Continuando com a seção de interpretações de letras do Chico Buarque, agora me arriscarei a fazer uma leitura da canção “Atrás Da Porta”, composta em 1972, uma belíssima canção sentimental com reviravoltas e grande criatividade, tanto no tratamento do emocional quanto no manuseio da gramática. Fiquem, primeiramente, com um vídeo desta música na famosa interpretação de Elis Regina:
Atrás Da Porta
Chico Buarque
Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus
Juro que não acreditei
Eu te estranhei
Me debrucei
Sobre teu corpo e duvidei
E me arrastei e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
Nos teus pêlos
Teu pijama
Nos teus pés
Ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho
Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome, te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que inda sou tua
Só pra provar que inda sou tua…
Antes de mais nada, apenas um esclarecimento: a letra acima se baseia na versão original, com a expressão “Nos teus pêlos”. Na época, a censura implicou com “pêlos”, que foi substituído por “peito”. Neste vídeo da Elis Regina, ela canta “pêlos”, mas em outras gravações nota-se que canta “peito”.
A música, narrada por um eu-feminino, compõe um cenário de separação, numa espécie paradoxal de amor e ódio, paixão e vingança. O título da canção, “Atrás da Porta”, já evidencia uma separação, com a porta servindo com barreira entre os dois lados. Além disso, mesmo que de modo discreto, tende-se a pensar que a parte de trás de uma porta é o lado de dentro de um ambiente, como se estivesse alguém ali, escondido, observando o mundo que está do lado de fora.
Os primeiros versos: “Quando olhaste bem nos olhos meus / E o teu olhar era de adeus” já indicam uma grande intimidade entre os interlocutores. Não foi necessária nenhuma palavra, senão apenas o olhar, para ficar subentendida a mensagem de partida. O eu-lírico, ao observar o olhar do amante, conseguiu decifra-lo como um adeus; trocando em miúdos, a letra já começa com versos fortes, de grande significância.
Em “Juro que não acreditei / Eu te estranhei / Me debrucei / Sobre o teu corpo e duvidei”, a assonância causada pela terminação ‘ei’ reforça a idéia de pretérito perfeito. São ações que vão se sobrepondo no contexto. Primeiro, a moça não acredita, depois estranha, se debruça e duvida; a prova da grande intimidade está justamente no fato de não entender a despedida de seu amante, que se complementa pela íntima aproximação dos dois ao debruçar sobre o corpo do outro. A assonância permanece nos dois próximos versos.
Chico explora vários recursos em “E me arrastei e te arranhei / E me agarrei nos teus cabelos”. A repetição da consoante ‘r’, em aliteração, reforça uma sonoridade rasgante, um rebaixamento de dignidade para humilhação. Aqui, inicia-se um tom animalesco à música, que segue pelos próximos versos e realça a noção de amor como instinto selvagem. Arrastar, arranhar, agarrar no corpo do outro, lembram uma cena de briga entre animais.
A idéia é reforçada por “Nos teus pêlos / Teu pijama / Nos teus pés / Ao pé da cama”, versos estes que indicam uma série de atitudes impulsivas, com a reiteração da consoante ‘p’, produzindo uma sonoridade exata, definida. Nós, humanos, não temos pêlos suficientes para que alguém se agarre, porém, na canção, a visão selvagem dá destaque a esta ação. O jogo entre o pé do amante, real, e o pé da cama, uma figura de linguagem chamada catacrese, é muito comum na obra de Chico Buarque e cria uma continuidade interessante à letra.
Um dos versos mais interessantes é “Sem carinho, sem coberta”. Há uma quebra de paralelismo ao colocar a ausência de carinho, uma palavra que assume sentido abstrato, junto com ausência de coberta, um objeto concreto. De qualquer modo, ambas iniciam-se com a consoante ‘c’, uma letra graficamente semifechada que indica cobertura, conjunto.
A primeira estrofe termina com “No tapete atrás da porta / Reclamei baixinho”. O tapete atrás da porta destaca a submissão, pois tapete é um objeto geralmente sujo, próximo ao chão, usado para limpar os pés, ainda mais atrás da porta, como interpretado anteriormente. A inexpressividade da moça reafirma-se no ato de reclamar num tom de voz baixo, ou seja, querendo pôr para fora seus anseios, mas, no final das contas, guardando para si mesma; ainda que expressos, não atingem o receptor, o que se reforça pelo diminutivo do advérbio ‘baixo’.
Uma reviravolta acontece na segunda estrofe: “Dei pra maldizer o nosso lar / Pra sujar teu nome, te humilhar / E me vingar a qualquer preço”. Estes versos rompem com a submissão e mostram uma vingança inevitável, tendo como pano de fundo, logo, a selvageria.
A ambigüidade da canção fica a cargo de “Te adorando pelo avesso” que cria uma imagem confusa de amor. Adorar ao avesso pode ser justamente não adorar, como pode ser adorar mesmo com a negação do romance, um tipo de amor não correspondido, ou até humilhado, repudiado. Todavia, o avesso pode não estar associado ao verbo adorar, e sim ao pronome ‘te’, o que geraria uma imagem de adorar a pessoa ao contrário, ou seja, pelo seu lado negativo, pelos defeitos ao invés das qualidades, ou então de dentro para fora.
A letra finaliza com “Pra mostrar que inda sou tua / Só pra provar que inda sou tua…”, ótimo desfecho; Chico, em vez de escrever ‘ainda’, escreveu ‘inda’, para mostrar sua intimidade com a língua portuguesa, permitindo que ocorram desvios em prol da sonoridade natural das palavras em certos momentos. É uma contradição pensar em se vingar, em humilhar e sujar o nome do outro com apenas um objetivo: provar seu amor. Não poderia haver um fim melhor para uma música tão recheada de reviravoltas, metáforas implícitas e paradoxos constantemente marcados por versos fortes, intensos, cheios de significado.
Uma obra que, com certeza, figura entre as melhores de Chico, pela sua gigantesca apelação poética e gramatical, rica de conotações, ambigüidades, antíteses: típico deste autor de grande nome da Música Popular Brasileira.
Adorei ! Adorei adorei adorei ! Muito bom o que você escreveu Adri, nossa…Você é muito inteligente ^^
Ótimo mesmo !
E o vídeo é muito bom também.
Post maravilhoso
Obrigado Bia,
Vou tentar fazer isto mais vezes, com outras músicas e futuramente com mais compositores.
Para fazer estas análises, me inspirei no jeito que você analisou um quadro que tinha o Lênin. Você, quadro por quadro, interpretou a pintura. Eu adaptei para a letra, verso por verso.
Beijos
gostaria de ver tambem uma analise da musica trocando em miudos
Oi Fernanda,
Fica aí a sugestão! Eu preciso ouvir melhor esta música porque conheço pouco. Há também um ‘porém’: estou dando prioridade a músicas que possuam vídeos publicados no YouTube, para poder ilustrar aquilo que falo. Se não ouver esta música no YouTube, eu prefiro fazer análises de outras e, assim que alguém publicar, eu faço desta música. Ok?
Sensacional! E sabe o que é ainda melhor? É que a própria letra se faz entender mesmo sem ninguém para explicar. Tenho certeza que os grandes fãs do Chico, como eu, já viam tudo isso na letra, mas muitos (assim como eu) não conseguiam traduzir em palavras, o que você fez perfeitamente! Obrigada!!!
Oi Michele,
Nas músicas do Chico, repletas de riqueza, muitas vezes não conseguimos interpretar (“traduzir em palavras” como você colocou), e sim apenas sentir. O que eu fiz foi tentar escrever as sensações que uma tal passagem da letra me trazia. É puro sentimento, você ouve a música e sente o que ele quer, mas não há como ser puramente racional diantes dessas letras, não é mesmo?
Obrigado pelo comentário
não respondi e não consego constar na segunda geração.
kkkkkk
Amei! Você acaba de ajudar um universitária em apuros…
Cujo professor de Estilística e Semântica passou um trabalho de análise de letras de música do Chico Buarque.
Deu pra ter uma boa idéia aqui.
Adorei!
Beijos!
Faltou a interpretação principal: A metáfora que a figura feminina representa na letra. Na verdade a figura feminina representa os idealistas e a masculina seus ideais. Na época que a música foi construída a ditadura já havia derrotado e sufocado os novos ideais. A música mostra um sentimento ambíguo do idealista para com o ideal: Por um lado passa a rejeitá-lo por ter arruinado a sua vida sem trazer nenhum resultado concreto, por outro lado continua fascinálo e ser seu desejo reprimido.
Gostei muito da análise. Gostaria se possível de receber, se possível, a interpretação da música “a Banda”.
Muito Obrigado.
Victor.
Olá a todos,
Amillene, obrigado por ter passado pelo blog e dado uma olhada nas minhas interpretações do Chico Buarque. Eu só acho que não fui profundo o suficiente a ponto de conter bases estilísticas e semânticas como você especificou. Abraços!
-//-
Marcelo, será mesmo que Chico Buarque arquitetou a letra da forma que você sugere? Ou será que, agora que nós vemos a história numa perspectiva de passado, conseguimos dar uma forçadinha e colocar interpretações que antes não haviam?
Certa vez, li um texto uma interpretação de uma letra do Caetano Veloso. O autor foi muito profundo na abordagem, interpretando detalhes que quase ninguém seria capaz de enxergar. No final, o autor conclui que o Caetano pode não ter pensando em tudo aquilo para fazer a letra, mas sim uma grande parte do inconsciente dele foi aplicado na letra, veio meio que naturalmente, sem ele ter pensado para isso.
Como Chico Buarque estava fortemente num contexto de ditadura, pode ser que o que você sugeriu tenha vindo inconscientemente.
Abraços,
-//-
Oi Victor,
Obrigado pela sugestão, mas tenho outras letras do Chico que priorizo para interpretar, como o Sabiá, Ela Desatinou, Meu Caro Amigo… mesmo assim, agradeço pela participação.
Abraços
É claro que em muitas letras é possível fazer diversas interpretações diferentes,até antagônicas, sem que nenhuma esteja errada. Muitas letras da época da Ditadura eram puramente românticas mas se poderia dar uma interpretação engajada também, mesmo que esta não tenha sido a concepção do autor. Para se tentar deduzir qual a intenção do autor tem-se que levar em conta alguns fatores: O autor, o momento em que foi feita e que tipo de posição tinha o autor naquele momento.
Diversos compositores tinham posição completamente engajada na Ditadura, e construíam letras metafóricas. “Começaria tudo outra vez” e “Espere Por Mim, Morena” de Gonzaguinha e “dois pra lá, dois prá cá” de Aldir Blanc não queriam se referir a relações amorosas de um casal mas sim a uma metáfora política. Assim como “Arrastão” de Vinícius de Moraes não se referia a uma pescaria. Taiguara costumava ironizar a crítica que criticava a sua mudança de uma fase romântica para uma fase política, no fim da Ditadura. Ironizava por que a fase romântica nunca existiu, pois todas as suas músicas supostamente românticas eram na verdade metáforas políticas que a crítica não entendia (se bem que a sua primeira fase, em termo de musicalidade, foi muito melhor).
Chico Buarque era um dos compositores mais engajados politicamente na ditadura (se não fosse o mais). Suas supostas músicas românticas vinham em discos repletos de músicas políticas. Elas não vinham nestes discos por falta de outro espaço nem tão pouco para facilitar passar o disco pela censura: eram parte integrante do trabalho engajado. Em uma de suas músicas, inclusive, ele fez uma crítica ao fato de Caetano Veloso ter abandonado as composições engajadas, passando as poéticas (“Quem te viu, quem te vê”). Até em muitas músicas infantis a política vinha presente: Os animais lutavam por liberdade nos Saltimbancos. Eles eram metáfora óbvia dos seres humanos. Outras de suas peças, Gota dágua, Roda Viva, Ópera do Malandro, também eram repletas de metáforas.
No final da década de oitenta, as composições de Chico caíram rapidamente em qualidade e quantidade. Muito possivelmente mais do que o fim da Ditadura ou uma queda de inspiração natural com a idade, foi a queda do muro de Berlim que o desiludiu ideologicamente esvaziando a fonte de sua inspiração. O momento deste evento trouxe a público a opressão do regime do leste Europeu. Esta opressão já havia sido divulgada desde a morte de Stalin mas havia desconfiança de que esta informação não fosse verdadeira e, com a queda do muro, grande parte dos que tinham ideologia política se desiludiram. Alguns adaptaram a ideologia. Outros, como o caso do Chico até os dias de hoje, ficaram perdidos e não reconstruíram nenhuma ideologia perdendo assim sua inspiração. Hoje aparenta ter até vergonha de ter, ingenuamente, acreditado nela no passado.
As temáticas de Chico se repetiam em diversas músicas e o papel das mulheres metafóricas tinha algumas variações. Em algumas representavam a Ditadura (“Apesar de você”) , em outras o idealista (“Bastidores”, “Atrás da Porta”, “Palavra de Mulher”,”Olhos nos olhos”), em outras o povo (“Geni e o Zepelim”, “Carolina”) e em outras a Democracia (“Desalento”,“Pássara”). Outra de suas metáforas constantes era o “Carnaval” que não se referia a festa popular mas sim a um sentido metafórico.
Outras músicas, se não for interpretar a mensagem metafórica contida, parecem um monte de frase soltas sem nexo (“Cálice”, “O que será”).
Oi Marcelo,
Nossa, mas que aula de composições da MPB, hein?
Obrigado ao comentário, ajudou bastante a compreender a complexidade das letras que nós tanto adoramos.
A obra de Chico Buarque, em especial, é de uma riqueza que, sei lá, às vezes tenho vontade de apagar todas as interpretações que fiz e reescrevê-las, colocando coisas a mais…
Até!
Pois é, o genial trabalho de Chico faz uso de dois tipos de metáforas. As metáforas imediatas, que são um sentido alternativo para cada frase individualmente, normalmente trabalhando o sentido não metafórico do contexto, que foram as interpretações que você fez, e as metáforas de contexto em que cada personagem da letra, na verdade representa outro personagem do mundo real.
São metáforas dentro de metáforas! Genial, não?
Interpretar a intenção do autor realmente não é fácil. Várias músicas compostas por Roberto Carlos, no mesmo período, poderiam ser facilmente interpretadas como música políticamente engajada. Mas conhecendo a posição apolítica do autor na época reconhecemos que são apenas românticas. Era só mudar o autor e a interpretação seria outra!
Olá,
gostei muito de sua análise da música, achei seu blog por acaso, estou fazendo uma pesquisa para a faculdade, e resolvi comparar as letras de chico buarque com a melodia de suas musicas, trabalahar um pouco com a semiótica. As musicas do Chico são ricas para essa abordagem.
Você faz o quê!?
bom, até mais!
karina degaspari
Apenas com o intuito de colaborar com a interpretação da música, vamos ao verso “Dei pra maldizer o nosso lar”. Uma primeira análise nos leva a interpretar o verbo como um hábito adquirido, com o intuito de vingança. No entanto, com o mesmo intuito, pode-se fazer uma interpretação mais literal. Se isso tivesse passado pela cabeça dos censores, com certeza o Chico teria que fazer outra adaptação, além de trocar “pêlos” por “peito”.
Mais uma coisa: não acredito que nessa música tenha havido alguma intenção política por parte do Chico. Parte dessa música foi feita de improviso, durante uma festa. O Francis Hime mostrou no piano a melodia, e o Chico começou a cantar por cima a letra. Empacou em “reclamei baixinho”. Para terminar a canção, a Elis precisou gravar até essa parte, para que o Chico pudesse continuar: “Dei pra maldizer o nosso lar…”. O Chico foi um dos primeiros compositores feministas do samba e da MPB. Normalmente, as canções românticas colocam as mulheres como as vilãs do sofrimento dos homens. E os homens como boêmios, que frequentemente sofriam nas mãos de várias mulheres. Vide Noel Rosa e sua Ceci, que culminou com a canção “Último Desejo”, composta quando Noel já estava bem debilitado pela tuberculose. Amélia e Emília são exemplos do machismo no samba. O Chico foi um dos primeiros a encarar o sofrimento do fim dos relacionamentos sob o ponto de vista da mulher. E isso está presente em Atrás da Porta e em Olhos nos Olhos. Nessa última, o verso “Tantos homens me amaram bem mais e melhor que você” é representativo, as mulheres devem ir à loucura quando ouvem.
Muitos compositores e escritores costumam dizer que, depois que escrevem, perdem controle sobre sua obra, pois cada leitor inclui na interpretação sua experiência pessoal, e o sentido muda de olho para olho, de ouvido para ouvido. Isso acontece muito com o Chico, devido à fama adquirida com verdadeiras metáforas musicais, como Apesar de Você e Cálice. É justo, o Chico merece porque fez por onde, acho que até se diverte com isso. Afinal, depois de escrever “Essa Moça Tá Diferente” para a galera da Tropicália, que o desancava na época acusando-o de ultrapassado por ainda escrever sambas bem estruturados (uma heresia para a turma do Gil e do Caetano naqueles tempos), e “Injuriado” para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que o taxou de segundo time da música brasileira, é normal que todos queiram encontrar segundo e até terceiro sentido em suas letras. Em “Essa Moça Tá Diferente” ele manda: “Essa moça tá decidida a se super-modernizar, e ela só samba escondida que é pra ninguém reparar”. Em “Injuriado”: “Você nada está me devendo, por isso, meu bem, não entendo por que anda agora falando de mim”.
Mas Chico não é o único a passar por isso. Uma vez ouvi que a música Refazenda do Gilberto Gil era uma alusão à ditadura, e que o abacateiro, de quem o autor e os seus acatam o ato, era uma referência à cor esverdeada do exército e ao Ato Institucional nº 5 (“Abacateiro, acataremos teu ato, nós também somos do mato como o pato e o leão”). Um dia, após um show do Gil, tive o privilégio de visitar o camarim. Perguntei se havia verdade na interpretação, e o Gil disse que escreveu a canção em uma fazenda de um amigo nos arredores de Brasília, e que não tem nada a ver com a ditadura.
Ou isso ou o subconsciente dos nossos compositores age de forma misteriosa, e aí tudo o que eu disse acima está errado…
Realmente interpretar uma letra é algo muito subjetivo, cada pessoa projeta afeições próprias… Mas não deixa de ser interesante. Adriano, sua interpretação ficou muito bacana, se eu interpretasse, como psicanalista, tenderia a buscar recursos no incosciente, ficaria interessante também, mas também não seria a intenção primeira do Chico, mas ele mesmo fala, depois de lançada a música ela já não tem mais dono, cada um a transforma (ou interpreta) da maneira que mais se identificar. No caso do Chico, quando penso na intenção que ele teve, lembro-me sempre de que ele compunha em sua maioria por incomenda, então fez músicas para filmes, novelas, interpretes… O significado é muito situacional às vezes…
Mas dizendo desta letra, a acho fantástica, meu palpite é que a ambiguidade é do verso “Dei pra maldizer o nosso lar / Pra sujar teu nome, te humilhar “, a palavra dei cabe muito bem no sentido coloquial e vulgar sexual, tornando o verso ainda mais interessante…
Bom, é isto.
Abraço a todos.
Adriano, muito boa a sua análise. Eu estudo Chico Buarque e para mim, é muito importante outra visão além da minha.
Aproveitando, gostei muito dos comentários do Marcelo, parabéns!!! Você é historiador????
Abraços a todos
Perdão, escrevi Marcelo mas na verdade é Marcus Arrais.
Bom adorei a interpretação mais seria melhor se fosse da musica a banda que é a proximo q espero ver Bjinhos
Ah, Adriano, mais uma vez sua interpretação supera expectativas – méritos ao gênio da raça, Chico Buarque. Seu trabalho é exelente e ainda mais com obras desse compositor inexoravel! Parabéns!
Olá a todos,
Obrigado pelos comentários, todos muito bons, por sinal!
Podem escrever à vontade!
Abraços
Essa música faz parte de qual fase do Romantimo? Primeira, Segunda ou Terceira Geração?
Se possível, indicar algumas músicas que se encaixem da Geração 3 do Romantismo Brasileiro
João Roberto,
Você até pode achar que esta música se parece com tal ou tal fase do Romantismo, mas ela não se enquadra propriamente em nenhuma das três, porque o Romantismo existiu entre 1836, com a publicação de “Suspiros poéticos e saudades” (Golçalves de Magalhães), a 1881 com a publicação de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (Machado de Assis).
E o Romantismo em prosa/poesia é bem diferente do Romantismo musical. Não sei se existiu, no Brasil, um período no qual podemos chamar de Romantismo musical, pois a música popular brasileira foi se consolidando mais a partir do século XX, que eu saiba.
Até mais,
olá….gostei muito de sua interpretaçao. Gostaria de ser uma pessoa assim como voce, que compreende bem essas coisas….será que é possível voce mandar por email algumas de suas análises? Meu email é: vanderboy.27@hotmail.com….muito obrigado!
Parabéns pelo brilhante trabalho!!
Espero encontrar mais análises do meu amado Chico Buarque de Holanda.
Só venho ressaltar que dizer, como um colega acima mensionou, que a obra de Chico declinou depois dos anos oitenta e da ditadura, não é uma realidade, assim como também não é realidade que todas as obras antes dos anos oitenta são pérolas. Deixo como exemplo, para quem se dispor a ouvir e apreciar ” as cartas; xote de navegação; cantando no toró; de volta aoa samba; estação derradeira e a incrível ” todo sentimento”. Ademais
composições de antes do “pior da ditadura” como
“bem-vinda” por exemplo parecem fechar um círculo perfeito com sua obra, digamos pós-regime militar, como se essa tivesse sido um parêntese militante, voltando ao lirismo às rimas e soluções musicais desconsertantes
de que sempre foi e será capaz.
Que análise maravilhosa, adorei tudo, você tem um potencial admirável para interpretar, parabéns!!!
Você ajudou no meu trabalho de teoria da literatura, sou muito grata!Clareou meus pensamentos!!
Muito bom!Precisa falar algo mais?
Olá, será que vc pode por gentileza me ajudar com uma análise da Musica Trocando em miudos de Chico Buarque? Preciso fazer um filme baseado nessa canção e não gostaria de fazer uma coisa tão obvia como uma separação de um casal.
Obrigada
Ótima interpretação!!!
Olá, Boa noite,
Sempre busquei na internet e até livros a respeito das canções de mpb, mas encontrei muito pouco. Amo mpb, Chico, Tom Jobim e os outros que são tão citados, gosto de citar a genialidade das músicas do Chico, o quanto também muitas músicas carregam histórias de uma geração como no caso do Belchior.
Gostaria de propor a você a formação de um grupo, com estudos como este realizado no seu site, e cada um contribuir como puder.
Oi! me formo no final desse ano e meu TCC será um ensaio fotografico sobre a obra de Chico Buarque. Estou analisando 20 músicas dele e sempre que posso venho na internet pra saber a opinião das pessoas sobre suas letras.
Se vocês puderem, gostaria de ver uma análise sobre as seguintes canções:
Cotidiano;
Construção;
Trocando em miúdos;
Quem te viu, quem te vê;
Homenagem ao malandro;
As vitrines;
Bye, Bye, Brasil
Gostei da interpretação que é feita aqui e acho que vocês podem me ajudar à beça. -)
Desde já, obrigada!!!
preciso da interpretação da letra da musica Cálice do chico buarque.
Gostaria da interpretação do trecho da música de Chico Buarque “O que será”.
“O que será , que será,
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar”.
E também gostaria de saber, como os versos da canção interia sitada acima nos faz pensar sobre o conceito de cultura.
Preciso urgente, agradeço desde já.
Jackeline Melo
Olá a todos os leitores,
Agradeço pelos comentários.
Muitos me pedem pela interpretação de “Cálice” e “O que será”, mas a tarefa de analisar as letras do Chico não é fácil e preciso estar bastante inspirado para tal. Embora tenha uma preferência muito grande por “O que será”, creio ser uma letra difícil de se interpretar pelo simples fato do objeto em questão estar em aberto. Há diversos sentidos para a música, e ficar interpretando verso por verso não faz tanto sentido, porque todos eles tem um sentido lógico muito claro, mas a razão, o motivo deles, só pode ser compreendido se se escolhar qual é o tema sobre o qual Chico discorre. Logo, creio que a interpretação ficaria muito arbitrária.
Quanto à letra de “Cálice”, é possível que eu faça uma interpretação dela, mas não posso estipular uma data para tal. Após muito tempo sem atualizar as interpretações, fiz uma de “Sabiá”. Espero que gostem.
Abraços,
Adriano
O mais curioso é que Chico escreveu essa música em meio a uma reuniao de amigos em que ele tinha bebido demais. Há um vídeo em que ele fala: “Nessa época a gente bebia demais”.
Neste dia ele compos apenas a primeira parte da música. Posteriormente ele escreveu a segunda parte : “Dei pra maldizer o nosso lar…”, com a primeira parte já gravada por Elis Regina e o arranjo da música pronto esperando ele compor a segunda parte.
Oi Adriano,
sou apaixonada pela obra do Chico por sua genialidade. Suas interpretações me acrescentaram muito, embora eu tenha uma interpretação própria (não sistematizada ou publicada) sobre algumas músicas. Fantásticas as interpretações de Atrás da Porta e Sabiá. Já a de Construção, no meu entender, deixou um pouco a desejar.
Pelos autores que você cita como referências atuais, demonstra ser uma pessoa bastante eclética.
Vá em frente. Parabéns pelo brilhante trabalho!
Oi Vera Cândido,
Obrigado pelo comentário. Por favor, coloque suas considerações também nos comentários.
Abraços,
Meu Deusssssssssss!!!!!!!!!!!!!!!
Foi tu q compuseste???rsrs
perfeito
[...] Chico Buarque – Atrás Da Porta julho, 200739 comentários 5 [...]
Olá Adriano. Pesquisando no Google a adorável música composta pelo chico, me deparei com sua interpretação que me agradou bastante. Até então eu não havia encontrado interpretação parecida, ainda não havia me aprofundado na parte estrutural da música e sim nas cenas que ela nos faz imaginar. E claro que achei muito interessante sua analise. Parabéns.
Olá Adriano!!!
Vou apresentar um seminário sobre Chico Buarque nno dia 23/08/11, e tenho que fazer alguns topicos sobre vida, obras… será que vc pode me ajudar com alguma sugestão… um slide.
Aguardo a resposta
Ah! Vc é muito inteligente.
Essa é de mais
Adriano, tudo bem?
Estou me formando em Filosofia, e achei sua interpretação magnífica. De fato, choro toda vez que toco ou ouço “Atrás da Porta”. Suas palavras me fizeram compreender a música de uma maneira diferente. Parabéns!
Você me daria a permissão de publicar esta matéria no meu blog? Se você me permitir, colocarei o link para a matéria original e para o seu blog. Eu gostaria de postar sua matéria no meu blog pois acredito que ela deve ser compartilhada com mais pessoas, levando a todos as grandes composições de Chico Buarque.
Abraços!
Henrique Vitorino
filosofiacompoesia.blogspot.com
Oi Henrique,
Pode reproduzir o texto. Não precisa nem perguntar da próxima vez.
Obrigado pelo comentário!
Abraços!
Adriano, tudo bem?
Postei a matéria. Se quiser e puder, dê uma conferida para ver como ficou. Aproveite e dê sua opinião!
Abraços!
Henrique Vitorino
filosofiacompoesia.blogspot.com
Po, gostei desse site, sou fã incondicional das musicas do Chico Buarque e, me indentifico muito com as musicas dele! essa é ótima, parabéns!