Foto histórica
8 de Junho, 1972 Trang Bang, “Vietnã do Sul”
Fotografo: Nick Ut
No dia 8 de Junho, 1972, o exército americano ordenou as forças aéreas do Vietnã do Sul atacar a vila de Trang Bang, fora de Saigon, que estava (ou era acreditado que estivesse) infiltrada por forças inimigas. O avião desceu e por engano soltou a bomba de napalm num grupo de seus próprios soldados, mulheres, e crianças, que estavam se escondendo da guerra.
Hung Cong (Nick) Ut tirou essa foto, que foi vista pela primeira vez na capa da revista Time em 1972 e ainda não perdeu seu -assustador- impacto. É claramente uma foto sobre a guerra, mas o seu efeito é sobre cidadãos, crianças.
Escapando de uma nuvem de fumaça de napalm logo atrás deles, um grupo de crianças correm pra baixo numa rua vazia, seguidos por soldados. As bocas das crianças estão abertas em gritos de dor; a figura central corre pelada em direção à camera. Olhando essa foto nós sentimos desespero completo sobre os horrores da guerra. A rua, Rota 1, continua continua para o horizonte seguindo as linhas de perspectiva enquanto as vitimas correm pra frente em nossa direção, criando um sentimento apocalíptico.
A menina pelada, que rasgou suas roupas, as quais estavam cobertas por napalm, tinha 9 anos e se chamava Kim Phuc. Sabendo a identidade da menina deu a foto ainda mais impacto. Essa imagem mostra também o poder de foto still¹, ao invés de filme. O mesmo evento também foi capturado em filme, mas não comunica o horror silencioso que nós testemunhamos aqui.
Essa imagem desperta várias questões de responsabilidade que são chave em debates ao redor de foto jornalismo. É difícil não perguntar o que o fotografo, ou os soldados, ou nós mesmos como telespectadores poderíamos ter feito para salvar essas crianças do perigo. Na realidade, Nick Ut levou a Kim Phuc para o hospital mais perto onde suas queimaduras foram tratadas. Fatos que não foram narrados diretamente pela imagem são de muitos jeitos irrelevantes.
É o horror silencioso dessa foto que está impresso nas nossas memórias pra sempre.
Tirado de: Photos that changed the world.
Para mim essa foto não é assustadora apenas pelo seu -digamos que- valor artístico, não apenas pela cara das crianças, e a estranha fumaça vindo na direção delas. Mas é ela é assustadora pois isso ainda acontece. Não do mesmo jeito, não exatamente com napalm, mas ainda acontece.
Não precisamente em guerras, não no Iraque, ou Israel, não só em Darfur, Zimbabwe ou Uganda, mas também ao redor de nós mesmos. Nas crianças que passam fome, ou que são obrigadas a trabalhar, nas que acabam entrando no tráfico de drogas, ou em gangues.
Quando vejo algo desse tipo em história, ou assisto um filme sobre nazismo, não fico horrorizada por que aquilo aconteceu em algum momento na história da humanidade, mas fico por que ainda acontece! O que é trágico não é o quão sombrio essa foto é, mas que há pouca diferença entre ela e as fotos de hoje!
Espero que todos os professores de história de fotografia, ou qualquer um que queira falar dessa foto (super famosa e importante) fale isso também. Ela tem que te emocionar pela conexão com nossas crianças.
¹ Foto still: Chamada de still, é um quadro de imagem de uma película (filme de cinema), cada segundo é formado por 24 quadros, o still é um deles. É tipo uma foto, só que de um filme.

Realmente muito triste e assustador.
Miséria é miséria, dor é dor em qualquer parte do mundo e em todas suas formas, alguma delas muitas vezes enrustidas e no qual as pessoas dão pouca importância…
Oi Bia,
Eu adoro esta foto. Aliás, gosto muito da fotografia do estilo foto-jornalismo. O foto-jornalismo consegue passar uma mensagem de uma forma muito interessante, captura a realidade e coloca num fundo artístico, mas sem perder o tom realista.
Abraços, muito bom o post.
Bjs
Creio que exista um equívoco aqui. Os EUA bombardearam uma vila de camponeses pois achavam que lá tinham ‘soldados’, como se bombardeassem uma vila na Suíça… Naplam não era fácil de ser feito, sem elementos químicos específicos, hoje abundantes, mas na época, controlados por militares e a fórmula era um segredo tão bem guardado como qualquer fórmula do projeto manhattan. Não foi o Vietnã do Sul, pois eles sequer tinham aviões…
Falar que o Vietnã combardeou uma vila de camponeses por engano é como beatificar criminosos da guerra civil espanhola, não é mesmo? É reescrever a História, passando por cima da Comunicação científica da Academia, como se passou por cima de Galileu. Recomendo a leitura de ‘Messianismo Político e legitimação religiosa na Espanha e Chile no Séc. XX.’ da Editora UFJF.