title>
		<link>http://letrasdespidas.wordpress.com/2009/08/20/historia-e-mpb-no-seculo-xx-a-volta-de-getulio-iv/</link>
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		<pubDate>Thu, 20 Aug 2009 13:31:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriano Senkevics</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[Dick Farney]]></category>

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		<description><![CDATA[No capítulo passado, vimos como Getúlio Vargas saiu do poder, em 1945, entrando um período de democracia após a ditadura do Estado Novo. Esse novo período iniciou-se com a entrada do general Dutra ao poder. Na música, pode-se destacar o lançamento de Aquarela do Brasil e a emergência de um símbolo tropical, Carmem Miranda.
O retorno [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=letrasdespidas.wordpress.com&blog=752733&post=1150&subd=letrasdespidas&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>No capítulo <a href="http://letrasdespidas.wordpress.com/2009/06/27/historia-e-mpb-no-seculo-xx-um-sopro-de-democracia/">passado</a>, vimos como Getúlio Vargas saiu do poder, em 1945, entrando um período de democracia após a ditadura do Estado Novo. Esse novo período iniciou-se com a entrada do general Dutra ao poder. Na música, pode-se destacar o lançamento de Aquarela do Brasil e a emergência de um símbolo tropical, Carmem Miranda.</p>
<p><strong>O retorno de Vargas</strong></p>
<div id="attachment_1152" class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><img src="http://letrasdespidas.files.wordpress.com/2009/08/getulio_vargas.jpg?w=200&#038;h=300" alt="Getúlio Vargas" title="Getúlio Vargas" width="200" height="300" class="size-medium wp-image-1152" /><p class="wp-caption-text">Getúlio Vargas</p></div>
<p>Havia uma canção que dizia <em>“Bota o retrato do velho outra vez / Bota no mesmo lugar”</em>, se referindo à volta do “pai dos pobres”. Por outro lado, o jornalista <strong>Carlos Lacerda</strong>, líder da UDN (União Democrática Nacional) e dono do jornal Tribuna da Imprensa, fazia forte oposição ao presidente populista, insinuando até em fazer uma revolução para tirá-lo do poder.</p>
<p>Por mais curioso que pareça, <strong>Getúlio Vargas</strong> renunciou do poder, que havia tomado pela Revolução de 30, e voltou ao poder eleito democraticamente após o governo de Dutra, ficando de 1950 a 1954. </p>
<p>Neste novo governo, Getúlio, que possuía um discurso nacionalista (com restrições ao capital estrangeiro, Estado intervencionista e fortalecimento das leis trabalhistas) acabou cedendo às pressões dos políticos que compunham a maioria do seu ministério, defensores do livre mercado, eliminação de algumas conquistas trabalhistas e ação do capital internacional.</p>
<p>Entretanto, sem ceder completamente ao “entreguismo”, Vargas apoiou o lema “O Petróleo é Nosso” e criou a Petrobrás em 1953, para exploração dos recursos petrolíferos nacionais. </p>
<p><strong>Pré-bossa</strong></p>
<p>No pós-guerra, as marchas e os sambas eram mais tocados no Carnaval, porque durante o ano predominava, nas rádios, um outro tipo de samba, influenciado pelo bolero, que era o samba-canção. Este gênero musical era mais melodioso, tratava de solidão, amores desfeitos, ultra-romantismo. Os efeitos da guerra nos deixou na “fossa”, com “dor-de-cotovelo”, como apelidos para a produção musical da época.</p>
<div id="attachment_1153" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><img src="http://letrasdespidas.files.wordpress.com/2009/08/farney-e-alves.jpg?w=300&#038;h=300" alt="Capa de disco de Dick Farney e Lúcio Alves" title="Farney e Alves" width="300" height="300" class="size-medium wp-image-1153" /><p class="wp-caption-text">Capa de disco de Dick Farney e Lúcio Alves</p></div>
<p>De influência norte-americana, a maneira de se cantar samba mudou. Dois cantores da época, <strong>Dick Farney</strong> e <strong>Lúcio Alves</strong>, gravaram juntos uma famosa canção, de Billy Blanco e Tom Jobim, este ainda pouco conhecido, chamada <em>Tereza da Praia</em>. No vídeo abaixo, veja o trio de Dick Farney cantando esta canção, infelizmente não encontrei a versão com Lúcio Alves.</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://letrasdespidas.wordpress.com/2009/08/20/historia-e-mpb-no-seculo-xx-a-volta-de-getulio-iv/"><img src="http://img.youtube.com/vi/2q8QLkn82CE/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>Apenas para constar, veja o vídeo abaixo, da canção <em>A Saudade Mata a Gente</em>, interpretada pela dupla Dick Farney e Lúcio Alves:</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://letrasdespidas.wordpress.com/2009/08/20/historia-e-mpb-no-seculo-xx-a-volta-de-getulio-iv/"><img src="http://img.youtube.com/vi/5YDBjnzK8Jk/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p><strong>O suicídio</strong></p>
<div id="attachment_1154" class="wp-caption alignright" style="width: 190px"><img src="http://letrasdespidas.files.wordpress.com/2009/08/carlos-lacerda.jpg?w=180&#038;h=250" alt="Carlos Lacerda" title="Carlos Lacerda" width="180" height="250" class="size-full wp-image-1154" /><p class="wp-caption-text">Carlos Lacerda</p></div>
<p>Em 1954, ocorre o “atentado da Rua Toneleiros”, Copacabana, na qual tentaram, sem sucesso, matar o jornalista Carlos Lacerda na porta da sua casa. Em poucas horas descobriu-se o mandante do crime: foi o chefe da guarda pessoal de Getúlio. Embora não se tenha provado o envolvimento de Vargas com o caso, a campanha oposicionista, que pedia sua renúncia, ganhou forças.</p>
<p>No mesmo mês do ocorrido, especificamente na madrugada de 24 de agosto, Getúlio Vargas se suicida com um tiro no coração. Sua carta-testamento, que serviu de inspiração até para canções, terminava dessa forma: <em>&#8220;Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história.&#8221;</em></p>
<p><strong>Pré-bossa, ainda “fossa”</strong></p>
<p>Fatos marcantes: suicídio de Getúlio, morte de Carmen Miranda e a perda da Copa do Mundo na inauguração do Maracanã, de 2&#215;1 para o Uruguai, sendo que um empate já bastava para a vitória. Nélson Rodrigues dizia que estávamos vivendo a <em>síndrome de vira-latas</em>.</p>
<p>As reuniões entre os músicos de “fossa” continuaram, e os fãs-clubes de Farney e Lúcio Alves cresceram, revelando novas músicos. Um deles <strong>Johnny Alf</strong>, de nítida influência do jazz, num pout-pourry no vídeo abaixo:</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://letrasdespidas.wordpress.com/2009/08/20/historia-e-mpb-no-seculo-xx-a-volta-de-getulio-iv/"><img src="http://img.youtube.com/vi/S2xhK4jzcX0/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>Outras revelações foram Sílvia Telles, Dolores Duran e João Donato. Há também, representada no vídeo abaixo, a cantora <strong>Maysa</strong>.</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://letrasdespidas.wordpress.com/2009/08/20/historia-e-mpb-no-seculo-xx-a-volta-de-getulio-iv/"><img src="http://img.youtube.com/vi/zCkeyPyB73s/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>E assim caminhamos para mais um período na história do país. Com o suicídio de Getúlio Vargas, o vice João Café Filho assume até que se tenha o próximo nome na presidência. Na música, a pré-bossa vai se modificando até finalmente se tornar bossa nova.</p>
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		<title>Voltando a contribuir</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Aug 2009 12:23:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ítalo de Paula Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Não sei se teria o direito de voltar aqui depois de tanto tempo. A verdade é que a parceria entre o Críticas e Reflexões e o Letras Despidas foi se enfraquecendo ao longo do tempo. Talvez pela correria do dia-a-dia, tanto eu como o amigo Adriano ficamos sem tempo para postar em dois blog´s. 
Contrariando [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=letrasdespidas.wordpress.com&blog=752733&post=1148&subd=letrasdespidas&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="justify">Não sei se teria o direito de voltar aqui depois de tanto tempo. A verdade é que a parceria entre o <a href="http://criticasereflexoes.blogspot.com" target="_blank">Críticas e Reflexões</a> e o Letras Despidas foi se enfraquecendo ao longo do tempo. Talvez pela correria do dia-a-dia, tanto eu como o amigo Adriano ficamos sem tempo para postar em dois blog´s. </p>
<p align="justify">Contrariando a lógica do sistema capitalista que busca minar a nossa criatividade, fazendo de nós máquinas irracionais, resolvi voltar a contribuir. O convite está aberto para que o amigo Adriano volte a postar por <a href="http://criticasereflexoes.blogspot.com" target="_blank">lá</a> também. Suas palavras são sábias e inteligentes. </p>
<p align="justify">Tentarei algo inédito. Antes contribuía com textos já postados no <a href="http://criticasereflexoes.blogspot.com" target="_blank">CR</a>. Agora buscarei escrever coisas novas com exclusividade para o Letras Despidas. Acho que fazendo dessa forma a interação fica mais humana e não motora como antes.</p>
<p align="justify">Como assunto inicial gostaria de abordar a candidatura da ex-ministra e senadora Marina Silva. Venho lendo comentários sobre o assunto e percebo que a questão é polêmica. Os petistas tendem a atacá-la com voracidade. Muitos acreditam que possa roubar votos da Ministra Dilma e, assim, dar forças ao PSDB. Não sei, sinceramente, tem muita água para rolar. Confesso, e isso é uma opinião própria, que fiquei feliz com a possibilidade. Não dá para ficar mais no tradicional embate entre PT e PSDB. Tudo porque, diante dos fatos, já não consigo distinguir os dois partidos acima citados. Os dois possuem pouquíssimos pontos diferenciais na prática. E, na verdade, é a prática que nos interessa. Afinal, teoria não produz efeitos na vida de ninguém.</p>
<p align="justify">Pode ser que esteja errado, mas gostei da candidatura e se as conjunturas se mantiverem pretendo votar, como fiz nas duas eleições anteriores, em uma terceira opção no 1º turno. Estamos entrando na mesmice e isso é muito problemático quando queremos algo mais próximo da democracia.</p>
<p align="justify">Ítalo de Paula Pinto escreve para o <a href="http://criticasereflexoes.blogspot.com" target="_blank">Críticas e Reflexões</a></p>
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