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Arquivo da categoria ‘Contos/Crônicas’

Arrumar para quê?

Saindo de casa, um dia, tive a sorte de encontrar meu vizinho, que me deu uma carona. Além do portão da minha residência, há uma longa avenida, que dizem ser uma rodovia, pela qual eu seguiria meu caminho de ônibus, se não tivesse a sorte de uma carona. Mas a sorte se transformou em azar [...]

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O Vibrador do Rock

Por um pequeno tempo da minha vida, estudei flauta transversal. É um instrumento ingrato: parece leve, suave, tranquilo, mas é dificílimo tirar um som decente daquilo. Portanto, quando você escutar a expressão “levar a vida na flauta”, entenda seu real significado: esforçar-se muito para que te subestimem, porque essa é a função primordial da flauta. [...]

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Estava sempre lá na estante. E quando digo sempre, digo porque nunca, em momento sequer, durante uma instalação de um jogo ou de um download lento, eu não tenha reparado naquela lombada branca ou, para ser mais preciosista, amarelada de idade. Lendo o título, O Existencialismo é um Humanismo, eu tentava imaginar o que significa. [...]

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Nos corredores da Faculdade de Educação da USP, há diversos murais com divulgações de projetos de pesquisa, eventos e algumas panfletagens. Dessas últimas, a maioria se refere aos movimentos “vermelhinhos” do campus, o que é óbvio em se tratando de uma universidade pública. Certo dia, passei brevemente por um desses murais e vi um garoto [...]

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Perfume

“Pois não”, foi o que a moça loira, de feições bonitas, me respondeu quando pedi licença para me sentar ao seu lado no 7903-10, ainda parado apontando para o Teatro Municipal. Devia ter uns quarenta anos; bonita, como disse, mas o que mais me chamou a atenção foi o seu perfume, suave, de alguma flor [...]

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Uma loucura sã

Hoje estou com vontade de quebrar alguma coisa, não sei o quê. De preferência algo que faça barulho, esparramando pelo chão, batendo, aos pedaços, ao pé dos móveis. Uma jarra de vidro, talvez. Depois, me debruçar sobre os cacos. E rir, aos prantos. Segurar os cacos firmemente, pegando-os um por um. Talvez me cortar, quem [...]

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Quando eu era pequeno, lembro que, ao passar no mercado perto de casa com a minha mãe, costumava comprar sorvete numa barraquinha que tinha na entrada. O sorvete era simples: apenas uma casquinha (daquelas que não demoram a amolecer) e uma massa bem leve e pastosa, ao preço de apenas cinqüenta centavos. Não sei se [...]

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Flores? São objetos pervertidos, a materialização colorida de um universo obsceno, que povoa apenas a cabeça dos desocupados boêmios, das cafetinas e seus sócios, dos poetas sem receio. Como permiti-las? Como querê-las? O homem chegou para detê-las, pois implantou o reino da moralidade, do qual somos todos cúmplices, sob força ou não. Nas ruas, as [...]

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Tempos Perdidos

Acordo, o alarme toca. Fecho os olhos. O alarme toca. Coloco o travesseiro na cabeça. O alarme toca. Ah, ô vida, ô Deus, acordo de vez, desligo o alarme. Com uns passos lentos e pesados eu vou à cozinha, ligo a cafeteira que já está com café dentro, pois eu, já sabendo da minha lentidão [...]

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Toda coisa ativa tem, toda coisa com crescimento, adaptação. Animais têm, tu tens, grama tem, cachorro, árvores, gambá, tênia, coral, tiranossauro tinha também; até aquela coisinha abjeta tem. Atualmente, a ciência apenas comprova aquilo constatado. Cenas globais anteriores à gente contam: todos tiveram, têm, continuarão tendo. Gasta-se tempo, cabeças, grana, a tentar compreender tal complexidade. [...]

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