Como acabei de voltar de férias, viagem que fiz por um pacote da agência de turismo CVC, posso comentar as impressões que ficam de fazer uma viagem “pra turista ver”. O destino foi Fortaleza, com direito aos passeios nas praias, compras nas feiras e mercados e acesso ao famoso parque aquático do Beach Park. As impressões:
Os pacotes de turismo, e os próprios roteiros tradicionais turísticos, acabam por levar o turista a um ambiente um tanto artificial que parece ter sido construído somente para turistas. Em vez de conhecer a cidade em si e os moradores que ali habitam e trabalham, conhece-se espaços frequentados apenas por turistas como se isso fosse uma amostra da cidade.
Os turistas são levados a ambientes bastante confortáveis e divertidos (como o Beach Park que tem enormes toboáguas e diversas piscinas) porque estes são os “pontos turísticos”, mas onde fica o que é genuinamente regional? No Beach Park, por exemplo, onde quase todos os nomes que vemos estão em inglês, tocava música americana constantemente e as porções de batata vinham em potes semelhantes aos do McDonald’s. Isto é Fortaleza? Isto é o Ceará?
Quando fomos para lá, fomos com intuito de conhecer a população local, como os pescadores, e não ficar entre turistas em locais onde o padrão é maior que o da população local dizendo “nossa, como o Ceará é lindo”. Fortaleza é mais uma vila de pescadores do que um Beach Park.
Não se faz turismo para se conhecer um lugar, e sim turismo para se conhecer o turismo. Troca-se o ambiente como ele é, que poderia usufruir o turismo sem perder sua originalidade, por um ambiente artificial nitidamente turístico e comercial, que poderia existir em qualquer outro local, uma vez que nivela por baixo as diferenças regionais. É o turismo pelo turismo.

Beach Park: onde está o Ceará?
É por isso (e por outras) que eu gosto de couchsurfing. -Para quem não conhece: http://pt.wikipedia.org/wiki/CouchSurfing
Realmente os pacotes turísticos não te fazem conhecer a cidade ou a população local. Te fazem conhecer um, como diria Baudrillard, um lugar simulacra, uma simulação da falta de simulação de uma cidade. É meio bizarro.
Quando eu fui pro Rio meu pai me perguntou se eu não queria ir com um pacote turistico e tudo mais. Mas eu disse que queria conhecer a cidade com um local, um carioca, conhecer o bairro, e tudo mais.
Sei que nem sempre da para viajar com couchsurfing, mas se der vale muito a pena. Além de ser de graça.
Realmente Adriano, posso afirmar o que você está dizendo, pois morava em São Paulo e hoje moro na cidade de João Pessoa…
Muitos dos comercios voltados para turistas não transparece a rica cultura presente em cada um dos seus nove estados do nordeste.
Quando você entra em um shopping, seja onde for, é tudo padronizado, não faz diferença se você está na capital de São Paulo ou em Natal.
O nordeste mudou muito, os costumes de um povo estão sendo enfraquecidos e distorcidos. Tudo isso ocorre em função da globalização, contudo essa cultura regional, ainda é encontrada, resistindo na médida do possivel, no interior de cada estado nordestino.
Mais saiba que apesar dos problemas existem ótimos lugares para se conhecer no Brasil!
Abraços!
Tive essa mesma experiencia quando fui pra porto seguro nessas férias. Comprei as passagens com a CVC, mas sem os pacotes de passeios.
Eu e minha família passeavamos a vontade pela cidade e sempre iamos pro centro de noite comer em algum restaurante.
Coincidentemente com o texto, um proprietario de uma pizzaria disse a mesma coisa. Logo depois que a CVC comprou vários hoteis na cidade, passou a direcionar a maioria dos turistas da cidade e vários hoteis e restaurantes locais fecharam.
Nossa!
Eu sou do interior do Ceará, hoje moro em João Pessoa e sempre que vou à Fortaleza tropeço em um monte de turista que conhecem uma Fortaleza à parte com relação a população nativa. Depois que Fortaleza recebeu um forte investimento no setor de turismo, parece que, cada vez mais, as características locais se diluem para atender a essa realidade artificial a qual você se referiu. É uma pena, até porque o Ceará que conheço tem muito mais a oferecer: seja nos costumes locais, no artesanato, nas comidas, no modo de falar, etc. O interior e algumas praias do litoral cearense ainda conseguem mostrar as particularidades do estado e de como vivem sua população. Claro que isso não ocorre apenas nesse lugar, em João Pessoa mesmo eu observo quase as mesmas coisas. Parece haver uma padronização que vai da lembrancinha que se encontra nos mercado de artesanato à comida regional nos restaurantes pra turistas, como se não houvesse diferença entre os estados, como se o Nordeste fosse uma coisa só e sabemos muito bem que não é.
Legal!
Há várias pessoas que reconhecem o mesmo problema que eu descrevi no artigo.
Obrigado a todos pelos comentários!
Pior ainda que ir ao Ceará “feito para americanos” é ir a Florianópolis “feita para argentinos”, escutar até as promoções das lojas em espanhol e saber que todas as infrações de transito que não cometem na Argentina, cometem no Brasil…..
Onde está a valorização do lugar? Perdeu espaço para o turismo mercadológico.
Olá! Bacana seu post e sua preocupação/interesse em conhecer o verdadeiro Ceará. Mas acredito, como turismóloga (que tb gosta de conhecer o povo e não os lugares pra turista ver), que existem perfis e perfis. A CVC trabalha para um turista que não quer pensar, sentir ou vivenciar nada mto diferente do que tem em casa. O legal é aproveitar os preços de transporte e acomodação, mas fazer o seu próprio roteiro nas cidades. As possibilidades são infinitas!
Abraços e boa sorte!