A Dança da Vida, que Munch pintou em 1990, é situada numa noite iluminada de verão junto com a praia de Aasgaardstrand em Oslo Fjord. Iluminada pela lua cheia, casais se engajam numa dança energética. O reflexo “fálico” da luz da lua na água dá a cena um ar sensual. No centro da pintura, um homem com um terno escuro e uma mulher num vestido vermelho estão mergulhados um no outro. Os dois estão na aurora das suas vidas. O vestido da mulher se enrola nas pernas dele, alguns dos fios do seu cabelo vai à direção dele. Seus olhos estão fechados; os dois parecem estar totalmente absorvidos e desatentos aos outros. No lado esquerdo está uma jovem garota num vestido branco e um sorriso na sua cara entra na cena. Sua mão se aproxima de uma flor na sua frente. No lado oposto, uma mulher idosa está de pé em um vestido preto. Ela observa a dança do casal do centro com uma expressão amarga, suas mãos estão dobradas como se estivesse retirada/deixada.
Além do uso da cor, Munch aprofunda a diferença das três mulheres com um uso diferente de linha que as contorna. A garota adolescente no lado esquerdo está coberta com pinceladas sensíveis e vibrantes. Uma linha “empacotada, digestiva” enrola a mulher central “com seu apetite evidente pra vida” (Edvard Munch). Contrastando isso, a mulher da direita, que aparenta ter se retirado da dança da vida, é delineada com linhas rígidas e angulares.
A Dança da Vida pertence a uma série chamada o Friso da Vida. Esse friso foi feito com a intenção de ser uma série de pinturas adjacentes e livres, que dariam uma visão clara da vida e da situação do homem moderno. Munch escreveu: “Através deles os ventos curvando a costa marítima, e além do mar, ainda em baixo das árvores, vida, com toda sua complexidade da dor e alegria, continua”. Os três maiores temas do Friso da Vida, amor, ansiedade e morte, estão claramente expressados na Dança da Vida. Logo, essa pintura pode ser vista como a peça central na série.
Esse quadro pode ser interpretado de vários pontos de vista e vários níveis. A transição das mulheres da adolescência, maturidade sexual, e velhice nos levam a crer que a pintura lida com o eterno ciclo da vida. Nessa “noite de verão iluminada”, Munch escreve, “vida e morte, dia e noite vão de mãos dadas”. Certamente, morte é o nascimento da vida, e Much percebe isso.
Dança da Vida é também sobre a própria mulher, ou o “mistério feminino”, como diria o Munch. Também pode ser vista como o “ciclo do amor”. Munch achava que o amor começava com os flertes, de uma maneira puros, inocentes e belos, depois para o amor físico e carnal, mais maduro, que é representado pelo casal do meio, e por fim os “ciúmes e rejeição” (palavras do Munch). Assim o quadro também representa o amor, a moça do lado esquerdo representando o começo do relacionamento, o casal do meio o amor físico, e do lado direito à rejeição ou simplesmente o fim do relacionamento. Munch foi rejeitado pelo seu primeiro amor, e rejeitou no seu segundo relacionamento.
Dessa maneira, o quadro ainda tem outro nível. O homem do meio, de preto, é o próprio Munch, dançando com seu amor antigo, a mulher da esquerda é a Tulla Larsen, que está esperando pelo seu amor, e do lado direito ela sendo rejeitada. A descrição do Munch suporta essa interpretação:
“Eu estou dançando com meu amor verdadeiro – uma memória dela. Uma mulher loira sorridente entra e deseja tomar sua flor do amor – mas não irá deixar ser tomada. E do outro lado pode ser visto ela vestida de preto, perturbada pelo casal dançando – rejeitada – como eu fui rejeitado da dança dela [da mulher de vestido vermelho]“
Como o Munch foi rejeitado pelo seu primeiro amor, Tulla Larsen é agora rejeitada pelo Munch. Os dois, pintados de preto e virados um ao outro, se encontram como parceiros no sofrimento.
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