Ao entrar no Blog Internacional deparei-me com um vídeo muito bom do Chico Anysio interpretando um poema de sua autoria chamado Mundo Moderno. Parece que esta cena foi retomada por um especial de 18 anos de Jô Soares na Rede Globo. Veja que só que poema criativo:
Mundo Moderno
Chico Anysio
Mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutaias, majestoso manicômio. Meu monólogo mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres, miscigenação, morticínio – maior maldade mundial.
Madrugada, matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna. Monta matungo malhado munindo machado, martelo, mochila murcha, margeia mata maior. Manhãzinha, move moinho, moendo macaxeira, mandioca. Meio-dia mata marreco, manjar melhorzinho. Meia-noite, mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento maravilha, motivação mútua, mas monocórdia mesmice. Muitos migram, macilentos, maltrapilhos. Morarão modestamente, malocas metropolitanas, mocambos miseráveis. Menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo. Metade morre.
Mundo maligno, misturando mendigos maltratados, menores metralhados, militares mandões, meretrizes, maratonas, mocinhas, meras meninas, mariposas mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas. Mundo medíocre. Milionários montam mansões magníficas: melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, Mercedes, motorista, mãos… Magnatas manobrando milhões, mas maioria morre minguando. Moradia meia-água, menos, marquise.
Mundo maluco, máquina mortífera. Mundo moderno, melhore. Melhore mais, melhore muito, melhore mesmo. Merecemos. Maldito mundo moderno, mundinho merda.
Acho que nem há o que acrescentar. O fato de todas as palavras começarem com a letra ‘ m ‘ dá um charme e deixa o poema muito mais atraente. A interpretação de Chico Anysio serviu bastante para preencher a lacuna que há pela ausência de preposições, artigos, pronomes; a poesia é composta praticamente de substantivo, adjetivo e verbos. Ainda por fim, ele termina o show imitando Louis Armstrong em “What a Wonderful World” que por si só já foi um show à parte. Espero que tenham gostado.
Caro Adriano Senkevics:
Este post ficou espetacular! E, com a sua devida licença, vou copYá-lo inteirinho no meu blog. Prometo-lhe todos os créditos internéticos.
Abraços, Norival.
Lembrando que o texto não é do Chico, e sim de Silvio Amarante, aqui de Fortaleza.
mentira seu idiota e do chico sim!!!!!!!!!!!!!!!!!! bobão
Dope,
Eu juro que não sabia que o texto era de Silvio Amarante, já havia assumido que era do Chico Anysio. Obrigado por me falar!
Até mais
São Paulo, 08 de janeiro de 2008.
Primeiramente, obrigado por vocês colocarem o maior humorista, comediante do mundo chamado Francisco Anysio.
Sou seu maior fã. Assisti quase todos os seus shows.
Agora ele declamando as palavras em “M” é antológico. É fora de série. Muito bacana. Só coisa de gênio mesmo.
Mas gostaria de colocar um texto que publiquei no site do http://www.blog.helioribeiro.com.br chamado 12 HORAS onde eu falo do maior mestre do rádio brasileiro chamado Hélio Ribeiro e que o Chico Anysio era um fã.
Então lá vai o meu texto.
Em 1995 no primeiro programa da Rádio Globo de São Paulo – dia 02 de janeiro de 1995 – Chico Anysio disse:
“Alô Hélio, Chico Anysio. Eu fico muito feliz com a sua volta. Você estava fazendo falta. O rádio brasileiro sem você tem uma lacuna, tem um buraco aberto e que ninguém consegue preencher. Você é o melhor homem de rádio que existe. Você é o melhor homem de rádio que eu já conheci. Você é um dos meus ídolos. Você é uma pessoa que eu tenho um carinho muito grande. Uma admiração especial. A sua volta ao rádio através da Rádio Globo de São Paulo completa o rádio brasileiro. Eu nunca entendi você se afastar daqui. Você faz muita falta e a sua volta para mim é uma grande alegria. Eu lamento demais eu não estar morando em São Paulo atualmente para ser seu ouvinte diário como eu era nos tempos em que morava aí.
Muito obrigado por você ter voltado. Eu agradeço em nome de todos os ouvintes paulistas e brasileiros e em nome de todos que gostam de rádio que tenho certeza que a sua volta é motivo de grande comemoração pelas pessoas que como eu acho o rádio o meio de comunicação mais perfeito que há.
Obrigado Hélio e parabéns”.
CHICO ANYSIO SE RENDE A HÉLIO RIBEIRO
Chico Anysio o maior comediante, o maior gênio do humor da TV brasileira, também se rendeu ao talento de Hélio Ribeiro. E num de seus livros do ano de 1991 “SOU FRANCISCO” – 2a. edição – da Editora Rocco na página 173, traz um depoimento de Chico Anysio sobre Hélio Ribeiro na qual transcrevo na íntegra:
“— Acertei. O Bexiga
Foi por causa do Bexiga que recebi um dia uma homenagem no bairro da Bela Vista. Foi das coisas mais emocionantes que aconteceram comigo. O bairro do Bexiga encheu-se de faixas, foi interditado ao tráfego depois das dez da noite e, após a sessão do meu show no Teatro Aquarius (hoje Zaccaro) saí, com a escola de samba Vai-Vai à frente, num cortejo pela rua Conselheiro Carrão atá a sede do Lusitânia, onde uma mesa de frios me aguardava. Deram-me um troféu. Dos 112 que ganhei ao longo da vida, este é o que guardo com maior carinho. Sentado à mesa, ao meu lado, um velho sapateiro do Bexiga que há quatorze anos não saía de casa.
— Saí para te conhecer, viu?
Ele falou com a voz do Bexiga. A voz do Bexiga era igual à dele. Comprovei que o Bexiga existia naquela noite inesquecível.
— Chico — disse-me o Arnaud Rodrigues —, bolei um tipo que vai dar o maior pé: o locutor da rádio de Chico City.
Só não gostei do nome (que nem me lembro qual era) e o rebatizei de Roberval Taylor. Partindo do princípio de que todo locutor do interior tem um ídolo na cidade grande, imaginei que o êmulo do Roberval seria o Hélio Ribeiro, um dos maiores homens de rádio que conheci e que fazia, na Rádio Bandeirantes, um programa diário chamado O Poder da Mensagem. Pus a voz do Hélio Ribeiro no Roberval. Eu só conhecia o Hélio de voz. Nunca o tinha visto pessoalmente. A Dilma (minha maquiadora) trouxe três perucas e escolhi uma delas.Adicionei um bigodinho e fiz o personagem ’sem pescoço’, colocando o colarinho abotoado acima do pomo-de-adão. O cabelo que eu escolhi era igual ao do Hélio e ele odiou a brincadeira. Não entendeu que aquilo era, antes, uma homenagem. Andou me telefonando, reclamou muito. Fiz ver a ele que minha intenção era exatamente o oposto. Aos poucos ele foi se acomodando, passou a aceitar. Gavei uma versão de All by myself, com o nome de Tudo eu, traduzindo a letra, como o Hélio Ribeiro costumava fazer no seu programa. Então fui ao programa dele. Os corredores da Bandeirantes encheram-se de gente. Fizemos o programa juntos, eu o imitando e ele ’se imitando’. Ficamos muito amigos desse dia em diante.
Num próximo livro conto tudo de todos. Creio que você pode achar interessante saber tudo da vida deles. Uma noticiazinha da vida ‘dos outros’ ninguém despreza”.
Como eu gosto muito do Chico Anysio, neste livro “SOU FRANCISCO” tem uma passagem muito interessante que acho que seria muito bom também transcrever para todos e na íntegra:
“Nada mais me aborrece. Não. Há dois anos eu tive um infarto e desse infarto pra cá minha vida mudou. Não me aborreço com qualquer coisinha. Depois que a gente põe um pé do lado de lá, tudo do lado de cá diminui de importância. Aprendi a conviver com a chatice. Não desejo a ninguém o desconforto de um infarto do miocárdio mas gostaria muito que todos passassem a ver a vida como se passa a ver depois de um. A gente tem que mudar. Eu mudei. Estamos a nove passos de um novo século, já praticamente pisando noutra realidade e não adianta querer tapar a realidade com a peneira. A gente tem que mudar. O medo de morrer que eu tinha acabou. Daqui a cinqüenta ou sessenta anos, quando eu sentir que está chegando a hora…
Isto é um trecho do final do meu show. Diálogo. Ele diz bem o que passei a sentir, como a vida se modificou para mim, depois do infarto. Hoje já não me irrito com críticas injustas ou brincadeiras sem graça; já não sou tão exigente quanto era nem faço do perfeccionismo uma exigência absoluta. Nada disso vale a pena. A vida é linda demais e demasiadamente curta para que a tornemos insuportável. Trato a todos com a mesma atenção, sejam amigos ou maldizentes. Pinto meus quadros pela manhã, gravo meus programas à tarde, faço meus shows à noite e amo o quanto posso. Julgo ter ainda 25 anos de vida útil. Dr. Roberto Marinho me prova que isto é possível, com a lucidez com que dirige suas empresas aos 86 anos e por muitos outros as dirigirá. Tenho cinco filhos saudáveis, meus amigos e cheios de talento, e espero muito dos três netos que já tenho e dos que ainda me serão dados. Estou vivendo uma fase de graça. Evio dar entrevistas, porque nunca publicam exatamente o que eu digo, mas o que preferem. Tento fugir de aborrecimentos e caminho cinco quilômetros pela manhã. Poderia ser mais assíduo nas minhas caminhadas mas agora tenho uma esteira que o Boni me deu de presente e que substitui o desprazer de andar sozinho aqueles cinco quilômetros. Coloco a esteira em frente à TV e caminho. É mais agradável. Estou amando. Amando muito. À vida e a uma mulher excepcional, maior do que eu, apesar de menorzinha. Além disso continuo criando. Penso lançar um programa novo este ano: eu e jovens comediantes. Talvez até já esteja no ar. Talvez tenha ficado para o ano que vem. Fora isso sou o que sou: palmeirense, vascaíno, ariano, cearense, maranguapense, tímido, razoável pintor, bom ator, mau perdedor, humorista, poeta, letrista, contista, romancista, bom contador de histórias, bom filho, bom pai, irmão regular, bom sujeito, cardíaco, trabalhador, ótimo profissional, bom amig, telespectador assíduo, amante de todos os esportes, comentarista, reconhecido aos muitos que me ajudaram, sem rancor, melhor ex-marido do que marido, enfim… sou Francisco”.
O ENCONTRO COM CHICO ANYSIO
Em agosto do ano de 2005, Chico Anysio estava fazendo um show semanal na casa de espetáculo “Espaço Picadeiro – CIRCUS Club” em São Paulo e eu fui assistir. E antes do show ele conversa com várias pessoas, dá entrevista, autógrafos e coisas mais. Aí pensei. Vou trazer uma foto para o Chico. Na outra semana estava lá eu de novo. Então eu pedi para o filho do Chico Anysio André Lucas que queria dar uma foto para ele. O filho falou deixa eu ver esta foto. É meu pai como está magrinho e quem está com ele? Eu disse: o Hélio Ribeiro. Ele disse: Meu pai gosta muito dele. Não é aquele da voz e imitou o Roberval Taylor. Depois que o Chico Anysio ficou um pouco livre o filho falou: “Pai este moço quer falar com você” e não me identificou. Sem saber de nada eu entreguei a foto ao Chico Anysio e ele disse: “Esta foto… eu e o Hélio Ribeiro nos estúdios da Rádio Bandeirantes. Sabe quem? Sabe quem? Este prorama é ouvido… Moço talentoso, sempre que podia eu o ouvia. É uma pena que tenha ido embora muito cedo. O rádio deve muito a ele”. Agradeceu, guardou no bolso do paletó debaixo do coração e disse: “Você não tem nada dele aí gravado para mim ouvir?” Prometi que levaria na próxima semana e só aí eu me identifiquei que era do Memorial Hélio Ribeiro. E na outra semana estava eu lá outra vez. Levei o CD número 1 para ele e ele me deu um livro de presente – “Jesuino, o Profeta” – autografado, mas não sabia que eu já tinha lido. Ele prometeu que daria um depoimento para o Memorial. Uma pena eu não ter ido lá pela quarta vez pegar o depoimento. Vai ficar para o próximo show que ele fizer em São Paulo. Estamos aguardando. E pode ter certeza: não dá para enjoar assistindo o mesmo show de Chico Anysio pela terceira vez. É igual ouvir Hélio Ribeiro todo dia. E eu ouço todo dia. Não dá para não gostar.
Obrigado a todos.
e meu e-mail é: celsocasemiro@yahoo.com.br
gostaria de saber se vc tem o poema do chico anysio que fala que deveriamos nascer velhos e envelhecer depois.
É lindo e ha anos procure por ele.
obrigada
Pois é, Adriano, como diria um velho roqueiro, “até as pedras se reencontram”…
Não, não se espante, você realmente não me conhece e até, talvez, tenha ouvido falar de um homônimo meu, mais famoso, cujo primeiro nome se escreve até com dois “L” (noblesse oblige), porém de muita simplicidade e simpatia.
Estou me referindo a um baita ser humano, que odeia dirigir qualquer tipo de veículo, é casado com outra excelente pessoa (a Regina), uma flha lindíssima, e uma paixão eterna pela fantasia e pela arte: o meu amigo (espero que eu ainda tenha o direito de chamá-lo assim) e irmão Sílvio Amarante.
O Sílvio é uma das figuras humanas mais incríveis que já conheci, tanto pelo lado intelectual (imenso), como pelo lado humanístico pleno de respeito e amizade pelos seus amigos e conhecidos. Partilhamos da mesma paixão pelos comics, antigos principalmente, e durante algum tempo frequentei a sua coleção, onde me entregava ao mundo dos super-heróis e dos sonhos. Sempre um amigo da mais fina estirpe.
Estou morando hoje em Florianópolis, Santa Catarina, já fazem onze anos (antes morei em Joinville), e desejo enviar um imenso abraço ao Sílvio Amarante e sua família, aí em Fortaleza. Muita paz e saúde pra todos vocês!
Marcelo
Gostei demais. Parabéns.
Obs – No terceiro paragrafo a palavra não é MARATONAS e sim, MARAFONAS que significa: prostitutas ou mulheres falsas.
Um Abraço.
MUNDO MODERNO
(João Correia)
Gravação de Manhoso/1975
Nosso mundo moderno
Virou um inferno
E eu tenho razão
É troca de olho
É troca de rim
E até coração
É só mentiroso
Dizendo que viu
Disco voador
E a juventude
Está na vanguarda
Causando pavor
Tem homem de saia
Tem ripe na praia
De todo tamanho
Eu só falo a verdade
Na realidade
Eles não tomam banho
Os “ladrões” vão ao banco
Prende os funcionários
E levam milhões…
Logo após o gerente
Diz que a polícia
Procura os “ladrões”
Eles prendem o sujeito
É só reportagem
Em todos jornais
Ele vem na revista
Parece um artista
De grande cartaz
Tem tanga na rua
E mulher toda nua
Na televisão
Que sorrindo prá todos
Dizendo que a arte
É a sua razão
YouTube: Mundo Moderno/Manhoso
http://www.historiadojoaocorreia.arteblog.com.br
Parabéns Manhoso! Desde criança eu já conhecia esta música aqui na Bahia…
Chico, maravilhoso!!
Maravilhoso mesmo. Mente magnífica, merecedora.
chico adoro seus textos sao muitos criativos eo do mundo moderno tem ate na apostila vc e muito engraçado beijooooooo espero que vcc leia
[...] Mundo Moderno – Chico Anysio março, 200811 comentários [...]
Maravilhoso mesmo. Mente magnífica, merecedora.
Flávia
A Autoria do texto deveria ser corrigida… pois mesmo que já comentando aqui, muitos leem sem passar pelos comentários.
O que poderia dizer ?… Maravilhoso!
Para ficar completo so falto as curiosidades literarias, que são muitas!!!