O experimento de Asch
O quão influenciável são os grupos de pessoas nas nossas vidas? Para responder isso, vamos olhar primeiro para conformidade no sentido de ir junto com seus colegas. Eles não tem nenhuma autoridade sobre nós, apenas a influência que nós os permitimos ter.
Imagine que você está tendo um curso sobre psicologia social com Dr. Solomon Asch e você concordou a participar num experimento. Quando você entra o laboratório, você vê sete cadeiras, cinco delas já com alunos. Você é dado a sexta. Logo a sétima pessoa chega. Dr. Asch fica na frente da sala perto de uma lousa coberta. Ele explica que ele vai primeiro mostrar um cartão grande com uma linha vertical nela, depois outro cartão com três linhas verticais. Cada um dos alunos deve falar pra ele qual das linhas é idêntica com a linha do primeiro cartão.
Dr. Asch então mostra o primeiro cartão com uma só linha e depois compara com o cartão com três linhas. A resposta correta é fácil, pois duas linhas são obviamente erradas, e uma é exatamente correta. Cada pessoa, em ordem, diz a sua resposta em voz alta. Todos respondem corretamente. A segunda tentativa é tão fácil o quanto, e você começa a se perguntar qual é o objetivo de estar lá. Daí na terceira vez alguma coisa inesperada acontece. Igual a antes as linhas são fáceis de descobrir. O primeiro aluno, porém, da a resposta errada. O segundo da a mesma resposta incorreta, o terceiro e o quarto também. Nesse momento você começa a se perguntar o que está errado. Como a pessoa ao seu lado irá responder? Você mal pode acreditar quando ela, também, da a mesma resposta errada. No seu turno você da a resposta que você acha que é certa. Daí a sétima pessoa também da a mesma resposta errada.
Na próxima vez a mesma coisa acontece. Você sabe que a escolha das outra seis é errada, mesmo assim eles dão o que é pra você respostas obviamente incorretas. Você não sabe o que pensar. Por que eles não estão vendo as coisas do mesmo jeito que você está? Às vezes eles o fazem, mas em 12 tentativas não. Algo está errado, e você já não tem certeza do que fazer.
Quando o décimo oitavo cartão termina você se alivia. O experimento finalmente acabou, e você está pronto pra sair da sala. Dr. Asch vai até você com um grande sorriso na cara, te agradece por participar do experimento, e depois te explica que você era o único objeto de estudo real no experimento! “Os outros seis são cúmplices! Eu os paguei para dar essas resposta.” Agora você sente um alívio, seus olhos não estavam te enganando.
Quais foram os resultados? Asch (1952) testou 50 pessoas. Mais ou menos 33% se juntaram ao grupo metade do tempo e deu resposta que eles sabiam que eram erradas. Outros 40% também deram respostas erradas, mas não com a mesma frequência. E 25% continuaram com o que eles achavam que era certo. Eu não sei como eu faria nesse teste (se eu não soubesse nada antes), mas eu gosto de pensar que eu seria parte dos 25%. Você provavelmente se sente do mesmo jeito. Mas por que nós não sentimos que somos que nem a maioria?
Os resultados são assustadores. Na nossa “terra de individualidade” o grupo é tão poderoso que a maioria das pessoas escolhem dizer coisas que elas sabem que não é compatível com a realidade. E isso foi apenas com um grupo de estranhos! O quanto mais nós podemos esperar que um grupo force conformidade quando ele consiste de amigos, pessoas que nós admiramos e que dependemos no dia-a-dia?

Isso é só um experimento básico, simples comparado ao tipo de conformismo que existe. Para a criança que assiste T.V com a família e vê mulheres semi-nuas rebolando, que sai e vê propagandas de carros, de maquiagem, de roupas caras, que conversa com os colegas sobre o novo celular, a nova calça, que vê todos dançando músicas degradantes e meninas se humilhando sem ao menos saber, ela não apenas irá se conformar, mas é capaz de enxergar a linha B como a correta, isso é, de ter uma visão completamente distorcida da realidade.
Que analogia intrigante, hein Bia,
O estudo de Asch é muito interessante. Aliás, todos os experimentos que mostram nossas tendências inconscientes são muito legais. Neste exemplo, fiquei surpreso com a quantidade de pessoas que trocaram sua resposta por uma resposta sabidamente errada. Apenas 25% manteve a mesma? Isto será mesmo personalidade ou será apenas uma persistência?
Obrigado pelo post, acrescentou bastante.
[...] problema do conformismo de hoje é o mesmo do conformismo da época da inquisição ou da caça as bruxas. Não mudamos. Se [...]
Oi Bia, que legal achar um texto falando sobre esse experimento do Asch!
Também mencionei esse estudo num dos meus textos: http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/2009/01/iconoclast-do-que-voce-tem-medo.html
Espero que você goste! Atenciosamente, Rodolfo.