No artigo anterior, discuti a questão da legitimidade e necessidade de uma greve, como a que está ocorrendo atualmente na Universidade de São Paulo (USP), por funcionários, professores e estudantes. Neste texto, vou explorar uma das reivindicações estudantis: a expulsão da Polícia Militar (PM) do campus da Cidade Universitária.
Todos sabemos que a PM, pelo menos a paulista, é despreparada, principalmente para questões que envolvem civis. Basta ver os diversos desastres que aconteceram por ação policial nos constantes crimes na capital paulista. Na USP, guardadas as proporções, não foi diferente. Diversas pessoas não envolvidas na manifestação de terça passada sofreram as consequencias dos gases de efeito moral, sem contar os disparos de balas de borracha em um local movimentado, inclusive frequentado por crianças que ali estudam.

Polícias versus estudantes na Cidade Universitária
Não vou negar que muitas das práticas, que inegavelmente envolvem certo grau de violência, como piquetes e bloqueios aos portões de acesso (veja o artigo anterior) partem de minorias que decidem pela greve e votam por estas práticas. A questão é que a reitora Suely Vilela é incapaz de negociar ou discutir com os estudantes, o que a leva a pedir pela intervenção policial.
O governador José Serra, quem escolheu por essa reitora, disse que não houve excesso no tratamento da polícia, justificando que apenas estavam seguindo um mandado judicial, isto é, obedecendo a ordens. Lamentável a opinião de Serra, pois pode-se solucionar problemas das mais variadas formas, inclusive pela violência. Isto, por si só, não justifica um ato.
É difícil saber até que ponto a polícia agiu de maneira incorreta ou se foram os estudantes que provocaram, porque cada um vai defender o seu lado. É claro que, após o início dos ataques policiais, os estudantes também se defenderam de forma mais intensa, atacando pedras, inclusive. Uma imagem bastante interessante foi um estudantes batendo no escudo policial com um livro.

Estudantes fugindo das bombas de efeito moral
De qualquer forma, deveria ser evitada a presença da PM na universidade como maneira de solucionar problemas como greve e manifestações, porque o que os estudantes querem não é acabar com a polícia paulista, e sim debater pautas que motivaram a greve. A força da polícia, que se resume a reprimir as ações, não resolve o problema, pelo contrário, atiça o fervor. Deve-se lembrar que os estudantes e professores só entraram em greve depois que a tropa de choque se fez presente na universidade. Até então, apenas os funcionários estavam em greve, por outros motivos.
Sem partir para o lado ideológico (“a volta da ditadura”), que só tira o crédito do movimento estudantil e o transforma num sensacionalismo tal qual o midiático, são dedutíveis as razões para achar desnecessária uma ação policial no grau que ocorreu. Por outro lado, poderia vir dos próprios estudantes um alerta para as minorias que praticam ações, por vezes violentas e radicais, que também são responsáveis, em parte, por conflitos como o que vimos semana passada.
Como disse Ivan Seixas em um maravilhoso discurso, é preciso resistir.
Muito interessante o enfoque do texto, de caráter jornalístico, bastante imparcial e reflexivo ao mesmo tempo, chegando a conclusões claras e racionais.
Parabéns, Adriano.