Refletindo sobre o que penso de Deus, concluo que sou um agnóstico tendendo ao ateísmo, simpatizante do deísmo. Vou explicar por partes:
Sou agnóstico porque a existência de Deus é indiferente a mim. Não recorro a Ele, não frequento Igreja, não rezo, não sinto necessidade de crer. Também não sofro as mágoas de ser um “descrente”. No entanto, respeito quem tem religião e não me alinho aos que pretendem extermina-la.
Gosto quando carinhosamente me dizem “fique com Deus”, porque sei que está associado a coisas boas. Reconheço a importância que a religião tem como um aspecto cultural, na história e no dia-a-dia, principalmente no âmbito pessoal (a satisfação espiritual do indivíduo). Mas sou defensor do estado laico, e a religião para por aí, sem ditar regras sociais e/ou políticas.
Tendo ao ateísmo porque não acredito no Deus bíblico, no criacionismo, no destino, no céu/inferno, nem na figura personalizada divina. Minha laicicidade me impede de ver positivas as regras que os livros sagrados impõem sobre alimentação e casamento, por exemplo.
Sou adepto da expressão “a existência precede a essência” (que configura o existencialismo) e não creio que um Deus preveja a essência do homem, do qual seríamos parte. Acredito no livre-arbítrio, na liberdade de construir sua própria identidade baseada nos seus próprios valores.

Simpatizo o deísmo porque a ideia de pensar num Deus à sua maneira, livre de juízos morais religiosos, te dá a liberdade de chamar de Deus o que você quiser. Posso ver Deus nos estímulos às pessoas que praticam boas ações, posso ver Deus na sensação de que as pessoas falecidas estão vivas dentro de nós.
Parece paradoxo ser esse misto de visões diferentes? Depende do sentido que se atribui a Deus. Como agnóstico, falo do sentimento de Deus na minha vida pessoal; como ateu, falo de Deus como a figura das crenças tradicionais; como deísta, falo da nomeação de Deus a coisas nas quais a matéria se faz ausente (embora eu mais simpatize do que seja de fato).
Deve ser por isso que me comporto, às vezes, como um agnóstico daqueles bem “tanto fez, tanto faz”, ou como um ateu do tipo “nem vem com Bíblia”. Sobre isso, não mais o que dizer. Finalizando como Cândido na obra de Voltaire, o importante é “cuidar do nosso jardim”.
Pow, nem deu tempo de comentar neste tópico você já postou outro! Vamos lá!
Interessante seus comentários a respeito. Gosto da maneira como você demonstra equilíbrio nas idéias. Você não se alinha aos que querem destruir a religião a todo custo, e isto geralmente é uma coisa que muitos novos e antigos “godless” devotam a sua vida a fazer.
Não entendi muito bem o que você quis dizer com mágoas de um descrente, entretanto. É interessante notar que uma vez que se descobre que não há “papai noel” – para usar uma analogia bem simplória – não existe porque se preocupar com a falta de presentes embaixo da árvore.
Sempre me perguntei – e é algo que me pergunto até hoje – se é mesmo útil a não existência da religião – não para os que são ateus, agnósticos, etc. – mas como um elemento de inclusão social. Este “quê” de “necessidade” cultural – entre aspas – que a religião acabou sendo durante os seus primeiros dias, desde que o primeiro neanderthal achou bom adorar a lua e até hoje para certas pessoas, que meio que junta uma sociedade, querendo ou não, como George Carlin fala, “a besteira é a cola que une a sociedade”.
Isso me dá um bom balanço para não querer, por enquanto – porque não sei se é bom – me devotar a destruir a religião a todo custo, ou porque não vejo necessidade, ou porque fico com dúvidas se a humanidade no estado atual aguenta – em nível massificado, estatístico, cultural – viver sem isto.
Se religião for como uma droga, podemos entender um pouco do que falo a respeito. É verdade que o ateísmo ainda é uma coisa para poucos.
Acho que o balanço que você demonstrou no texto é muito importante, aceitar um “vá com Deus” de uma pessoa religiosa, no mais das vezes é uma coisa inocente e bem-direcionada, e é isso que vale, no meu ponto de vista também.
Este é um tópico para várias discussões. Muito bom!
Até mais!
Oi Rafael T.M,
A sua analogia do “papai noel” tem um certo sentido. Projetando para o caso de Deus, seria algo como, a medida que não se acredita em Deus, não se vê necessidade em acreditar nos benefícios da fé.
As mágoas de um descrente é que muitos crentes afirmar que a religião ajuda muito a pessoa a sustentar e dar sentido à vida. Eu não sofro por não ver isso. Até porque minha tem um sentido, não espiritual, mas tem, que eu atribui pela força do uso, por convenção mesmo, admito! Ninguém me disse qual era o sentido da vida.
Como disse Saramago: “Quando nascemos, é como se firmássemos um pacto para toda a vida, mas pode acontecer de nos perguntarmos: quem assinou isto por mim?”.
Os outros veem a religião como algo importante. Sou contra se ela interferir no meio coletivo. Isto não quer dizer que os religiosos não possam se reunir (em igrejas, por exemplo, ou rituais). Podem, mas eles se reunem para satisfazer propósitos pessoais. A religião pode ser ótima individualmente falando, se você precisa de uma fé para se amparar.
Só não venha, de jeito nenhum, impor o que o seu livro sagrado diz, sobre ninguém, nem mesmo obrigar outro fiel a fazer tal coisa que você interpretou. Os padres fazem, de certo modo, isto. Mas se entrarmos por esse caminho, veremos que na religião o que predomina é a arbitrariedade. Por isso prefiro os deístas, por isso prefere os agnósticos, por isso prefiro os ateus.
Obrigado pelo ótimo comentário (e muito bem escrito)
Até mais!
fica com DEUS…
AMIGO
“Só não venha, de jeito nenhum, impor o que o seu livro sagrado diz, sobre ninguém, nem mesmo obrigar outro fiel a fazer tal coisa que você interpretou.”
Você não precisa se preocupar com isso comigo. Eu não tenho um livro sagrado! Mas cuidado com os outros !! rsrs
Marcelo,
Isto é uma paródia?
-//-
Rafael,
Não falei diretamente para você, rs. Foi aproveitando o contexto do que eu estava falando.
Abraços
Adriano,
sou apenas um pouco diferente de vc…sou agnostico com tendencia ao ateismo.
Um abraço,
Pecorelle
É engraçado estas gradações, “sou ateista quase agnóstico” ou algo do tipo. Rs…
Sou deísta e tenho as mesmas opiniões do que você falou nesse post, muito bom pra abrir mentes fechadas.
Gostei de suas palavras.
Muito do que mencionou é semelhante ao que penso, apesar de eu não ter nada de ateismo, apenas deismo+teismo(sem seguir qualquer religião)
É ,diga-se de passagem, é gratificante ver alguém pensar assim, sem ter respostas rispidas e costumeiras de quem não compartilha do mesmo pensamento que você.
Sem contar que achei sem querer essa página na net,enquanto procurava complementos sobre deismo…rs
Mas valeu a pena mesmo.
Concordo com a Jéssica aí em cima…estava de passagem procurando algo sobre “deísmo” e jas que encontro seu blog..o.O
Vc usa muito bem as palavras, creio eu que fez algum pacto com o bom “hermes”..rsrss
bom deixando de blá blá blá…Foi uma leitura construtiva..
É o que sempre digo, você deve pegar o que acha que lhe serve em cada teoria, e o que não serve deixa de lado.
Obrigado pelos comentários,
Daniel, concordo contigo. Não precisamos abraçar uma teoria, mas buscar nela o que mais nos identifica conosco.
Abraços,
querido amigo deista, agnóstico e ateista a diferença de ter religião, é que os ditos “crentes” não tem religião pois a religião “crente” não existe. vc sabia querido que a tal bíblia que pra vc não é sagrada não se fala sobre religião. Você sabe qual a verdadeira religião que o tal livro sagrado denominado bíblia aliás o único no mundo considerado sagrado prega? O atendimento as víuvas nas suas necessidades, o atendimento aos idosos nas suas necessidades, o atendimento aos órfãos e tantas outras coisas maravilhosas. como acreditar no que não posso ver, nunca vi o vento mas sinto o vento. o unico grupo de pessoas que realmente não tem religão são os ditos “crentes” até pq religião foi criada pelo homem comum.
achei bastante interessante o seu comentário, materialmente equilibrado. fica uma pergunta: além de ser agno, deista e ateista vc tem alguma outra tendência?
Acredito que a maioria da humanidade não tem a mente preparada para aceitar esse modo de ver e viver, mas eu o admiro.
Ósculos e amplexos!
PARABÉNS ADRIANO. ADOREI ESSE TÓPICO. COMO ATEU, EU FICO FELIZ QUE TÊM PESSOS QUE PENSAM COMO VC, DEMOCRATICAMENTE E SEM PESAR PRA UM LADO OU OUTRO, AO CONTRÁRIO DE UNS FANÁTICOS POR AÍ QUE TÊM PRECONCEITO COM QUALQUER PENSAMENTO RELIGIOSO QUE NÃO SEJA O DELE. COMO POR EXEMPLO: ALGUNS TRADICIONALISTAS FALAM: “A MINHA RELIGIÃO É CERTA E A SUA, ERRADA!”, OU “EU SOU DESSA RELIGIÃO E ESTOU SALVO E VOCÊ QUE É DE OUTRA VAI PRO INFERNO!” (SE É QUE ISSO EXISTE).
CONTINUE SEMPRE ASSIM QUE VC VAI LONGE!
Olá Rogério,
Não tenho nenhuma outra tendência quanto à religião. Mas posso dizer que, nos últimos meses (o texto foi escrito em janeiro), tenho me aproximado mais do ateísmo, por influência do existencialismo, materialismo e niilismo, correntes com as quais me identifico mais. O ateísmo parece ser mais coerente comigo, embora ache o agnosticismo bastante interessante e o deísmo até que louvável.
-//-
Obrigado pelos comentários, Pollyana e Valdiney,
Grato pela visita
Adriano, o seu blog como sempre é uma ótima fonte de inspiração.
Gostei do artigo, reforçou algumas idéias sobre religião, ainda mais porque no momento, estou lendo O Anticristo (Nietzsche).
Para mim, o ateismo também parece ser algo mais coerente e isso não é de hoje.
Abraços!
Adriano!
Vc vai adorar meu projeto de IC. HAHA!
Só alguns comentários:
(1) seu blog eh P.H.O.D.A.: ele aparece na primeira página do Google para certas buscas!
(2) “não sinto a necessidade de crer”: eh legal colocar um objeto para esse verbo crer, vc num acha? nada, nada, a Biologia eh uma profissão de fé! hehe! pegou essa?! HAHAHA!
(3) tá na hora de parar de chamar Deus de memória, de saudade, de solidariedade: já existem ótimos substantivos para as coisas em que você simpatiza Deus!
Ah, como sempre, adorei o texto. Você escreve MUITO bem.
Beijos :*
Finalmente! Tenho 12 anos e acredito em tudo o que você falou, mas com mais ênfase no deísmo. Acho que sou o mais jovem deísta pelo menos do Amazonas. Você poderia mostrar isso po pessoal da minha sala. Falei que Deus não intervinha em nossas vidas e começaram a discutir comigo, falaram pro professor, discuti com o profssor, etc. A guerra continua.
Muito legal! Encontrei em você o meu reflexo. Eu tenho 12 anos e penso igual a você! Inclusive temos a mesma religiao.
Se Deus para vc é indiferente, transijo, desde que a sua indiferença não sirva de sentimento de liberdade para ser desarrazoado e ter uma vida repleta de atitudes perniciosas para os seus semelhantes e para com vc mesmo. A religião, a fé e a moral formam a tríplice argamassa necessária para que haja paz e harmonia entre os homens civilizados. O respeito a Deus impede o homem de praticar o mal, mesmo na ausência de testemunhas, haja vista que para ele IOD (DEUS) a tudo vê.
Na sociedade americana um homem sem religião não é bem quisto e não é chamado para participar de nada, não pode ser signatário da confiança de ninguém.
Eu particularmente acredito em Deus e acredito mais,acho que Deus não precisa estar ao meu lado para interferir na minha vida, mas acredito que os seus Serviçais o façam (os Anjos) ou os espíritos de luz.
Em 30 de junho de 2009 um pistoleiro invadiu o meu local de trabalho e disparou treza tiros em minha pessoa. Acertou sete. Um deles acertou na nádega direita e saiu no plaxo solar (boca do estômago), atravessou todas as víceras, figado e baço, arrancou um testículo e quebrou o meu braço direito.
Tudo isso seria mera banalidade diante do mundo violento em que vivemos, se não fosse o fato de em março eu ter sido avisado por uma colega de trabalho que a tudo previu. Me disse que este corredor estaria vermelho de sangue até o meio do ano e a vítima seria um “cachorro grande”. Jamais pensei ser eu a vítima.
Internado no leito da Santa Casa, 11 dias depois saia um gás pela minha boca com o gosto e o cheiro da pólvora queimada que inalei (fulminato de mercúrio). Liguei para a colega para saber se a sua premonição já havia se consumado ou se ainda haveria desdobramentos (morte).
Inicialmente ela me disse que não se lembrava de ter me falado sobre o assunto, mas me daria a resposta logo depois.
No anoitecer ela ligou para me dizer que que eu estava arrotando pólvora queimada (por se tratar de assunto nojento não havia comentado com ninguém) e que o assunto já havia se encerrado.
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Fui baleado às 18:04 hs do dia 30 de junho de 2009. Às 20:00 hoas já estava sendo operado e com os intestinos de fora.
Uma mulher desconhecida entrou correndo dentro de uma Igreja Evangélica, interrompendo o culto interpelou o Pastor e disse que um irmão dela havia levado um tiro, estava sendo operado e ia morrer, pedindo oração. O Pastor e a igreja oraram e no final o Pastor disse à moça que eu não era irmão dela e não havia levado um tiro, mas sim 07; que era para ficar tranquila que Deus estava guiando os três cirurgiões e eu ia sobreviver, como de fato sobrevivi.
Todos os presentes na igreja viram essa moça entrando lá e fazendo tal pedido em estado de desepero, mas ninguém a conhece, nunca foi vista na cidade e mesmo depois de apelos pelos meios de comunicações ela apareceu.
Deixo bem claro que não evangélico e nem católico, muito menos espírita. Sou apenas espiritualista e crente em Deus.
A bala que me atravessou de trás para frente seria capaz de matar um cavalo, pistola .40 IMBEL com bala espansiva, daquelas que aumentau em 100% o diâmetro quando acerta o alvo.
Cda dia creio mais, sem querer entender os mistérios de Deus.
Vacir.
O Atentado foi notícia em todo o Estado de Minas Gerais e Leste Paulista. Está na internet em vários sítios.
Imagens: youtub “tiros na Prefeitura de Jacutinga”.