O vestibular, exame de ingresso para o ensino superior, está mudando no Brasil. Baseado no antigo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), o novo vestibular, apelidado de “novo Enem”, consistirá em 200 questões de múltipla escolha e uma redação, ocorrendo durante dois dias, no segundo semestre do ano. Vamos entender como será esse “novo Enem” e suas implicações no ensino brasileiro.
Vestibular atual: um modelo a ser substituído
Atualmente, a situação é a seguinte: praticamente cada universidade, seja pública ou particular, tem um vestibular próprio. A consequência disso é que, caso o candidato deseja concorrer em várias universidades, deve prestar diversas provas, o que é muito desgastante.
Outro problema é que muitas universidades só permitem que seu vestibular seja aplicado dentro do seu estado. Assim, um estudante do Ceará terá que viajar até São Paulo se quiser prestar a Fuvest, que aprova alunos para a USP e mais algumas faculdades.

Em termos das questões, os vestibulares atuais cobram muita memorização e informações específicas demais. Isto acaba saturando o ensino médio de temas pouco importantes. Hoje, o ensino médio é completamente voltado para o vestibular, quase não se ensinam conhecimentos que não “caem” na prova ou que são menos visados. Os cursinhos estão aí para provar: fórmulas, macetes, decorebas que se focam no “passar no vestibular”.
Um novo vestibular: misto de Enem e vestibulares atuais
A ideia do “novo Enem” é ser interdisciplinar e valorizar raciocínios que não se tratam de memorizações, tal qual o “antigo Enem”, mas, diferentemente deste, o novo será baseado no assunto do ensino médio, isto é, será menos dedutivo, menos superficial e exigirá uma base melhor. Se bem formulado, este novo vestibular vai continuar selecionando alunos bem preparados. Outro diferencial da prova é que se cortarão certos temas (a ser decididos pelo MEC), desafogando o ensino médio.

Seria um vestibular unificado. Bastaria uma prova para concorrer a diversas universidades particulares (500 já aderiram) e federais (48 já aderiram), que poderia ser realizado no próprio estado do candidato. Quanto às estaduais, como USP, Unicamp e Unesp, estas ainda não aderiram ao novo modelo. Fica a cargo de cada universidade decidir se aderirá e, aderindo, se e como haverá uma segunda fase.
E o que muda no ensino?
Obviamente, não é mudando o vestibular que o ensino melhorará. Os problemas do ensino são outros, velhos conhecidos. O fato é que um sistema de ensino eficiente, funcionando a serviço dos atuais vestibulares, é pior do que um novo, reformulado e voltado ao novo vestibular. Por quê?
Porque o Brasil poderá fazer como há muito se faz fora: permitir que o aluno tenha uma grade curricular básica, mas possa expandir seus horários selecionando disciplinas de interesse. Para que ensinar espanhol, francês, filosofia, música, sociologia, artes, atualidades etc, se não cai no vestibular? O ensino está, repito, sufocado pelo vestibular. Ele dá ordens, diz o que se aprende e como se deve aprender para passar.
Isto faz com que o ensino vire apenas uma ponte para o ensino superior, ou seja, não acrescente nada além do necessário para se entrar numa faculdade. É esse o legado que ensino médio deixará, apenas isto?
O Brasil tem como melhorar este quadro. Se melhorar o ensino, dentro dos moldes atuais, já será um grande avanço. Mas se adapta-lo para esse novo modelo, tendo a “permissão” do novo vestibular, a longo prazo será muito melhor. Teremos mais conscientização, mais cabeças pensantes, onde cada aluno terá, dentro da escola, uma trajetória própria, e não apenas uma multidão de alunos sendo forçados a aprender detalhes que, na grande maioria das vezes, não são importantes.
Eu gostei dessa mudança. Eu só estudei no Brasil até a oitava série, mas até lá realmente tudo era voltado pro vestibular, tudo.
Uma das coisas que eu mais gostei na escola aqui é que eu pude estudar fotografia, psicologia, música – jazz, sociologia, semântica, drama, artes, e muitas outras aulas que nem são muito bem conhecidas, tipo “arte no mundo social” que junta história da arte com história, “cultura e conflito no mundo ocidental” que era basicamente sobre guerras e política do ocidente, “drama” onde só estudei peças, astronomia. Na minha escola tinha aula até de gravação de CD, de língua de sinais, latim, fotografia digital e de filme, crítica de filme (eu estudei essa), violência nos EUA, direito, Segunda Guerra Mundial, religiões do mundo, comédia na literatura…Isso era muito legal, e os professores também adoravam, pois ensinavam o que realmente gostavam.
Seria muito bom se o Brasil fosse assim também, mas muita coisa teria que mudar, uma delas é o ensino público e o quanto o governo investe nele.
Meu primeiro comentário aqui
Esse texto foi muito conveniente para mim, pois estou justamente no 3° ano, enquanto pré-universitário. A expectativa sobre o vestibular ainda aumenta, para mim, porque a Universidade Federal do Ceará (meu estado) não divulgou se adotará nesse ano esse novo sistema. Senti uma pontinha de inveja da Bia agora (poxa, tô parecendo tão íntimo, mesmo tendo descoberto o blog há apenas um mês xD), porque eu me interesso bastante por filosofia, arte, música, etc, e o meu colégio, seguindo a regra, realmente tem todo o conteúdo focado no vestibular. É uma pena, pois eu aprendo certos assuntos nas matérias exatas que sei que não terão utilidade para mim, pois pretendo cursar jornalismo (ainda mais porque na minha escola há uma certa tradição em aprovação nos vestibulares ita/ime, e a direção supervaloriza os alunos que são bons nas exatas).
Odiei! Para emergir à vida universitaria, o vestibulando necesita de um conhecimento minimo que a FUVEST cobra como se deve cobrar. O Enem é uma prova interpretativa, e por isso, poderá qualificar uma pessoa sem conhecimentos minimos do ensino medio, fundamentais para um bom desenvolvimento das aulas no curso superior. Consequentemente, as faculdades formarão profissionais desqualificados, tais como muitas faculdades particulares formam. Na minha modesta opinião, concordar com esse novo “vestibular” é apoiar a proliferação da ignorância que indubitavelmente gera incompetências.
Oi Bia,
Obrigado pelo seu comentário, adicionou bastante à ideia que eu tentei mostrar no texto. Queria ter estudado lá também, rs!
Bjs
-//-
Hugo Magalhães,
Eu já ouvi bastante que o Ceará tem uma boa tradição em Exatas, aprovando muitos alunos nos vestibulares mais difíceis nesta área, o ITA e IME, como você citou. Vê-se que não foge muito ao modelo, embora seja um ensino diferenciado, que favorece os alunos que querem seguir carreira em Exatas. Não vejo problema nisso, se é o que aluno quer, nada melhor do que fortalecer.
Obrigado,
-//-
Cesar,
Eu não sei se você se informou direito sobre o novo vestibular. Ele não será um Enem, e tampouco o Enem bastará para aprovar. O novo vestibular pegará um pouco do conceito que o Enem avalia, mas aprofundará com o conteúdo do ensino médio, logo, não será uma prova interpretativa como o Enem atual é, e sim cobrará conteúdos de vestibular. Não encaminha o ensino à ignorância. O modelo atual, da bitola, acaba restringindo muito a abragência que o ensino poderia ter. O vestibular atual é um dos responsáveis por isso.
Estudo na USP e, surpresa, os alunos até sabem um pouco do assunto que prestaram, mas são pavorosos em outras áreas e a cultura geral costuma ser bem fraca, principalmente se pensarmos que a USP é tida como uma das melhores universidades do país.
Precisamos mudar!
Caro Adriano, eu me informei sim sobre o novo Enem.
Tambem fiquei um tanto espantando quando vc falou que “o modelo atual acaba restringindo muito a abrangencia que o ensino poderia ter”. Se olhar os vestibulares de faculdades como FUVEST, UNIFESP, UNESP dentre outras desse nível, verá que o conteúdo cobrado é deveras diversificado. Exigindo grande conhecimento, raciocínio e controle emocional.
E desculpe-me perguntar, mas baseado em quais dados você afirma que alunos de faculdades públicas “são pavorosos em outras áreas e a cultura geral costuma ser bem fraca”?
Descordo desse absurdo infundado. Os alunos da USP, por exemplo, têm uma notavel pluraridade cultural, aliás, isso é uma das coisas que a FUVEST exige do vestibulando. Esse seu “até sabem UM POUCO do assunto que prestaram” me pareceu uma bela anedota.
Mas para ser sincero, não acredito que boas faculdades vão considerar o Enem na nota geral mais do que já o fazem. O novo Enem é mais uma mudança para que tudo continue o mesmo.
Mas concordo que precisamos mudar. Mas a mudança, caro amigo, tem de ser feita no ensino médio cuja qualidade deixa muito a desejar.
Cesar, eu acho que você está fazendo um erro muito comum. Hoje em dia as pessoas acham que quem passa na fuvest (por exemplo) é incrivelmente inteligente, e quem está em faculdades não tão prestigiadas (como você disse: “muitas faculdades particulares formam” pessoas desqualificadas) são burros. Eu discordo.
Não sei se há alguma estatística falando o quanto de cultura geral os alunos de faculdades como USP, Unifesp, UFRJ…sabem. Mas o Adriano está falando da experiência própria dele, e acho que você tem que dar crédito, não apenas descartar o argumento dele como “absurdo infundado”, pois podemos muito bem falar que o que você disse também é infundado, e absurdo.
“Os alunos da USP, por exemplo, têm uma notavel pluraridade cultural, aliás, isso é uma das coisas que a FUVEST exige do vestibulando.” eu acho que isso é exagero, conheço muita gente que estuda na USP e não tem cultura.
Nos vestibulares existem perguntas sobre os livros clássicos brasileiros, por exemplo, conheço muita gente que não os leu e entrou na USP. Essas pessoas leram os resumos, e coisas do tipo, que são dados com o único objetivo de passar no vestibular. Eu fiquei surpresa ao saber que são poucos os que realmente leram, pois onde estudei não imagino ter prova de um livro que não li.
Uma das coisas que eu não entendo quando vou para o Brasil é como a maior parte das pessoas não sabem nada de literatura estrangeira; para que ler Dostoievski, se não cai no vestibular?
Por experiência própria, eu posso dizer que tive um baque enorme ao conversar com alunos de Letras na USP. Eu perguntei se eles tinham lido Chomsky (ele mudou a lingüística moderna) e eles não tinham (eu, que não estava na facul, já tinha lido), perguntei se leram Saussure (começou a lingüística) e eles não tinham lido, só liam os resumos que a facul dava.
Essas mesmas pessoas que estão estudando literatura não leram Franz Kafka, James Joyce, Goethe…Simplesmente por que a escola não achou que valia a pena ensinar coisas que não cairiam no vestibular. Além disso, o tempo que elas gastaram estudando química, poderiam ter aprendido muito mais sobre lingüística, peças, ou mesmo outra língua.
No final isso seria muito melhor do que ter estudado algo que no final eles não vão usar, e vão esquecer.
É isso que acontece na França, a partir do colegial as pessoas focam mais no que elas querem.
É um fato neurológico que as pessoas se lembram mais do que elas gostam. Por exemplo, é muito mais fácil se lembrar do telefone de um amigo, do que uma formula matemática. E na escola, ter aulas onde só se aprende macete e formas para passar no vestibular, faz com que depois que essas pessoas passam, elas vão esquecer a maioria das coisas.
Eu, no colegial em Boston, tive aula de história normal, e outra de “artes no mundo social” (que era opcional), essa aula era de história junto com história da arte. Eu não me lembro muito do que aprendi na aula de história tradicional, mas me lembro de quase tudo que aprendi na outra aula, lembro de todos os presidentes que eles ensinaram (um deles é o FDR, que escrevo o tempo todo no blog), lembro de todas as leis que aprendi lá, de todas as fotos e filme que assistimos…Minha noção de história é muito maior por causa da aula com um nome estranho, do que a aula de história tradicional. E eu acho que é isso que o Adri quer dizer quando diz que a educação está muito bitolada.
Não acho que é preciso ter cultura pra passar na USP. É preciso boa memória e bom conhecimento do que cai na prova. Mas esse conhecimento é extremamente estreito.
Na minha escola, onde tive uma grande variedade de escolhas, estudei francês durante 3 anos, mas não estudei química. Francês foi, e é, muito mais importante pra mim.
Pensa numa pessoa que vai estudar cinema, não faria mais sentido essa pessoa ter aula de fotografia, crítica de filmes, montagem…do que de biologia?
Nesse sentido, não entendo como diz que “os vestibulares de faculdades como FUVEST, UNIFESP, UNESP dentre outras desse nível, verá que o conteúdo cobrado é deveras diversificado.”
Só se a sua versão de diversificado é MUITO diferente da minha.
Acho que no mínimo o Brasil deveria ter colegial de 4 anos, com algumas aulas opcionais.
Cesar,
Eu estudo na USP e o que disse sobre o perfil dos alunos lá é por experiência própria.
Há uma pluralidade moderada, há poucos alunos estrangeiros, poucos negros. Em termos de homens e mulheres está bem equilibrada, e os homossexuais são até que bem aceitos lá, se comparados com outros lugares. A maioria tem um perfil econômico bom, principalmente em cursos tradicionais como direito e medicina (maioria com renda mensal acima de 20 salários mínimos), o que é diferente em letras e biblioteconomia. A maioria da USP inteira se colocou entre 3 a 5 salários, para mais. Ou seja, não é uma universidade de pobres, varia mais entre classe média baixa a classe média alta.
Um fato importante é que esses vestibulares NÃO selecionam pluralidade, embora haja ações afirmativas, também não é preciso ter muita cultura geral para passar no vestibular.
Afirmo que a cultura geral é baixa lá, mas as pessoas tendem a achar que todos que estão lá são super inteligentes, porque a média do país é muito pior. Digo também que são pavorosos em outras áreas porque ensina-se muito pouco de áreas importantes em outros cursos. Biologia, por exemplo, não tem quase nada de matemática, química e física, que são áreas que dialogam muito. E nos cursos são assim, aprende-se pouco do outro. As aulas lá, no geral, não são tudo aquilo que se espera Há muitos controvérsias quanto ao ensino uspiano. É lógico que aqui estou apenas destacando o lado ruim, se fosse pesar o bom e o ruim, daria para escrever muitos posts.
Cesar, acho que você não entendeu, mas o que chamam de “novo Enem” não é um novo Enem, é um novo vestibular. O vestibular seria esta prova, e não que o vestibular conte pontos desse “novo Enem”.
Ainda bem que você concorda que precisamos mudar o ensino, e eu concordo que essa muda deve ser, também, no ensino médio. Mas pense, o ensino médio é estruturado conforme os vestibulares. Se os vestibulares mudarem a sua cara, mudará também a cara do ensino médio. A nova cara do vestibular é positiva, se bem feita e aplicada. Por isso, vejo que melhorar o ensino é uma constante, mas temos que pensar em que estaremos melhorando o ensino, em que aspecto? Será que basta ensinar melhor? Ou será que deve-se pensar o que ensinar e como ensinar?
O vestibular novo propõe uma mudança que responderia a segunda questão.
Adriano e Bia:
Em principio, em nenhuma hipótese eu “descartei logo de cara” as opiniões de Adriano. Pedi que me apresentasse dados, argumentos plausíveis de sua tese. Por exemplo, se vcs realmente conhecem alunos da USP, como afirmar que um aluno de Medicina, por exemplo, “até sabem UM POUCO do assunto”. Não acham isso um absurdo? “Um pouco”? E como não há dados, a afirmação é infundada. Não basta dizer: “eu ouvi falar”, “tive a impressão ao ver”, é superficialidade demais.
Até concordo que bons vestibulares podem melhorar. Mas se realmente melhorar, os alunos de escola pública vão ter mais dificuldades ainda, pois eu repito: O ensino médio em escola pública é demasiadamente deficitário.
Uma impressão que tenho, é que vcs querem que uma pessoa Analfabeta escreva um livro. Da mesma maneira, um estudante de engenharia, por exemplo, aproveite bem o curso sem noções de força, trabalho, vetores etc. Isso é paradoxal. Primeiro nós aprendemos o básico, no ensino médio, exatamente aquilo que boas universidades cobram do vestibulando.
E sem duvidas devemos pensar no que ensinar. Mas o que ensinar em escolas públicas.
Vocês estão querendo mudar algo que está bom ignorando o verdadeiro problema que é a negligência, imprudência e imperícia com que o governo trata da educação no Brasil, principalmente no ensino Médio. A pergunta é: por que na Usp, UNIFESP, UNesp, a maioria veio de escola particular? A resposta é simples: porque estão mais bem preparados para uma prova de excelência.
Acho que você, Bia, não conhece o vestibular da Fuvest. Esse vestiblar, cobra além do conhecimento, raciocínio lógico em cada matéria. Para se sair bem na FUVEST, tem de SABER, ENTENDER, e não somente decorar. Talvez você desconheça a maioria dos vestibulares do Brasil, pois se conhecesse, saberia que há uma ampla variedade de provas. POr exemplo, compare as provas da FUVEST com as da UNIFESP ou com as da UNESP. São diferentes.
Entretanto, com esse NOVO VESTIBULAR, que provavelmente continuará sendo um mero ENEM, é “a bola da vez”. Vamos esperar, pra ver.
olha, eu tenho 12 anos estou na sétima série e estou prestando um cursinho la na minha escola “otacilia” pra ganhar tres anos de faculdade gratis lá no anglo.
e isso é uma prova que idade nao é documento e que se vc faser por merecer um dia seu agradecimento chega!!!
um bj para todos que estão vendo essa mensagem. e que deus ajude vcs nessa sua caminhada
xauuuu!!!
Mas porque criar provas para entrar na faculdade? Porque não fazer como em outros países que o aluno termina o ensino na escola e dependendo da suas notas tiradas na escola ele entra na faculdade. Assim valorizando aqueles alunos que são esforçados desde sempre. Pois essas provas nem sempre são justas e corretas como podemos ver este ano com o Enem, tem como provar que isso não é repitido em outras provas de vestibulares e não ocorrer em outras provas do Enem.
Por isso eu sou a favor de que não haja vestibular e sim uma avaliação de seu histórico escolar. Vendo que você conseguir uma “nota” podendo ser estabelecida para cada curso na faculdade.
Assim podendo ter menos gastos pois não precisa fazer provas e gastar milhares de reais como foi gasto com Enem e não deu em nada. E dar mais valor ao ensino fundamental e médio.
Fernando,
A resposta para sua questão é simples: não é possível uma avaliação do histórico escolar como método de admissão na faculdade por causa da disparidade do ensino. Em uma escola mais “puxada”, o estudante aprende bem mais, no entanto, suas notas podem não ser tão altas, porque a escola exige bastante. Em uma escola “nas coxas”, o estudante não aprende nada, mas tira notas altíssimas porque os métodos de avaliação são toscos.
Logo, como colocar esses dois estudantes numa balança e dizer quem merece uma vaga na universidade: o estudante que sabe mais, com um histórico pior; ou o estudante que sabe pouco, com um histórico bonito?
É impossível um método desse tipo, embora ele pareça ser o ideal, enquanto o ensino for tão desigual quanto é. Não só no abismo que há entre ensino público e privada, quanto nas próprias diferenças entre diversas escolas públicas (compare o CEFET com uma escola de periferia paulistana), e privada (compare Visconde de Porto Seguro com uma outra privada mais fraca).
O estudante sairia prejudicado. Com o vestibular, não estou falando que estão todos em pé de igualdade, porque não estão, e é justamente aí que devemos nos preocupar. No entanto, com o vestibular, o estudante que recebeu um base fraca tem a chance de, com o seu esforço individual, passar. Essa situação está longe do ideal, mas pelo menos não leva em conta os métodos, muitas vezes falhos, de avaliar os alunos que se aplicam nas escolas.