Dois filmes retratam muito bem o poder de retórica das empresas ao se utilizar de argumentos falaciosos para mostrar que seu produto é bom apesar de ser reconhecido como maléfico.
O primeiro é “Obrigado por Fumar” (Jason Reiman – 2006) no qual Nick Naylor, porta-voz das indústrias de cigarro, vai a público com freqüência confundir a cabeça dos consumidores argumentando que fumar não é ruim como dizem. O pior é que ele consegue apoio de todos, inclusive de um jovem vítima de câncer de pulmão por causa do tabagismo.

É interessante notar a cena no qual Naylor e seu filho debatem qual sorvete é melhor, e neste momento é possível ver por dentro qual a estratégia do lobista: ele não tenta te convencer que está certo, mas simplesmente mostra que você está errado ao tentar convencê-lo que somente você está certo. Entendeu?
Outro filme um pouco mais indireto é “Nação Fast-Food” (Richard Linklater – 2006). Neste, o publicitário Don Anderson vai atrás da origem da carne que compõe o lanche Big One, o principal em vendas e símbolo da rede de fast-food Mickey’s, análoga ao McDonalds e Burguer King.

Em sua viagem, é possível ver que as fábricas sustentam imigrantes ilegais, tratam a carne em má condições sanitárias, além do notório descaso dos vendedores, supervisores e acidentes de trabalho recorrentes, com manipulação dos resultados dos exames médicos de modo a culpar a própria vítima pelo seu acidente. Tudo isto se contrasta com a campanha publicitária do Big One.
Neste dois filmes, é chamada atenção sobre o jogo falso das empresas. Objetivando o lucro, estas se envolvem em redes de corrupção, não só econômica como também moral. Isso é comum, é por isso que no que menos podemos confiar nas empresas é a publicidade, porque é a sua imagem que está em jogo, sempre atrelada a valores positivos.
Quem trabalha no interior da empresa sabe bem disso. Muitas vezes funcionários trabalham em condições deploráveis ou, em outros casos, são obrigados a conviver num ambiente de puxa-saquismo, falsidade, meritocracia de mentira. Ainda há aquelas que aparentam estar em plena prosperidade mas estão envolvidas em complexos problemas sócio-ambientais.
Isto explica porque o marketing é chamado de “alma do negócio”. A meta é nos fazer de otários. O produto é o mesmo. A propaganda é uma mentira inventada para fazer um produto parecer maior do que é. Isto tudo é denunciado nestes filmes e em outros como “Clube da Luta” e “Tiros em Columbine”. Somos, para as empresas, clientes otários. Somos os reis, e o produtos delas, a nossa coroa.