O diapasão é uma ferramenta usada essencialmente por músicos para afinar seus instrumentos. Possui uma forma semelhante a um Y e, quando estimulado corretamente, emite uma nota, comumente um Lá na freqüência de 440 Hertz (Hz). Pelo fenômeno da ressonância, objetos vibrantes fazem outros vibrarem também se suas freqüências intrínsecas forem alcançadas. Dentro de nós existe um diapasão mental, que vibra quando bem estimulado.

Livros clássicos, aqueles tidos como obrigatórios, às vezes são apresentados como os estimuladores de diapasões, talvez porque na época em que foram lançadas fizeram vibrar muitos diapasões, mas hoje em dia sirvam mais como referência de literatura pretérita de qualidade. Ou não. Os clássicos devem mesmo nos agradar?
A mentalidade geral muda. Nosso diapasão é construído conforme o meio em que vivemos, contatos que temos, conhecimentos que adquirimos. Quando lemos um clássico, nosso diapasão pode não se estimular como outrora. Textos revolucionários de ontem viraram panfletos publicitários. Estilos de escrita inovadores caíram em manuais de redação. Obras artísticas impecáveis dividem espaço com outras tantas em museus.
Ao mesmo tempo em que se retira o ar de novidade, a crista da onda que estimularia diapasões, nivela-se por cima o que sabemos. Deixa de ser algo inusitado e vira um conhecimento basal. Eleva nosso patamar.
Tudo deve ser visto sob pelo menos dois contextos: o contexto temporal, da época em que o clássico foi concebido, e o contexto atemporal, que se generaliza aos princípios básicos que guiam cada um de nós. E esta dupla visão não se aplica só a clássicos, mas a qualquer acontecimento, histórico ou não. Exemplo:
Os argumentos de Hitler eram baseados no contexto temporal da humilhação alemã pelo Tratado de Versalhes no período entre guerras, no entanto, sob o prisma do contexto atemporal, é impossível apoiar tais atrocidades uma vez que se é contra homicídios e, sobretudo, genocídios.
Às vezes deve-se pesar qual dos dois contextos vibra mais o diapasão mental, quando não são os dois, ou nenhum. Isto não desculpa aqueles que não gostam de nada, porque a negação de conhecimentos não significa necessariamente uma visão crítica, e sim uma ausência de bagagem para permitir a vibração.
Logo, quanto mais sabemos, mais podemos vibrar nosso diapasão. Mais também podemos torná-lo um instrumento preciso, que analisa com rigor as informações que nos chegam. Assim, clássicos podem não representar o tipo de vibração que gostamos, mas fornecem (como todo subsídio cultural) parâmetros para julgar novas ondas vibrantes.
Deriva-se daí a necessidade de se manter aberto a novas vibrações, de qualquer tipo, de qualquer lado, pelo menos para saber o que não se gosta e, portanto, delinear melhor o que se gosta, abrindo a possibilidade de criar suas próprias vibrações e vibrar novos diapasões mentais.
Interessante.. Me fez lembrar de uma aula de teoria literária onde discutíamos os clássicos. A fonte foi “Porque ler os clássicos” de Ítalo Calvino..
Gostei do blog.. vou deixar em meus favoritos.
Segue meu: http://cartasaoavesso.blogspot.com
Saudações
Beatriz
Oi Beatriz,
Obrigado por nos adicionar ao favoritos. Vou procurar a sugestão do Ítalo Calvino. E visitarei seu blog.
Abraços
naum ajudou em nada!!!
by:vai kêm ké
Grato, Fernanda,
Meu objetivo não era vibrar diapasões inflexíveis…