No capítulo anterior vimos a proclamação da República, o movimento tenentista e um pouco sobre o início do samba e do choro, misturados com ritmos africanos e europeus. Neste segundo capítulo, veremos como a “política do café-com-leite” terminou, entrando Getúlio Vargas. Essa revolução na política coincidiu com uma revolução no samba. Veremos como.
A Revolução de 30: entrada de Getúlio Vargas
Como disse anteriormente, o último presidente da República Velha foi Washington Luis (1926-1930), apoiado pelo Partido Republicano Paulista (PRP). Seguindo o esquema do “café-com-leite”, deveria apoiar a candidatura de um político mineiro. Mas para manter sua política econômica, fraudou o esquema vigente e apoiou um outro paulista, Júlio Prestes. Em resposta foi criada uma aliança entre estados (incluindo Minas Gerais), denominada Aliança Liberal, que lançava Getúlio Vargas (1930-1945) como candidato a presidente, e João Pessoa como vice.
Enquanto isso, o Carnaval dos anos 30 contaram com a marchinha É sopa, é sopa, de Eduardo Souto, que dizia: “Para vencer o combinado Brasileiro / Diz Getulinho / É sopa, é sopa…”. E de Sinhô, que citei no texto anterior como um dos primeiros compositores de samba, compôs Eu ouço falar, que dizia o contrário: “Eu ouço falar / Que para nosso bem / Jesus designou / Que seu Julinho é que vem…”

Getúlio Vargas em 1930
Esse embate entre paulistas e a Aliança Liberal fez surgir ideias de usar lutar armada. Até que João Pessoa morre por motivos políticos e de ordem pessoal, o que causa uma comoção popular. Júlio Prestes havia ganhado a eleição, mas logo foi deposto por Getúlio Vargas, que entrou pelo chamado Golpe de 30. Inicia-se uma fase de “Governo Provisório”.
A Revolução do Samba
O samba de Sinhô, com bastante influência do maxixe, foi se perdendo assim que o sambista morreu em 1930, o mesmo ano da entrada de Getúlio. O Carnaval, por sua vez, que abusava das marchinhas, foi absorvendo um novo samba, com novos instrumentos, dentre o surdo e o tamborim. Um pouco antes dessa data, já havia sido formada a primeira escola de samba do Brasil, a Deixa Falar, que era coordenada por Ismael Silva, músico que investia neste novo samba.

O sambista Sinhô
Conforme o Brasil foi deixando de ser um país exclusivamente agrário para se urbanizar, surgia, culturalmente, uma figura urbana bastante intrigante, especialmente dos morros: o malandro. Como bem ilustra a canção O que será de mim de Ismael Silva, Nilton Bastos e Francisco Alves: “Se eu precisar algum dia / De ir pro batente / Não sei o que será / Pois vivo na malandragem / E vida melhor não há…”
Nesse contexto, surge um dos mais celebrados compositores da MPB, o boêmio Noel Rosa. Abandonou os estudos de medicina no segundo ano para seguir no samba, morrendo aos 26 anos de idade, deixando mais de 250 canções. Em uma de suas mais famosas canções, Com que roupa, Noel escreve uma letra para falar do “Brasil de tanga” por causa da crise da bolsa de Nova York em 29. Veja no vídeo abaixo, cantada por ele mesmo:
“Revolução” Constitucional e Estado Novo
No “Governo Provisório” de Vargas, no qual foram implantadas as leis trabalhistas (Consolidação das Leis de Trabalho), a situação não ficou apaziguada. Os paulistas, revoltados por ter Getúlio ao poder, organizaram revoltas, conhecidas como a “Revolução” Constitucional de 32, que embora não tenha revolucionado, ao menos pressionou o governo federal e construir uma nova Constituição.

Os oposicionistas: Olga Benário e Luis Carlos Prestes
Foi escrita, então, a nova Constituição, em 1934. Eleito presidente da República, agora Vargas governava sobre um “Governo Constitucional”, e não mais provisório, de 1934 a 1938. Outra oposição persistia pela ANL (Aliança Nacional Libertadora), que foi fechada por Vargas em 1935. No mesmo ano ocorreu a “Intentona Comunista”, levante armado que mais uma vez tentava a revolução, no qual estavam envolvidos Luis Carlos Prestes e Olga Benário.
No fim de 1937, com as eleições que colocariam no poder o sucessor de Vargas marcadas para o ano seguinte, uma canção venceu um concurso musical e parecia prever o que aconteceria, fazendo especulações acerca do candidato governista, Osvaldo Aranha (“Seu Vavá”), e Armando Sales de Oliveira (“Seu Manduca”). A letra dizia o seguinte: “O homem quem será? / Será Seu Manduca ou será Seu Vavá? / Entre esses dois meu coração balança porque / Na hora “h” quem vai ficar é Seu Gegê…”

Charge sobre o Estado Novo
No mesmo ano, Getúlio Vargas decretou o Estado Novo (1938-1945), como maneira de aumentar seu poder a fim de evitar que a oposição o depusesse. Criou o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), órgão censurador. Utilizou-se da PE (Policia Especial), que perseguia os dissidentes. A polícia reprimia grupos parados na rua, a ordem era ficar circulando. Ainda assim, por causa das leis trabalhistas, era chamado de “pai dos pobres”.
Como Getúlio Vargas saiu, dando vaga a uma redemocratização que marcou bastante a história do Brasil, e como a MPB se alterou bastante, aproximando-se mais do que ouvimos hoje, veremos no próximo post.
[...] / Junho / 2009 por Adriano Senkevics No capítulo anterior, vimos como Getúlio Vargas entrou no poder, na Revolução de 30, chegando até o Estado Novo. Na [...]
hola esta bonita la imagen de olga y la historia
muito bom !
me ajudou muito no trabalho de história !
nossa foi otimo ter essa pagina na irternet de olga benario e luiz carlos prestes q me ajudou a entender ++ sobre a vida deles eu sou fissurado na historia deles eu tenho reportagens falando de tudo deles e é bom saber q um dia alguem lutou pelo oq é certo