Iniciando a série, relembro um pouco da história do Brasil no final do século XIX e início do século XX, vemos como nasce o samba e o choro, os gêneros pioneiros, e como se inicia o declínio da primeira República brasileira.
República Velha
No Brasil, em 1889, proclama-se a República. Um grupo de militares liderado pelo marechal Deodoro da Fonseca (1889-1891) derruba a monarquia e torna-se o nosso primeiro presidente brasileiro, chefiando um Governo Provisório com poderes ditatoriais. Nasce a atual bandeira brasileira, com o lema positivista “Ordem e Progresso” e, pouco mais tarde, é escrita a primeira constituição republicana, cujo principal autor foi Rui Barbosa.

Proclamação da República (óleo sobre tela de Benedito Calixto, 1893)
Dois anos depois de Deodoro da Fonseca ter assumido a presidência, este renuncia e dá lugar ao marechal Floriano Peixoto (1891-1894). Após esses dois presidentes militares, o Brasil emerge numa outra República, dominada pelas oligarquias, em especial a mineira e a paulista, representadas por partidos políticos estaduais (não existiam partidos políticos nacionais), caracterizando a “Política do Café-com-Leite”, iniciada por Prudente de Morais (1894-1898).
Durante o período da República Velha, que durou da proclamação da República até a Revolução de 30, houve a atração de imigrantes, o ciclo da borracha, o coronelismo, a Primeira Guerra Mundial, a Semana de Arte Moderna. E em termos de música?
Samba e Choro
No início do século XX, o samba nasce como um ritmo sem letra, de raízes africanas. Na casa da Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata, e de João Batista da Silva, o Sinhô, a cultura africana era predominante. A primeira canção oficial de samba chama-se “Pelo Telefone”, de 1917, de autoria questionável (atribuída a Ernesto dos Santos, o Donga), pois nascera de um conjunto de músicos que frequentavam a casa da Tia Ciata. Veja abaixo um vídeo gravado em 1966 da canção Pelo Telefone cantada de forma descontraída por Donga e Chico Buarque, na presença do grande mestre de choro Pixinguinha:
A partir de 1908, nasce o choro, gênero totalmente instrumental, que gozava de maior prestígio. Tocava-se choro para disfarçar, quando na verdade queria-se tocar samba. Um dos primeiros “chorões” foi o flautista Joaquim da Silva Calado, ou apenas Calado, que modificou ritmos do estrangeiro, como a polca e a valsa, para o samba. Pode-se dizer que o choro, diferentemente do samba, teve um origem mais européia, branca, o que o tornava mais aceito pelas elites da época. Segundo depoimento de Pixinguinha: “Se havia uma festa, o choro era tocado na sala de visitas e o samba só no quintal, para os empregados.”
Neste sentido, foi importante a presença da compositora Chiquinha Gonzaga. Autora de gêneros como o maxixe, ritmo gerador da primeira dança urbana brasileira (considerada “a dança proibida”), foi a primeira mulher a compor músicas para óperas e peças e a reger orquestras. Trouxe ritmos negros, até então rejeitados, para dentro dos consagrados ritmos brancos. No vídeo abaixo, você pode ouvir a polca Atraente, de sua composição, na versão do grupo As Choronas:
O declínio da República Velha
A crescente industrialização brasileira trouxe muitas mudanças, embora a população ainda fosse majoritariamente rural. Cresceu a malha ferroviária, o mercado interno, a imigração. O PCB (Partido Comunista Brasileiro) foi fundado em 1922, mesmo ano em que ocorreu a Semana de Arte Moderna e o advento do Rádio.
Após a Primeira Guerra Mundial, um movimento começou a ganhar maiores proporções, o tenentismo, protestando inicialmente contra o governo de Artur Bernardes (1922-1926). Eles promoveram a conhecida Revolta do Forte de Copacabana (na fotografia abaixo, de Zenóbio da Costa). Um dos movimentos tenentistas foi a Coluna Prestes, organizada por Luis Carlos Prestes, que viajou o Brasil divulgando, entre outras, ideias contra a República Velha.
O último presidente da República Velha foi Washington Luis (1926-1930), mas como ocorreu a transição deste para o governo de Getúlio Vargas, com mais informações sobre a música da época, veremos no próximo post.
Adriano, a chegada da coroa portuguesa foi em 1808
Obrigado por ter me corrigido, Leonardo,
Acho que acabei me empolgado e não me toquei do erro factual, já foi corrigido.
Abraços
Que nada Adriano, acontece.. O blog é ótimo!
Abraços
[...] / Maio / 2009 por Adriano Senkevics No capítulo anterior vimos a proclamação da República, o movimento tenentista e um pouco sobre o início do samba e [...]
isso e uma boa ajuda para as pessoas q qrem fazer paesquisa
um bejaum
Oooooooooou! amei isso meu!
é otimooooo
beijos, AMEIIII !