No capítulo anterior, vimos como Getúlio Vargas entrou no poder, na Revolução de 30, chegando até o Estado Novo. Na música, o samba foi ganhando uma outra face, com destaque de Noel Rosa. Veremos as novas mudanças na política e na música a seguir:
A renúncia de Getúlio Vargas
Início de Segunda Guerra Mundial, e o Brasil ainda não havia definida qual lado apoiar. Para conseguir um empréstimo que seria usado na construção da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), Vargas deveria apoiar os Aliados. Por outro lado, por governar de um modo ditatorial, bastante nacionalista, seria mais coerente apoiar o Eixo, com o qual possuía certa simpatia ideológica.

Getúlio Vargas
Deu que Vargas se aliou aos Aliados, que venceram a guerra em 1945. Resultado: incoerência. Leia o trecho abaixo do Manifesto dos Mineiros para entender as críticas a Vargas:
“Se lutamos contra o fascismo, ao lado das Nações Unidas, para que a liberdade e a democracia sejam restituídas a todos os povos, certamente não pedimos demais reclamando para nós mesmos os direitos e as garantias que os caracterizam… Queremos liberdade de pensamento, sobretudo o pensamento político…”
Marcaram-se eleições em 1945. Getúlio lançou o seu candidato oficial: Eurico Gaspar Dutra, que viria a ser o próximo presidente. Na oposição, foi criada a UDN (União Democrática Nacional), que lançou o Eduardo Gomes. Havia outros candidatos de outros partidos também.
Luís Carlos Prestes, que ajudou com a entrada de Getúlio, lançou uma campanha para o mesmo continuar, cujo lema foi “Queremos Getúlio”, e ficou conhecido como Queremismo. Com medo de um novo golpe de Vargas, dois generais organizaram um golpe militar ao Palácio do Governo. Para não ter que se exilar ou perder direitos políticos, Vargas renunciou.
Meu Brasil brasileiro

Ary Barroso
Em contraste com o clima de guerra, algumas canções foram lançadas exaltando as qualidades do país, como a conhecida Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, lançada em 1939. Veja o vídeo atual abaixo, com interpretação de Gal Costa acompanhada de um conjunto e de uma orquestra regida por Wagner Tiso.
Na mesma época, foi lançado um fenômeno brasileiro no exterior. Na realidade, ela não era brasileira, era portuguesa, mas simbolizava o lado tropical do Brasil de uma forma muito marcante, conhecida pela figura dos balangandãs pelo corpo e frutas sobre a cabeça: Carmen Miranda. Em 1939, ela viajou aos EUA para fazer uma temporada na Broadway.

Carmen Miranda
Seu primeiro sucesso, Taí, tinha a cara do carnaval, sendo lançado em 1930. Tornou-se a portuguesa mais brasileira ao interpretar O que é que a baiana tem?, de Dorival Caymmi. Depois de voltar dos EUA, já na década de 40, foi recebida com críticas nacionalistas. Em resposta, lançou a canção Disseram que eu voltei americanizada. No vídeo abaixo, assista a uma interpretação do choro Tico-Tico no Fubá de Zequinha de Abreu, na voz da “pequena notável”:
A redemocratização
O Brasil teve um período de democracia após a renúncia de Getúlio Vargas, que deu um fim ao Estado Novo. Por outro lado, não muito tempo depois, houve o Golpe de 64, que instalou a ditadura militar. Neste curto intervalo de tempo, muita coisa aconteceu.

General Dutra
O general Dutra (1946-1950) foi eleito. Em termos econômicos, ele foi um desastre. Abrindo as importações, gastou as reservas cambias acumuladas por Getúlio em mercadorias supérfluas. Além da crescente inflação, aumento de custo de vida e congelamento salarial. Lançou o programa SALTE (Saúde, Alimentação, Transporte e Energia), que não saiu do papel.
No governo Dutra, a aliança entre Brasil e EUA aumentou, abrindo o nosso país para o capital estrangeiro. Na ressaca pós-guerra, em meio a uma nova guerra, a Guerra Fria, Dutra nos aproximou dos norte-americanos e cortou relações com a URSS.
No próximo texto, vamos ver a mudanças que começariam no país, com o retorno de Getúlio Vargas e o início de uma revolução na música brasileira: a pré-bossa, que antecedeu por alguns anos a bossa nova.
[...] / Agosto / 2009 por Adriano Senkevics No capítulo passado, vimos como Getúlio Vargas saiu do poder, em 1945, entrando um período de democracia após a [...]