Ultimamente a Universidade de São Paulo (USP) tem estado em greve de funcionários, professores e estudantes, com a reitoria ocupada. Ontem o portão principal da universidade foi bloqueado por grevistas e manifestantes, o que terminou em conflito entre estudantes e policiais.
Representatividade: moral ou legal?
Falando sobre os estudantes, entre os quais me incluo, digo que o Movimento Estudantil ou, de modo geral, as assembleias que definem manifestações, não representam todos os estudantes da USP, e sim aqueles que se filiam, que se aliam, que acatam ou que participam do movimento.
Até porque não me lembro de ter assinado, quando ingressei no meu curso, nenhum documento dizendo que minha posição deveria se subordinar à opinião da “maioria representativa”, que não é nem maioria, porque de fato de não é, nem representativa, porque não existe uma representatividade legal.

Manifestação na USP
A decisão de acatar ao movimento parte de uma iniciativa moral, e não de uma obrigação legal. Logo, não são legítimos, tampouco democráticos (como eles gostam de chamar), as manifestações violentas que partem de estudantes contra a sociedade e contra os demais estudantes no geral. Isto se traduz em bloqueios aos portões ou piquetes em salas de aula.
Greve e protesto
A greve, por si só, não é uma forma de protesto. É senão uma forma de viabilizar, de facilitar, outras formas de protesto. A sociedade sustenta a USP e deve, pois, esperar um resultado. Não sou contra manifestações, pelo contrário, mas deve-se pesar até que ponto estes atos significam retornos positivos à população, ou se são meros reflexos de questões internas.
Porque parar a aula por parar, ou fechar o portão por fechar, não faz sentido. Que diferença faz se o aluno está assistindo à aula ou não? Por que se deveria entupir corredores com carteiras apenas para impedir o acesso? Não vejo valor na greve pura, no piquete à toa.

Polícia dispersa estudantes
Dizem que uma greve parcial não tem crédito, mas qual seria o crédito de alunos fora da sala de aula. Isto não significada nada pros estudantes e muito menos para a sociedade. O que é diferente de um hospital parar, de um terminal rodoviário parar. Mas a USP é tão interiorizada, que não chega a ser relevante.
Seriam mais significantes passeatas, manifestações à vista da população. Os grevistas afirmam que isso só será possível na greve. Então nem deveríamos ter aula, porque o protesto deve ser constante, e não esporádico, aparecendo aos demais como um conflito, uma violência, às vezes incluindo depredação de patrimônio público.
Como disse, a greve ajuda a viabilizar o protesto, mas não o define. A USP poderia ser mais participativa em muitos outros aspectos, não precisaria levantar as bandeiras da greve e todas as suas variáveis (piquetes, bloqueios etc), que muitas vezes faz o movimento se resumir a atos indesejados, levando-o ao desfoque ou no mínimo ao desprestígio.
OBS: as reinvicações estudantis são: contra corte de verbas para o ensino superior, contra um curso à distância em implementação na universidade, contra a presença da Polícia Militar no campus da Cidade Universitária.
Quais as reivindicações?
Adriano,
Os links para os outros sites sumiram…
Abraço!
Oi Hugo,
As reinvicações estudantis são:
- contra corte de verbas para o ensino superior;
- fora a UNIVESP (Universidade Virtual do Estado de São Paulo), uma curso à distância em implementação na USP;
- fora a Polícia Militar do campus da USP.
-//-
Inã,
Eu notei este problema e tentei corrigir. Mas não sei por que não consegui. Vou tentar novamente.
Abraços
Pode ser uma posição meio egoísta, mas não deixa de ser a minha:
Depois de pesquisar e ver o absurdo de verbas que querem cortar (20%, segundo a fonte em que eu li) a greve veio a calhar, pois eu pretendo prestar o vestibular da usp esse ano e, se eu passar, enquanto calouro, acho que seria um dos mais afetados por isso (caso diminuam as vagas por curso, enxuguem os gastos com o crusp, ou coisa do tipo) . Então tomara que o governo se sinta pressionado e reveja essa posição e desista de cortar tais verbas.
Hugo,
Não é uma posição egoísta se você pensar nas consequências deste corte para a educação superior. É claro que tem um interesse seu, mas imagine como você ficaria se anunciassem corte de metade das verbas de saúde, por exemplo. Mesmo que você não use o sistema público, supondo, você deveria ficar inconformado com isso, logicamente.
Sempre há ameaças de corte de verba. Não sei como era antes, mas sinto que o Serra guarda uma antipatia pelos estudantes da USP, o que é recíproco. Espero que ele não ganhe a presidência. Se depender de nós…
Abraços
[...] / Junho / 2009 por Adriano Senkevics No artigo anterior, discuti a questão da legitimidade e necessidade de uma greve, como a que está ocorrendo [...]