É inegável que hoje existe uma movimentação maior em prol dos direitos dos gays, tal qual o movimento feminista no século passado. No entanto, há diversas pessoas que se opõem a esses movimentos, e uma delas é Rozângela Alves Justino, psicóloga que diz poder “curar homossexuais, fazendo-os ser heterossexuais”. Vou comentar algumas de suas falas na entrevista concedida à revista Veja (12/agosto):
Sobre o Conselho Federal de Psicologia (CFP), que a censurou publicamente: “Há no conselho muitos homossexuais, e eles estão deliberando em causa própria (…), esse conselho fez aliança com um movimento politicamente organizado que busca a heterodestruição e a desconstrução social através do movimento feminista e do movimento pró-homossexualista, formados por pessoas que trabalham contra as normas e valores sociais.”
Oras, supondo que o CFP seja mesmo composto por muitos homossexuais, estando eles contra a Rozângela isso é um indício de que nem todo gay concorda que ela possa sair aí afirmando que vai “tratar” os gays, como se fosse um transtorno psíquico. Pior é dizer que o movimento pró-homossexuais, junto com o feminista, pretende uma desconstrução social e heterodestruição. De onde ela tirou isso?
Que “normas e valores sociais” são esses? Papo de conservador, que fica se lamentando quando algum valor tradicional, que geralmente enaltece a família e os “bons costumes”, é ferido por mudanças. Muitas necessárias! Desconstrução social é ignorar que haja mulheres reivindicando seus direitos e, junto com os homossexuais, procurando um espaço maior na sociedade. Tratar de gays como se fossem todos doentes é homodestruição. Mas quando os gays exigem direitos e respeito não é que querem acabar com os heterossexuais.

Rozângela Alves Justino
Quando questionada se não seria discriminação sua maneira de pensar, ela responde fugindo: “Olha, eu também estou sendo discriminada. Estou sofrendo preconceito. Será que não precisaria haver mais aceitação da minha pessoa?”, em outro momento, diz que “cruel é uma profissional que quer ajudar e ser amordaçada.”
Não sou contra ela atender os seus pacientes. Se tem gente que quer mudar de sexo (como os transexuais), não teria problema em buscar um psicólogo para mudar de orientação sexual. O problema é ela generalizar e tratar todo o conjunto de homossexuais como doentes. Quando ela afirmou que o movimento pró-homossexual vai contra normas sociais, ela quis dizer isso, excluindo-o.
Após ser questionada se não seria discriminação contra os homossexuais que estão satisfeitos assim, ela responde: “Não há tratados científicos que digam que eles existem (…). A homossexualidade é algo que pode passar.” Como não? Já sabe-se de diversos casos de homossexualidade na natureza. Há estudos sobre o comportamento cerebral de gays. Eu acho possível mudar a orientação sexual, porque sendo um comportamento é bem possível que um tratamento psicólogo, como o proposto pela Rozângela, funcione.
Parece contraditório, mas ela diz que tem amor pelas ativistas pró-homossexuais e que eles a admiram. Mas não foi ela que disse que era um movimento pela desconstrução social? Enfim, para fechar a entrevista, ela diz uma das coisas mais absurdas que já li nos últimos tempos:
“O ativismo pró-homossexualismo está diretamente ligado ao nazismo (…) Todos os movimentos de desconstrução social estudaram o nazismo profundamente, porque compartilham um ideal de domínio político e econômico mundial. As políticas públicas pró-homossexualismo querem, por exemplo, criar uma nova raça e eliminar pessoas. Por que hoje um ovo de galinha vale mais do que um embrião humano? Por que se fala tanto em leis para assassinar crianças dentro do ventre da mãe? (…) Quanto mais práticas de liberação sexual, mais doenças sexualmente transmissíveis e mais gente morrendo.”
Isto é, existe uma conspiração gay de dominação político-econômica no mundo. Patético! E ainda diz que querem “criar uma nova raça”, como assim? A raça dos gays? Oras, não seria a própria humanidade tendo orientações sexuais diferentes? Ninguém tem a obrigação de querer ter filhos, logo, não tem sentido acusar os gays de querer “eliminar pessoas”. Ou ela estava se referindo a sair por aí matando pessoas?
Ainda aproveita para fazer propaganda contra as pesquisas com células-tronco embrionárias (usando um argumento pífio. Se alguém conseguir comprar um embrião humano, traga até mim que eu dou minha casa e minha família). Também prega contra o aborto, de uma maneira sentimental. Por fim, ainda diz que liberdade sexual é sinônima de gente morrendo. Não vou negar que existe uma relação entre transmissão de DSTs e liberação sexual, mas isso pode ser resolvido por outros meios, não necessariamente pelo fim das liberdades.
Enfim, foi muita bobagem para uma entrevista só…
(OBS: a doutora fez valer a Lei de Godwin: “Quando mais uma discussão se alonga, a probabilidade de comparações com o Hitler e o nazismo se aproxima de 100%”)
E o legal é que Hitler estaria super satisfeito de ter um grupo Gay lutando em seu grupo.
Eu pensei nisso também…
Nesse teatro do bem e do mal, do julgamento do certo e do errado, nessa atítude de querer ajudar os proximos, a sociedade vai sofrendo diversos tipos de abusos e atrocidades.
Podemos citar como exemplo, a catequização dos índios, no qual os lusitanos achavam que tinham o direito divino de proporcionar uma educação religiosa para eles, o que resultou na morte de milhares de índios. Outro exemplo é o USA que usa o pretexto para invadir e dominar um país para implementar a sua falsa visão democrática.
No cotidiano, casos é que não faltam, como esse próprio artigo acabou demonstrando.
É lamentavel a atítude dessa mulher. Uma pessoa assim não pode ser levada a sério.
Assim como ela, de bem intencionado, o inferno está cheio!
Abraços!!!