“Construção” foi composta por Chico Buarque em 1971, em pleno regime ditatorial brasileiro. Tentarei fazer uma possível leitura da canção – não desconsiderando outras leituras, uma vez que resumir o trabalho de Chico devia ser considerado uma infração moral.
Construção
Chico Buarque
Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado
A letra possui um aspecto narrativo, além de um caráter cíclico e comparativo. As três estrofes são muito semelhantes, em especial as duas primeiras; a diferença básica pode ser atribuída à última palavra de cada verso, sempre uma proparoxítona, que torna o ritmo da música bem marcado e repetitivo.
Os versos “Amou daquela vez como se fosse a última / Beijou sua mulher como se fosse a última / E cada filho seu como se fosse o único / E atravessou a rua com seu passo tímido” demonstram que o sujeito da canção é um homem, pai de família. Existe um grande laço com sua mulher (“como se fosse a última”) e um indicativo de que possui vários filhos (“e cada filho seu”). Uma outra idéia sugerida é que um homem de baixa condição social, devido ao andar tímido, que transparece a submissão aos demais na rua, e também pelo número de filhos, muitas vezes associado à baixa classe social.
O título da canção, bem como a profissão do homem, fica evidenciado pelos próximos versos. Em “Subiu a construção como se fosse máquina”, o desempenho no emprego é comparado a uma máquina, isto sugere que o homem trabalha sem questionar o que faz, apenas está condicionado ao seu trabalho, algo tão comum que o faz automaticamente. Lembrando que a letra foi escrita durante a ditadura militar, algo que nos remete a pensar na submissão forçada: ou faz aquilo que mandam, ou é punido.
“Ergueu no patamar quatro paredes sólidas / Tijolo com tijolo num desenho mágico”, estes dois versos comprovam o emprego do homem, ligado a construção civil, que também reafirma a idéia de sua baixa classe social. Talvez uma das partes mais sentimentais da música está em “Seus olhos embotados de cimento e lágrima”, pois mescla um objeto nem um pouco emotivo, o cimento, com um símbolo da sensibilidade, a lágrima. O interessante desse paradoxo é ver que podem coexistir, nos olhos do trabalhador, a frieza do cimento com a fraqueza das lágrimas, algo que em muito reflete o sofrimento desta condição social: a rigidez imposta com o sentimento oprimido.
Nas passagens “Sentou pra descansar como se fosse sábado / Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe”, fica evidenciado o alívio da hora do descanso. Sábado é o primeiro dia do fim de semana, aquele dia que vem logo após a semana atribulada. Quando o intervalo do serviço é comparado a sábado, a necessidade de descanso é realçada. O ato de almoçar uma comida tão simples, rotineira, como o feijão e arroz, e se sentir um príncipe, indica um gosto muito grande por uma combinação cotidiana, como se não se pudesse escapar desta rotina.
O alcoolismo, muito comum nas camadas inferiores da população, está claramente desenhado em “Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago / Dançou e gargalhou como se ouvisse música”. Além do mais, sabe-se que trabalhadores de construção civil bebem para manter uma força muscular, relacionada ao trabalho braçal.
Em meio a alegria barata proporcionada pela bebida, ocorre um acidente: “E tropeçou no céu como se fosse um bêbado / E flutou no ar como se fosse um pássaro / E se acabou no chão feito um pacote flácido”. Destes versos podemos retirar que o homem trabalha em um prédio alto, tão alto que tropeçar de lá é quase como tropeçar do céu. A comparação com um bêbado é tanto por ter ingerido álcool anteriormente quanto pelo andar trôpego e descuidado dos embriagados. Ao tropeçar, começa a cair e choca-se ao chão, num impacto tão forte que seu corpo parece flácido.
Após a queda, “Agonizou no meio do passeio público”, isto é, os últimos momentos de vida daquele homem. E para fechar: “Morreu na contramão atrapalhando o tráfego”. O último verso mostra a indiferença da morte daquele cidadão. Ao cair do prédio e estatelar-se no chão, a única preocupação que ocorre, por parte do público que ali estava, foi em relação ao trânsito, como se qualquer objeto tivesse caído, e não um pai de família. A contradição existente é que, dentro de casa, o homem é o líder, mas na rua é um sujeito qualquer, um parafuso da engrenagem capitalista, no caso, da construção de imóveis que vão servir luxuosamente a outras pessoas.
As outras estrofes apenas repetem a história, causando certas confusões, como em “Ergueu no patamar quatro paredes flácidas”. Logicamente, daria para estender muito mais a análise das duas últimas estrofes, mas vou me ater apenas àlguns trechos. A indiferença do homem é realçada em “Morreu na contramão atrapalhando o público” e, melhor ainda, em uma das melhores partes da letra: “Morreu na contramão atrapalhando o sábado”.
Foi uma jogada muito inteligente com o “atrapalhando o sábado”, porque é como se o descanso do público tivesse sido interrompidoa pela morte do trabalhador. Enquanto ele estava erguendo paredes, o público passeava; na hora em que se acidentou e morreu, incomodou os outros.
As estrofes começam com “amou” e terminam com “morreu”, outra antítese muito interessante da letra que destaca a narrativa, onde as coisas começam bem e, de uma maneira ou de outra, terminam num fim. Neste caso, o fim é sua própria morte, deixando para trás o seu lar, onde sua posição como líder era muito importante; deixa de lado também seu trabalho, onde era insignificante.
No arranjo da música, percebe-se que a última estrofe é cantada de um modo mais acelerado, com sons vindo de todos os lados. Este efeito gera uma confusão, um desnorteamento que ilustra a vida sem rumo daquele trabalhador. A repetição do mesmo alicerce das estrofes mostra que esta rotina é comum, acontecendo com vários trabalhadores por aí, todos invisíveis à sociedade.
Muito interessante e bem escrito Adri !
Obrigado Bia,
(só para agradecer. Comentário mais extenso está em Chico Buarque – Atrás Da Porta)
Amei. Simplesmente, Chico Buarque é um gênio… sem palavras…
Olá Adriano,
Estive pensando (não sei se alguém já abordou esse ponto). O trabalhador ao sair de casa estava aparentemente fazendo o que sempre fazia todos os dias porém, dentro de si crescia uma insatisfação surda pelo destino de sua vida. Essa insatisfação (acho eu) fica explícita quando o autor começa a inverter o final dos versos na segunda parte. Naquele momento, a situação deixa de ser narrada pelo Chico (narrador onisciente) e passa a ser refletida do íntimo do trabalhador: Caótica, numa tentativa de fuga da realidade. Nesse momento, percebo o trabalhador tão desiludido que o suicídio (inconsciente) é a saída. O fato de beber até se embriagar reforça essa vontade de fugir à realidade.
Abraços
Renato
Oi Renato,
Sim, mais de uma pessoa já abordou esse ponto. Depois de ler tantos comentário, até a minha própria interpretação já mudou, rs. De toda forma, obrigado pela colocação.
amei a interpretação.
Estava fazendo um trabalho para universidade (LETRAS VERNÁCULAS) e acabei passando por aquí. Me auxiliou bastante no trabalho de Literatura como tb na minha vida como compositor.
Ao ler o comentário, percebí que preciso dar mais logicidade às frases de minhas músicas, vai saber lá se um dia no futuro não venha a ser interpretada por alguém assim, com tanta genialidade.
Abraços Fraternais,
IIrm:. Fábio
Oi Fábio,
Me sinto lisonjeado pelo que você falou. Bom saber que o Letras Despidas te ajudou de alguma forma, tanto no seu trabalho de Literatura, quanto principalmente na sua vida como compositor. Bom trabalho nesta área! Quero ler suas letras!
Sobre a logicidade. Um grande desafio. Existem várias letras boas de canções da MPB, mas pouca são tão trabalhadas, polidas, ornamentadas quanto as do Chico Buarque. Ele é um mestre da música que consegue pôr sentido poético em todo verso que compõe. Tentar trabalhar as músicas como ele é um grande desafio e, ao mesmo tempo, um grande triunfo. Eu nem me atrevo, hehe.
Obrigado pelo comentário.
Eu queria fazer referência à música Construção do Chico Buarque no meu blog (confira em http://www.mesdre.myblog.com.br, post de 06/11/2007), e procurando no Google me deparei com seu blog. Achei muito interessante, e tomei a liberdade de colocá-lo como link. Acredito que meus amigos leitores virão conferir seu blog.
Obrigado por poder usar seu link como referência. Se você achar algum inconveniente nisto, por favor me avise que eu retiro o link e procuro outra fonte. Por enquanto fiquei bem satisfeito com esta.
Parabéns pelo blog.
Oi André,
Obrigado por nos citar, não há problema nisto. É um modo de nos divulgar e, acima de tudo, divulgar a arte promovida por Chico Buarque. Agradeço pela citação,
Abraços
gostaria de saber si alguem ai sabe de um link que contenha aranjos para violao das musicas de Chico Buarque.
Oi Rodrigo,
Existem sites de cifras como http://www.cifras.com.br ou outros, como o cifrasclub, casa das cifras etc. Eu não acho estes muito confiáveis, porque os arranjos do Chico são muito complexo e muitas destas cifras, feitas por músicos casuais sem que haja grande avaliação do material publicado, contêm erros.
Eu sugiro que procure o Songbook dele, porque contém as versões originais de todas as letras dele, com cifras e partituras talvez. Eu tenho o Songbook do Tom Jobim, é excelente. Eu sei que existe o do Chico, mas nunca vi. Deve ser bom, porque todos foram produzidos por um grande músico que foi Almir Chediak, que sentava ao lado do cantor e escrevia com ele o livro.
Existem versões na Internet destes Songbooks, se procurar bem pode ser que encontre. Eu recomendo.
Abraços
Eu consegui baixar o songbook de Chico (escrito pelo Almir Chediak) do Emule há muito tempo atrás. O songbook é realmente muito bem escrito. Gravei em cd e não sei onde está mais heuheuheuhe
Mas tenho certeza que ainda tenho. Acho que vale a pena procurar no Emule ou outros compartilhadores. Causa espanto as coisas que dá pra baixar pelo Emule, até livro de faculdade ô.Ô
Bom, té mais e espero ter sido útil!
P.S.> Eu gosto da 3ª estrofe porque contém umas frases que dão a impressão de que ele continua “trabalhando” na construção mesmo morto. Como se fosse a alma dele. Causa-me aquele sorriso amarelo….bom, é apenas uma viagem minha que gostaria de compartilhar.
Excelente análise.
Queria apenas fazer uma sugestão. Discordo um pouco desta interpretação “Existe um grande laço com sua mulher (“como se fosse a última”)”. Ao escutar este trecho, vejo explícita a lascívia da personagem, tão esteriotipada nestes setores sociais. Corrobora com esta interpretação outro trecho da música: “Beijou sua mulher como se fosse a única”.
Por fim, reintero: excelente análise, parabéns.
Oi Marcello,
Obrigado pela dica do songbook, vou procurar na Internet também.
-//-
Oi Daniel,
É aí que a gente vê a riqueza da obra de Chico Buarque, porque tanto dá para entender que ele gosta da mulher como também que ele não gosta. Ou seja, como ter duas interpretações diametralmente opostas?
Só mesmo nestas letras riquíssimas.
Obrigado pela sugestão!
Até mais
Olá !
Bom gostaria de fazer uma pergunta.
Ao ouvir a música, eu interpreto a duas frases da segunda estrofe como uma demonstração que na verdade ,mesmo depois de morto o trabalhado anonimo volta para a construção,as frases são as seguintes
“Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas”
Confesso que não era fã de clássicos da MPB, mas a alguns meses estou começando a virar um “fãzaço”, não da para fazer comparação deles com outras musicas eles são tão bons artistas quanto , Machado de Assis , José de Alencar , e outros ,mas cada um na sua forma de demonstrar a arte.
Em fim , minha pergunta. Está correto a minha interpretação , ou estou enganado?
OBS: Notei que outra pessoa já fez esse comentário, o que deixou-me mais curioso ainda !
Obrigado , e Parabéns pela interpretação , procurei outras no google, saciar minha duvida , mas a sua foi a melhor!
heuheehuehueheuue
Olha só! Um que compartilha da mesma “viagem” que eu! Esqueci de completar minha análise dizendo que isso só reforça o quão mecânica é a atividade que o trabalhador exerce.
Lenine também tem letras muito legais. O tema das músicas é outro, obviamente, mas faz letras ótimas com uma pegada muito boa no violão. Indico uma “iniciação” em Lenine pelo DVD MTV Acústico lançado recentemente, depois “In Cité”, também ao vivo. Então, escutar os álbuns “Na pressão”, “Olho de Peixe”, “O dia em que faremos contato”. O álbum “Falange Canibal” parece um pouco indigesto no início – “Umbigo”, “Ecos do Ão” e “Quadro-negro” são maravilhosas mas necessitam de um tempo para que sejam absorvidas devidamente – mas torna-se um dos melhores com o tempo. Este último álbum possui músicas maravilhosas como “No pano da jangada” e “O silêncio das estrelas”, músicas quase etéreas como “Encantamento” e “Sonhei” e músicas com crítica social e comportamental como “Rosebud”, “Quadro-negro” e “Ecos do ão” e “Umbigo”.
Bom, enjoy it!
Oi Carlos Biagolini,
rs, não tem como eu dizer que sua interpretação esteja errada. Eu não sou um especialista na obra de Chico, apenas me aventurei em algumas letras como você fez. Muitas pessoas já comentaram o fato do operário trabalhar mesmo morto. É uma idéia interessante, porque reforçaria a idéia de trabalho repetitivo, contínuo, que te prende à vida e à morte.
Obrigado por participar
-//-
Oi Marcello,
Obrigado por me informar sobre Lenine, conheço pouco da obra dele, então não tenho uma opinião formada, mas eu gosto dele pelo que ele parece ser: simpático, simples, tranquilo. Vou dar uma olhada nas canções que você comentou.
Até mais
quase me esqueço! Aposto que Lenine fez “Sonhei” depois de ler Memórias Póstumas de Brás Cubas, parece até que o eu-lírico da música “cavalga” (na falta de termo melhor) num hipopótamo :p
Nossa, Adriano voce fraga mesmo…
Eu amo metal mas as letras de musicas Brasileiras sao muito siguinificativas sempre criticam auguma coisa que nos Brasileiros as veses nos vemos e nao fasemos nada ou nao enchergamos mesmo.
Alan,
Ainda bem que você gosta de metal mas reconhece a beleza das músicas do Chico. Eu sou chicólatra. Muitos que poucom conhecem a obra do Chico fazem cara feia. “Chico Buarque? Eca! Blé!”. Mas ao conhecer melhor estas pessoas, vê-se quão grandiosa é sua mentalidade. Ainda bem que você é um metaleiro de cabeça aberta.
Obrigado pelo comentário,
Abraços
Não acho que o homem trabalha num prédio alto. Sempre pensei que ao falar que o cara tinha tropeçado no céu o Chicão estava se referindo a onda proporcionada pela birita. O cara tava viajando, flutuando na onda da cachaça, e no meio da onda uma pensamento triste qualquer o fez tropeçar e voltar mais ou menos à realidade, com um certo embotamento, fazendo com caísse em depressão e ficasse como um saco flácido. Sacou? Sei que os versos evocam em cada um sentimentos e reflexões diferentes. Pensava mais ou menos como você em relação aos outros trechos. Bela crítica, ou interpretação, ou análise, ou tudo isso junto misturado, o que dá na mesma… A letra sintetiza a idéia de trabalho alienado do Marx, como se fosse, de certa forma, sei lá.
^^ OK Adriano nos Brasileiros devemos olha a beleza das nossas musicas…
E glorifica ao Chico que estuda muito para faser auguma musica que nos fas refleti augo que ocorre aqui no Brasil como ocorreo quando teve a ditadura militar…
Ele como Caetano velozo e entre outros saben se espreça usando uma forma culta e bem inteligente ao critica augo ou compara auguma coisa. ^^
Obrigado pela participação, Debs e Alan,
É bom encontrar admiradores de Chico Buarque por aí.
Abraços
claro que sim chico buarque é um genio
Magnifica interpretação!!!
Pesquisei por varias outras mas a sua realmente foi a que mais me agradou.
Como Alan disse, eu também me identifico muito com o Metal, porém confesso que aprecio as grandiosas letras de Chico.
Todas suas musicas feitas no periodo da ditadura possuem mensagens brilhantes!E esta é uma delas!
Em minha pesquisa sobre o regime militar, venho descobrindo mais e mais nomes da MPB que antes nao me agradavam, ja agora me chamam a atenção.
Meus Parabéns pela bela interpretação!
Grande Abraço!
Oi Adriano
Estou fazendo um trabalho para a escola sobre aspectos culturais na época do regime militar, com certeza a letra do Chico Buarque é excelente, e vc fez uma interpretação tão excelente quanto a própria música, vc está de parabéns. Realmente uma ótima análise!
Usarei sua leitura como referência nesta minha atividade.
Até mais
abraços.
Esta é amelhor interpretação de “construção” que já li até hoje. É simplesmente, perfeita. A letra está interpretada vírgula por vírgula. Ótima!
Oi Arkai, Tamires e Cristiano,
Obrigado pelos comentários. Só que é exagero dizer que a interpretação foi tão boa quanto a música, porque a música permite muitos outros pontos importantes a ser analisados. Eu fiz uma análise até superficial. Tem caras que fazem toda um parelelo com Marx, com Sartre, isto é muito mais profundo, é um estudo sério. O meu não.
Ainda bem que os metaleiros também gostam de Chico Buarque, rs.
Abraços
Simplesmente magnífica essa interpretação!
Parabéns
Nossa! Acho que não existem palavras para demosntrar o encanto que eu estou sentindo! Confesso que me apaixonei por você :X hahaha Sua inteligência me conquistou e adoraria poder ler mais sobre seus “trabalhos”
E o incrível é que mesmo que essa publicação tenha sido feita há algum tempo ela ainda é válida e penso que assim será até quando a música acabar, ou seja, pra sempre \o
um grande beijo e um forte abraço e meus sinceros parabeins :*
Oi Tatinha,
Obrigado pelo comentário. Volte sempre!
-//-
Oi Ju,
Não é pra tanto, né? Se apaixonou por mim? Peraí, vamos negociar isto aí, rs rs rs. Meus “trabalhos” estão todos neste blog, basta clicar no meu nome na assinatura dos posts que vão aparecer os meus últimos textos. De resto, basta procurar por um assunto que te interesse que provavelmente vai ter pelo menos a Bia e eu.
Beijos e obrigado pelos elogios,
Eu ja pude ter o prazer de ver todos esses seus ‘trabalhos’
To te falando que eu me interessei de verdade por você! ^^ hehe
mas hein
Eu estava refletindo sobre sua análise e me veio a cabeça uma outra interpretação.
Quando o grande Chico fala: “Morreu na contramão atrapalhando o público” ele quis dizer que ele mesmo, o próprio autor da música estava na contramão, porque como a época era a ditadura, quem andaria na ‘linha’ em plena “guerra”? Ou melhor dizendo, quem andava na contramão eram os comunistas, ou seja, o Chico. Ele estava, simplesmente, tentando despertar a revolta naqueles que se preservavam, mas que no fundo no fundo também sentiam-se reprimidos por não poderem se manifestar. Ele estava tentando burlar a ditadura entre as ‘entrelindas’ da canção.
Olha aii
se eu continuar assim, acho que um dia posso ate chegar PERTO de você!
e se estiver errado não exite em me corrigir ok?
haha :*
Oi Ju,
A sua interpretação, como toda interpretação (visão subjetiva), é válida. Porém, são tantas interpretações que as pessoas fazem, que cada um diz “talvez o Chico queria dizer que…”, e de repente nem ele pensou em tanta coisa. Mas é bom as canções sejam assim, maleáveis quanto ao sentido.
Este PERTO é ambíguo… rs
Obrigado pelos comentários,
Bjs
Amigos…. parei aqui por acaso…. mais gostaria de deixar meu comentário…. essa música na minha perspectiva difere um pouco de suas interpretações… porém é como dizem… é uma interpretação subjetiva…. porém é válido uma outra opinião….. a música difere três antagonismo da sociedade brasileira daquela época e de certa forma vivente até hoje…. a diferença social….. Ela separa nas três estrofes as três diferentes classes sociais, sua vida profissional, social, familiar e a visão da sociedade para com eles… No caso a primeira estrofe retrata o pobre trabalhador, a segunda estrofe a classe média, e a terceira os grandes militares, que nos dias de hoje poderia ser interpretado como “autoridades”. Brilhantemente, para mim, Chico desenvolveu de uma forma crítica todas a características, peculiaridades e problemas emanadas de cada classe, demostrando a instabilização da sociedade atual…. veja a contradição dessas estrofes:
Beijou sua mulher como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a única
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Sentou pra descansar como se fosse sábado (1)
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe (2)
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro (3)
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe (1)
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo (2)
…. (3)
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego (1)
Morreu na contramão atrapalhando o público (2)
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado (3)
Veja… O trabalhador de tanto trabalho, qualquer descanso é como se fosse o sábado, qualquer prato de feijão com arroz é um banquete haja visto ser trabalhoso colocar em mesa e infelismente é uma figura tão ignorada pelo povo que que ele acaba morrendo atrapalhando a circulação das pessoas, ou o tráfego.
Já a classe média (no caso da música, provavelmente um engenheiro), se imagina na posição de descansar enquando o trabalhador rala, como se fosse um príncipe, come feijão com arroz “como se fosse o máximo”, mais não é o máximo, quem sabe ele queria uma churrascada, e morre atrapalhando o público, pois como era de classe média, quem sabe era um pouco conhecido pelo local e acaba trazendo um passageiro transtorno para o público.
Já o respeitado general, pra começar, antes de sair beija sua mulher como se fosse lógico, raramente ou nunca come feijão com arroz, descança como se fosse um pássaro, (como se estivesse acima de tudo, como se seu poder e riquesa lhe proporcionasse a liberdade de relaxar o tempo todo enquanto o tralahador rala e o engenheiro trabalha), e ainda sim tem uma vida muito mais farta que qualquer outro , logo, morre na contramão atrapalhando o sábado de todo o brasil, mexendo com toda a mídia, recebendo aqueeeele funeral onde todos tem a obrigação de ir e tal. Como se sua vidinha ainda sim fosse extremamente mais importante que a vida de um trabalhador ou um engenheiro.
Oi JP,
A sua interpretação é bastante interessante, gostei sim, muito inteligente esta tua sacada de notar o paralelismo nos versos.
Parabéns!
Me surpreende a genialidade com que você interpreta a música.
Seu blog me ajuda muito em meus trabalhos da faculdade (Letras). Parece tudo ficar mais claro depois que leio suas interpretações e etc.
Parabéns !
Oi Daiane,
Acho que você é primeira pessoa de Letras que diz que o Letras Despidas está ajudando. Sempre vem gente de ensino médio, mas nunca uma universitária de Letras, curso quase homônimo ao blog.
Obrigado pelos elogios,
Abraços
poderia ter explicado tudo mas foi bom
Olá, ontem a minha professora havia passado uma música do Chico em aula para que percebessemos na letra a frieza como tratamos uns aos outros e o quanto o valor das pessoas está ligado diretamente ao que ela possa nos oferecer. A música que a professora passou foi “Geni e o Zepelin” ..
Bom, vim parar no seu blog porque as músicas do Chico, sempre nos remetem a uma auto-análise, isso ficou na minha cabeça. E, muitas vezes me pego ouvindo “Construção” que é deveras uma música muito discutida.
Gostei muito da sua análise, entretanto, na última estrofe eu acredito que Chico não estava se referindo ao sujeito trabalhador propriamente dito.
Como muitas pessoas entenderam o final da música como o fato de continuar a trabalhar mesmo após estar morto, como se nunca conseguisse se livrar da sina, considerei esta hipótese como algo sensível e muito espiritual. Mas ainda não consigo ver dessa forma.
Pra mim é evidente (certo que estou passível de erro como todos não é? rs) que a terceira estrofe se refere a visão das pessoas sobre o caso.
Tanto que nessa última estrofe ele não cita os filhos, que eram citados nas anteriores, bem como você havia observado, as pessoas quando se depararam com um corpo no chão, não se importaram em vê-lo como um pai de família, com um significado, simplesmente o desumanizaram a partir do momento em que ele passou a interferir na sua rotina.
Vou ser mais clara, todos nós somos como esse trabalhador, todos temos um pouco dele em nós, mas aos olhos dos outros somos apenas mais um. Sem valores emotivos ou morais agregados a nós.
E as vezes nos vimos em situação semelhante a essa. Tente se imaginar vivenciando essa história, um sábado normal, você querendo se divertir, descansar e vê um corpo no chão atrapalhando o transito:
“Amou daquela vez como se fosse máquina” (você não vai pensar de imediato na mulher que ele amou antes de sair de casa, então essa relação automaticamente se torna repetitivia, como se não houvesse laços afetivos)
“Beijou sua mulher como se fosse lógico” (justamente como acabamos fazendo: quando você começa a namorar alguém vai beijá-lo sempre com muita vontade ao vê-lo, a partir de um certo tempo o que acontece? Você o beija apenas para cumprimentá-lo. Rotina)
“Ergueu no patamar quatro paredes flácidas” (julgamos o trabalho alheio, a competência desse trabalho, exemplo: aposto que deve ter feito o serviço mal feito)
“Sentou pra descansar como se fosse um pássaro” (não pensa em trabalhar, só quer saber de folga)
“E flutuou no ar como se fosse um príncipe” (se estivesse trabalhando direito, com equipamentos de segurança não teria acontecido, mas se dá ao luxo de acreditar que não precisa disso por ser altamente seguro de si e deu no que deu)
“E se acabou no chão feito um pacote bêbado” (esses operários ficam se mantendo acordados através de bebida e brincam com coisa séria, aposto que estava bêbado)
“Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado” (agora veja bem, eu que trabalho direito e tenho o sábado pra descansar tenho que ficar aqui vendo essas notícias na TV, ou preso no transito por causa do acidente)
Essa última estrofe é exatamente a que nos faz pensar em nós mesmos. “Posso estar completamente enganado, eu posso estar correndo pro lado errado. Mas a dúvida é o preço da pureza e é inútil ter certeza” (engenheiros do hawaii – infinita highway) rs .. mas é o que a música passa pra mim.
Beijos e parabéns pelo blog, muito interessante.
oi,adriano nossa gostei muito da sua análise muito inteligente.Me ajudou muito no meu trabalho,faço serviço social e tinha que fazer uma análise dessa música e vc me ajudou muito…parabéns…
Nossa,
Esses comentários estão ricos em novas interpretações!
Obrigado a todos!
O cara tava de saco cheio da vida e queria se matar, é tanto que no começo ele faz tudo como se já soubece o que pretendia fazer(Tudo como se fosse a última vez, ultima ceia, e num gesto de despedida da vida) foi trabalhar já meio alcoolizado como mostras o segundo trecho das inversões, chegando lá ficou tentando criar coragem , bebeu mais ainda e no fim se joga lá de cima, é tanto que ele tropeça no céu (ninguem tropeça no céu, é como se fosse uma desculpa por ele ter se jogado por isso é o céu e não uma parte do predio, como uma coisa não concreta e abstrata) ai entra a parte da crítica social da banalização da vida. As substituições das proparoxitonas mostra a confusão que rondava a cabeça do sujeito e a incerteza de outras.
Pelo menos foi assim que entendi!!
heheh!
valew!!!
Vou Dizer a verdade, a primeira vez que prestei atenção na letra de Construção, achei simplesmente genial, e fiz uma interpretação meio errada, eu achava que a primeira estrofe contava os fatos verídicos, que por mim achava que ele tinha sido empurrado por motivo político, a segunda estrofe contava os fatos já sendo confundidos (perdendo a lógica), e a terceira a versão alterada da história que ele teria caído pelo álcool. Eu achei essa minha interpretação simplesmente genial. E o que ajudou a comprovar essa minha teoria foi a última estrofe que repetia o Deus Lhe Pague.
Mas comecei a me perguntar porque numa época onde os únicos que eram assassinados eram aqueles que se opunham ao regime militar, então porque morreria um trabalhador de classe baixa?
Isso já pois em cheque minha teoria, outra coisa, a primeira estrofe também induz que ele caiu pelo álcool (li pela segunda vez mais atento hehe).
Então conclui que estava errado; e fiquei pensando muito sobre isso, até que para confirmar achei seu site, e descobri essa interpretação que achei fantástica e considero a mais certa até agora.
E com essa interpretação, pode-se dizer que essa música é bem atual, mesmo sendo de 30 anos atrás.
Adriano,
muito boa sua interpretação. Do mesmo jeito que eu imaginava. Só pra acrescentar, um professor meu de literatura, que é um grande fã do Chico Buarque por causa da inteligência discreta de suas músicas, falou uma vez pra mim que todas as estrofes dessa música por terminarem em proparoxítonas faziam um a referência a um possível líder que também tem no nome uma proparoxítona: Médici. Se é verdade mesmo eu não sei.
Mas parabéns pelo texto. =)
Interpretação brilhante. Vou usar essa música numa atividade que será aplicada numa capacitação de professores e procurei um comentário que me ajudasse a entender melhor o tema de construção e encontrei seu texto. Foi uma mão na roda! hehe Muito bom!
Bom eu amei essa interpretação pq ela me deu um esclarecimento maior para o meu entendimento no trabalho q eu estava fazendo
Apesar de eu não ser muito ligada a a arte essa me chamou muita atenção…e eu poço dizer q cm esse trabalho q foi passado na sala de aula eu vou me aprofundar mais no mundo de ates e poemas
muito bom mesmo obrigado bjs
Poxa, que interpretação kra, mt perfeito o teu modo de entendimento.
Obrigado estava mt querendo entender essa musica de uma forma bem clara.
Oi Adriano,
Ao procurar a letra desta música do Chico, não esperava encontrar uma interpretação tão boa quanto à que você fez da letra. PAra mim foi de grande valia para um trabalho que vou realizar com meus alunos em sala de aula. Você foi perfeito na sua interpretação e com certeza todos aqueles que tiverem acesso a este trabalho vão entender com mais profundidade o sentido e a beleza desta música. Trabalhos como este devem ser divulgados para que os nossos jovens aprendam a gostar e apreciar a beleza da nossa MPB.
Um grande abraço e mais uma vez parabéns pelo belíssimo trabalho.
Ana Rita
Maravilhoso!!! Na minha interpretação eu me prendi muito ao fato dele querer se matar ou saber q isso vai acontecer.. não tinha relacionado os fatos sociais, e achei incrível sua análise!
Mas vou ser sincera q senti falta de maiores análises nas outras estrofes.. como vc disse q não quis se aprofundar me deu vontade de te matar pq eu tava amandooo!!!
Se vc tiver e puder me mandar eu agradeço! Estou fazendo um trabalho teatral em cima desta música e me ajudaria muito, como já ajudou! Parabéns pelo seu trabalho!!
Adriano, eu estava procurando a letra dessa música pra ilustrar uma aula sobre acentuação gráfica para meus alunos de EJA (Educação de Jovens e Adultos), já que emprega tantas proparoxítonas, e me deparei com este site e a análise.
Gostei tanto, que acho que vou aproveitar a música também para uma aula de leitura e interpretação de texto.
Parabéns!!!
Parabéns, pela excelente análise feita desta obra prima da MPB, e deste genial músico e compositor. Como Professor de Língua Portuguesa e estudioso de Música, não me contive em não parabeniza-los. Grande abraço.
Não é para qualquer um analisar canções do Chico, não imaginei encontrar na internet algo parecido com o que escrevestes.
Parabéns pela interpretação, muito bom!
Faltou falar que ela é baseada na poesia praxis
Adriano,
Assim como as músicas do Chico são eternas, pela inteligência e poesia, a sua interpretação é um exemplo a ser seguido pela juventude brasileira, nesse momento em que ortografia e concordâncias são relevadas ao segundo plano.
Parabens, pois já fazem dois anos que os comentários dos internautas continuam em blog.
Não podemos nos esquecer que na União Soviética, regime que o comunista Chico Buarque defendia, o trabalho de uma mão de obra semi-escrava era muito mais brutal do que na terra que tem palmeiras onde canta o sabiá.
Nossa, estou encantada com sua interpretação!!! Parabéns, pelo excelente trabalho. Ajudou muito minha amiga no trabalo da faculdade onde tinha que fazer uma comentário sobre essa música. Ma ra vi lho so. Bju
Adriano, achei excelente sua interpretação.
Mas tem, na minha opinião, alguns pontos que penso diferente. Realmente é difícil discutir Chico e ao mesmo tempo fascinante. rs
Eu penso que ele se suicidou. Sim, uma tragédia à “Shakespeare”.
Porque, na minha tese, ele amou a mulher como se fosse a última, se despediu dos filhos como se não fosse vê-los mais, de uma forma diferente.
“Seus olhos embotados de cimento e lágrima”, esta lágrima, é pelo que estaria por vir. Ele não estava feliz, até por toda a situação social que você descreveu muito bem.
Bebeu pra tomar coragem.
Na segunda repetição da letra, ele diz “Tropeçou no céu como se ouvisse música”. E na outra “… como se fosse um príncipe”
E os agradecimentos de “Deus lhe pague”, para quem foram?!
Parte importante da música, aí a crítica maior contra a ditadura.
“… a certidão pra nascer e a concessão pra sorrir…”
“… por me ‘deixar’ respirar e por me ‘deixar’ existir…” nós simplesmente existimos, simplesmente respiramos, não precisa ninguém deixar…
Aí você vai na primeira música do disco, “Deus lhe pague”, se completam as críticas:
“… por este pão pra comer e este chão pra dormir…”
“…pela piada no bar e o futebol pra aplaudir…”
“…um crime pra comentar e um samba pra distrair…”
“…novela, missa e gibi…”
Todas frases que expressam o “pão e circo” em que o governo explorava grande parte da mídia “vendida” e procurava distraía o povão.
O governo do General Emilio Garrastazu Médici tinha o chamado “Milagre Brasileiro”, que prometia crescimento econômico recorde e baixa inflação. O país era campeão mundial de futebol e o slogan “Ame-o ou Deixe-o” era difundido por todos os lados.
Muito paradoxal com a música.
Lógico que esta visão é muito particular. O importante é discutir, agregar valores e novas visões. Reter o que é bom e válido.
Um abraço e parabéns pela sua visão!
Concordo 100%!
Um Gênio ! simplismente um Gênio !
PARABÉNS ADRIANO PELA ARTICULADA SÍNTESE DESSA MÚSICA QUE EU SIMPLESMENTE ADORO…
O título “construção”, tem algum outro significado, um significado figurado? qual seria?
adriano
sou professor da matéria educação e trabalho aqui em Recife, o tema da 4 unidade é “educação e cidadania: que relação é essa?”eu ia trabalhar a musica de chico e com certeza a sua interpretação da canção me ajudou bastante para elaborar as perguntas. parabéns e abraço.
Adriano, essa interpretação foi muito bem feita! Tenho só 11 anos, mas desde pequena meu pai me apresentava músicas do Chico e essa foi a que eu mais gostei. Sinceramente, o modo como ele faz metáforas o tempo todos, como ele só usa proparoxítonas no inal das frases e como troca as palavras fgazendo tudo fazer sentido, tudo isso é demais. Fora que ‘construção’ é praticamente um enigma e foi muito bom ter essa interpretação (quase uma tradução).
oi Adriano,
gostei muito também de sua interpretação de construção mas concordo com Hobberson quando ele diz que era um caso de suicídio e nao um acidente… os versos ficam claros em favor desse indício…
Gostaria de saber sua opinião a respeito afinal, foi vc o criador da discussão….Rs…
valeu!
Não faz o menor sentido interpretar uma música estrofe por estrofe. Já ouviu a Elis cantando essa música, depois de ter cantado “o rancho da goiabada” e imendando no som ao fundo de “gente é pra brilha”? isso é que é interpretação, quem precisa ler estrofe por estrofe. E não estou falando de interpretação no sentido musical, mas no sentido de vida, de sangue na veia. Me desculpe se pareço meio ríspida, é meu jeito. No fim das contas só estou querendo chamar atenção para o que pulsa. Isso se sente, não dá para interpretar. A sua leitura é asséptica e preconceituosa.
Eu discordo, Carlota,
Adoro MPB, adoro “sentir” as músicas. Mas sinto também por causa da poesia das letras. Para mim, entender o que uma letra fala, é essencial. Ninguém precisa ficar pensando verso por verso, como eu fiz, mas não estou lá apenas para ouvir a beleza das palavras sendo pronunciadas, mas a mensagem que ela transmite. Os bons letristas evidentemente pensam nisso.
Minha leitura não é preconceituosa. Ela é uma interpretação. Logo, não define todo o campo de abrangência da letra, mas segue uma linha de forma coerente que parece fazer um sentido, o que não exclui outros sentidos, nem os contraditórios (aí que está a beleza deste tipo de poesia).
Maravilhosa interpretação. Está de parabéns amigo Adriano.
Faço apenas a mesma referência que o Daniel Gomes, também vejo laços muito frágeis com a mulher.
Mas excelente essa visão toda da obra.
eu amei a interpretacão desse texto
Olá, Adriano
A sua análise era muito boa, mas, faltou uma obsrvação: o Sábado é o dia em que o pedreiro mais prefere trabalhar, ou seja, sua morte atrapalhou o seu Sábado; o dos outros seguiria indiferente.
Abraço!!
Impressionante! tenho um trabalho sobre este tema e vc me deu uma luz, ou melhor, o sol. Fiquei muito emocionado com sua interpretação.
Parabéns…
abraços….
Olá, Adriano!
Bonita interpretação espero um dia ter a capacidade de analizar dessa maneira tão inteligente.
abraços !
obs:tenho doze anos (gosto desse tipo de letra diferenciado)
Vou me arriscar a interpretar.
Pra mim a música não é linear, pois não se refere à mesma pessoa (o que é óbvio, pois só se morre uma vez).
A primeira pessoa, da primeira estrofe, parece ser alguém menos oprimido pelo cotidiano, que ainda valoriza coisas como os momentos com a mulher e os filhos, preocupado com a possibilidade de morrer naquele dia, o que o faz amar a mulher e os filhos como se não os visse mais. A presença da lágrima talvez não remeta diretamente a algum sentimento, mas sim ao cimento (que provavelmente fosse mais agressivo ao organismo que hoje, mas não passa de palpite), ao fato de estar desacostumado ainda com aquela série de violações às normas de segurança, cimento agressivo, uso de bebida alcoólica, andaimes pingentes. Mesmo assim, as paredes sólidas comprovam o empenho e a dedicação ao trabalho.
Daqui em diante é só palpite: a valorização do descanso e do que tem para comer (que só cresce nas estrofes seguintes), uma certa estranheza ao hábito de beber no trabalho, a alegria de dançar e gargalhar ligada à música… E então ele cai, atrapalhando o tráfego.
A segunda é uma pessoa já mais ambientada, que faz “paredes mágicas”, provavelmente assim chamadas pela rapidez com que surgem, regidas pelo desenho lógico dos tijolos, não mais mágico, ou seja, o gosto pelo trabalho vai cedendo lugar ao hábito de trabalhar. A sensação de segurança aparece mais vezes, pois, embora o tráfego embote seus olhos, em vez do cimento, ele já se imagina sólido, incapaz de cometer a bobagem de cair, que é presumidamente para iniciantes, subindo a construção. O alcoolismo já está mais latente, o passo bêbado rumo à construção é prova disso, a ação maquinal, ou seja, habitual, de beber e soluçar só a corrobora, e há até mesmo uma menção disfarçada à bebida no ato da queda (flutuou no ar como se fosse sábado, dia de descanso, de encher a cara e flutuar no ar). Confesso que não entendi o “passeio náufrago” nem “dançou e gargalhou como se fosse o próximo”. O “pacote tímido” provavelmente expresse o desejo de não querer causar estardalhaço com sua morte, pois já sabe o que vai acontecer: vai apenas atrapalhar o público.
O terceiro é alguém calejado no trabalho e na vida, que faz tudo de qualquer jeito: ama como se fosse máquina, beija como se fosse lógico, ergue paredes flácidas, acocora-se para comer (a posição mais próxima à que um pássaro fica quando está parado). O fato de flutuar como se fosse um príncipe talvez tenha ligação à queda como um pacote bêbado: uma última extravagância a que se permite antes de morrer, por estar provavelmente alcoolizado e não dar a mínima para mais nada, nem para a mulher, nem para os filhos, nem para o trabalho.
Complementando: a última estrofe faz menção ao que nos embrutece, o que faz o homem da primeira estrofe converter-se no da terceira.
Não estaria ele se referindo ao suicídio de Getúlio Vargas. Que caiu de cima daquilo em que ele mesmo construiu?
Não terá essa semelhança com “cálice”?
Excelente análise.
Sou professora de geografia, e sempre que posso trabalho essa música com os alunos.
Sobre o comentário da Carlota, acredito que a análise de uma música é fundamental para se compreender o momento histórico e os motivos que levaram o autor a escrever tais palavras. Por isso, sempre antes de trabalhar uma música com os alunos, eu os contextualizo sobre o período em que a música foi escrita, para que depois eles façam sua análise, pois senão fica a música pela melodia, mas uma música é composta também de letra.
Sensacional a interpretação da música. Meus parabéns.
Muito interessante a interpretação!
Nem preciso dizer que você é um ‘gênio’, afinal é só o que está escrito aqui, rs, só vou ressaltar que foi uma bela interpretação
Beijos.
gostei da interpretação, parabéns pela iniciativa.
Aliás, que site maravilhoso…
Eu ainda irei esrever uma música, antes de morrer. Preteno me basear no livro A METAMORFOSE, do kafka…
Será uma musíca tão interpretativa quanto esta do Chico.
Parabéns pelo trabalho!!!
Acho que as músicas são umas das poucas eranças boas( se é que assim posso dizer) que podemos ter do nosso país na época da ditadura!!
Infelizmente as músicas q fazem fama nos dias de hj são tão obvias, já que na democrácia nada é proibido, que nao usam mais a inteligncia para construí-las, tão pouco para interpretá-las!
Com tanta democracia e liberdade as vezes esquecemos do quanto foi difícil conquistá-la e não a damos o devido valor. Dessa forma músicos como Chico Buarque são esquecidos e desvalorizados.
Parabéns por não deixar esta cultura ser esquecida!!!
Gostei de sua análise e tenho usado parte dela para trabalhar com meus alunos do Ensino de Jovens e Adultos e é gratificante como eles se veem na letra da música.E mais impressionante é a admiração que passam a ter por Chico, um verdadeiro gênio da nossa música.
Gostei muito da interpretação. Estou trabalhando essa música com meus alunos de 3a série. Sei que é complexa, mas o que me surpreendeu é que eles adoraram e consiguiram compreender mais coisas do que imaginava.
Vou utilizar algumas reflexões da sua interpretação.
Parabéns
Uauu! Que análise bem feita, eu não conseguia enxergar tanto por de trás desta música! Você escreve muito bem, e Chico Buarque é um gênio.
Olá Adriano.
Hoje eu escutei essa música no rádio, não foi a primeira vez que eu a escutei, porém foi a primeira vez que ela realmente chamou a minha atenção. Tanto que eu procurei a letra e o vídeo da música. Quando eu achei no orkut, uma comunidade dessa música. Foi então, que eu conheci esse blog. E fiquei muito impressionada com a sua interpretação da letra. Eu não poderia pensar nem na metade da interpretação que você deu e que outras pessoas comentaram. Eu adorei a sua análise, o que me fez gostar ainda mais do Chico. Eu não poderia imaginar que poderia existir tanta coisa atrás de uma letra. E menos ainda ao ouvir essa música, eu descobriria esse blog tão interessante.
Parabéns…
Sucesso,
Bjus’
muito obrigado pela interpretação. estou no primeiro periodo do curso de serviço social, trabalho na saúde pública e nas horas vagas sou ator/bailarino. você poderia me dar dicas de músicas que falam de movimentos sociais? por favor! é trabalho pra facu. obrigado. abraço!
Eu amo essa música, acho ela incrível por ser simples e contundente com sua essência.
Parabéns pela sua interpretação, muinto interessante. E parabéns pelo blog, muinto bacana!
Nossa! Adorei esse site. Algumas observações a respeito da interpretação da música são comuns, mas o mais interessante é observar as opiniões diferentes. Muito produtivo!
Voltarei sempre!
Olá Adriano! Como fã do Chico me felicito ao ler sua interpretação de Construção e aproveito para agradecê-lo por esse texto maravilhoso, pois me auxiliou bastante na regência de uma aula de português numa turma de 5º ano (antiga 4ª série). Além de trabalhar a gramática em si (proparoxítonas) aproveitei sua interpretação para desenvolver os aspectos críticos e sociais da mão trabalhadora-explorada de nosso país.
Muito agradecida pela sua disposição em nos alegrar em meio à sua intelectualidade.
Passarei sempre a vista por aqui!
Abraços,
Nara Leite
Olá Nara Leite,
Fiquei muito lisonjeado pelo comentário. Espero ser útil sempre.
Apareça mais vezes,
Abraços,
Adriano
Ótima análise!
Aproveitar e convidá-lo a participar de minha comunidade no Orkut “Música em Debate”. Acredito que seja a comunidade mais séria e mais organizada sobre música em geral existente no Orkut.
Não sei se posso deixar link aqui mas lá vai… http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=99571151
Aguardo a participação de quem quiser somar lá conosco.
Valeu!
Abraços!
Acho essa música incrível e a análise fez jus. Belo trabalho, de verdade!
Nossa, parabéns pela interpretação. Eu provavelmente nunca pensaria dessa forma. Chico Buarque é realmente incrível.
Olá a todos os leitores,
Agradeço pelos comentários.
Muitos me pedem pela interpretação de “Cálice” e “O que será”, mas a tarefa de analisar as letras do Chico não é fácil e preciso estar bastante inspirado para tal. Embora tenha uma preferência muito grande por “O que será”, creio ser uma letra difícil de se interpretar pelo simples fato do objeto em questão estar em aberto. Há diversos sentidos para a música, e ficar interpretando verso por verso não faz tanto sentido, porque todos eles tem um sentido lógico muito claro, mas a razão, o motivo deles, só pode ser compreendido se se escolhar qual é o tema sobre o qual Chico discorre. Logo, creio que a interpretação ficaria muito arbitrária.
Quanto à letra de “Cálice”, é possível que eu faça uma interpretação dela, mas não posso estipular uma data para tal. Após muito tempo sem atualizar as interpretações, fiz uma de “Sabiá”. Espero que gostem.
Abraços,
Adriano
O texto é lindo, sua interpretação é perfeita! Mas veja que irônico, isso ocorre o tempo todo, e mesmo quem ouve Chico Buarque, como o bando de filho de papai, que nunca visitou uma favela em sua vida, haje desse modo.
Traduzindo… Saiu essa matéria no Estadão essa semana! Um absurdo! Isso se chama “processo de culpabilização da vítima”, que é quando a pessoa está lá no chão, morta (com sua casa pegando fogo), e mesmo assim, a culpada é ela, que está lá “atrapalhando o trânsito”. E os comentários no site do Ilustre Jornal, são ainda piores que a matéria.
Deem uma olhada:
Incêndios nas Favelas
A cidade foi tumultuada no fim da tarde dessa segunda-feira por moradores da Favela Real Parque, na zona sul de São Paulo, que protestavam contra um incêndio ocorrido naquele local, na última sexta-feira. Baderneiros tomaram de assalto ônibus lotados na Marginal do Pinheiros e os atravessaram na pista, bloqueando o trânsito. Houve pânico entre os passageiros e entre os motoristas que passavam pelo local, pois os manifestantes queimaram pneus e depredaram veículos. Os distúrbios só cessaram quando a polícia usou bombas de efeito moral para dispersá-los. A pista expressa da Marginal ficou interrompida durante uma hora e meia e o congestionamento perturbou o trânsito em grande parte da cidade.
A baderna foi organizada por um grupo de cerca de 50 delinquentes. (…) – Continua…
Desculpa o desabafo… Quem quiser ler mais, e os comentários ABSURDOS são imperdíveis… O endereço é:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100929/not_imp616989,0.php
Gostei muito da análise, até porque fui aluna de universidade pública na época do governo militar, e as músicas do Chico, do Jobim e do Vandré embalavam nossos movimentos estudantis.
Juntando o que a Débora e o JP escreveram, já ouvi dizer que as 3 estrofes retratam 3 visões diferentes de um fato: o dia a dia de um operário da construção civil, culminando com sua morte.
Na primeira estrofe é a visão do operário, na segunda, a visão do povo, e a 3ª, a visão do governo militar, que enxerga o povo apenas como marionetes incompetentes de seu grande teatro.
Mas gosto de complementar essa idéia, dizendo que o que Chico quer apontar são as mazelas oriundas da ditadura militar. E ele não poderia fazer de outra forma, ou seria censurado como aconteceu com Tamandaré, e tantas outra!
muito legal sua interpretaçao da música,
parece que voce mesmo a escrevel!!!!!!!!!!
nós achamos muito interesante a letra da musica.é muito triste
E muito boa a interpretação da musica, principalmente a do paparadoxo do cimento e lagrima, mas se deixa de prestar atenção para o fato de as ultimas palavras das frases, mesmo sendo proparoxitonas, a troca das diferentes palavras aleatoriamente daria o mesmo sentido à musica. O nome construção não significa somente a atividade do personagem contado na musica, mas que a musica pode ser construida independente da escolha da ultima palavra, o fim da historia seria o mesmo. A ultima frase, por exemplo, deve ser dado a enfase para o verbo atrapalhar, o fato importante, independente de ser o trafico, o publico, o sabado ou qualquer outro. O musica pode remeter ao sentido autoritario ou mesmo uma critica ao capitalismo, também fazendo uma ironia quando coloca (des)construção algumas vezes como nome da musica. Está musica tem um sentido amplo e pode comportar inumeras interpretações, dando a ela esta beleza. São musicas complexas como esta ou João e Maria, em que poucos encontram ideais revolucionarios frances na musica, são possiveis diversas interpretações.
Nossa, ótima interpretação da música. Muito obrigado.
Da onde foi que você tirou que trabalhadores da construção civil precisam beber para manter sua força braçal? Pirou?
Nossa, muito bom, gostei demais, sempre tive curiosidade de saber mais sobre as musicas de Chico Buraque e o cara era, realmente um genio, entre tantas qualidades … Parabens
[...] Chico Buarque – Construção julho, 2007102 comentários 3 [...]
OLÁ! olha tou passando só pra te agradecer;;; eu naum sabia da existencia desse seu blog e cai nele de para quedas..kskksksks!!!! Estou no fim do ensino médio e minha profesora passou um trabalho sobre chico buarque e confesso que eu nunka havia parado para ouvir nenhuma musica dele!!!! Tenho q adimitir q perdi muito ele é verdadeiramente um genio da musica braslileira. Ah! seu blog é um maximo e me ajudou muito eu tenho q apresentar tipo uma traduçao da musica construção e sei q vou conseguir pois adquiri muitas informaçoes valiosas;;;; Bjjjjjsss!!!
Uma leitura completamente intensa de uma das obras do Chico!
Quando ouvimos suas canções, principalmente essas que relatam a vida de um simples trabalhador, ou de uma pessoa comum, que vivia em meio ao sofrimento imposto pelo regime ditatorial, é como se estivesse vivendo aquele momento pessoalmente.
Tenho apenas 17 anos, porém, sou apaixonada pela Literatura Brasileira, em especial, Chico Buarque.
Nós, mais jovens, sabemos através de estudos a dor e a agonia que a Ditadura ofereceu à muitas pessoas. E quando temos oportunidade de ver pessoas que mostram uma total contradição à esse ato de forma tão intençã, tão genial, somos totalmente gratos.
Sou fã do Chico e da sua obra!
E, um super parabéns pela análise.
Olá Adriano,
Estou fechando um trabalho de Conclusão de Curso de Pós e proponho uma análise da obra de Chico Buarque; achei formidável o seu Blog e gostaria de compartilhá-lo com os alunos.
Gostaria de ver em seu blog análise de “APESAR DE VOCÊ’ E ” CÁLICE ” ou ainda outras músicas da época da repressão militar .
Um grande abraço,
Alice
JP
li muitas criticas sobre essa musica e eu particularmente acho a sua a mais precia, o que realmente a música quer passar
lembro que a primeira vez que ouvi essa música foi em uma aula de português na terceira série e a professora pediu para analisarmos, é claro que qualquer baboseira servia, ela só estava nos apresentando essa magnifica música mas tive, basicamente seu pensamento, claro que ne um pouco lapidado…
na verdade foi mais um: “a ‘degradação’do homem em vista da sociedade”
só mais tarde fui entender o que pensei da música
aa, sou meio de lua
queria comentar mas acabou a vontade
amigos uma otima semana
Gostei muito da leitura e reconstrução da letra. kkkkkkkkk
e gostaria se você sabe de algum site ou algum estudo que fale das letras nacionais que segue a mesma cadencia, tipo. que tenham metrica “perfeita” que sejam relamente letras bem trabalhadas intelectualmente.
Desde já agradeço.
Douglas Martorelli
[...] http://letrasdespidas.wordpress.com/2007/07/12/chico-buarque-construcao/ [...]
muita linda demais sem palavras
Gostei muito da leitura.
olha vão tomar no cu
Que deselegante…
Olá Adriano!
Gosto muito dessa canção e de várias outras do Chico Buarque. São letras belas e inteligentes. A análise está perfeita, escrita de forma simples, chamando atenção para detalhes que para nós, leigos, passam desapercebidos. Parabéns!
Um abraço.
Elione
Ops… correção
Despercebidos no lugar de desapercebidos.
Eu agradeço a todas as pessoas que deixaram uma ou outra interpretação aqui para essa música. Muitas são realmente interessantes. Eu gostaria de saber se O próprio Chico Buarque alguma vez expressou alguma exegese específica dessa sua obra.
Após muito tempo ouvindo a música, e mais ainda refletindo sobre ela, minha leitura da letra é mais simples do que a maioria. Não consigo ver nela a idéia do trabalho sendo levado pelo operário após a sua morte, nem perfis substancialmente diferentes para cada um dos “trabalhadores” narrados na música. Creio que o cerne dela está naquilo que quase todos aqui concordam, e que já havia sido claramente retratado pelo autor da análise original nesta página: a narrativa descreve um dia sofrido da classe social trabalhadora explorada pelos estratos mais próximos do poder, e contém ainda uma ácida referência à nossa omissão. Tudo isso, creio, todos vemos. Mas tudo isso também está contido na primeira parte da música. Por que mais duas então?
As outras partes variam sempre (ou quase sempre) a última palavra – a proparoxítona. A primeira é “última”, e as demais seguem descrevendo temporal (atravessou a rua, ergueu quatro paredes, etc) e psiquicamente (como se fosse, como se ouvisse, etc) o desenrolar da narrativa.
A vida descrita nas outras partes, penso, descrevem o mesmo problema, a mesma situação, enfim, o mesmo papel social, mas não o mesmo indivíduo. O que essa letra faz melhor é precisamente humanizar o homem trabalhador, notadamente na construção civil, e me parece que há uma narração de três vidas separadas pela indivdualidade, mas unidas na singularidade de seu papel de vítima social.
Assim, só os dois primeiros têm filhos, o segundo tem outra(s) mulher(es), só o segundo tem problemas com o alcoolismo (o primeiro “tropeçou no céu como se fosse um bêbado” e o terceiro “se acabou no chão feito um pacote bêbado”), e talvez outras interpretações específicas de cada um sejam possíveis, mas creio ser necessário levar-se em conta que o autor da música também foi forçado a um compromisso para manter a estética da composição e limitando-se a usar as mesmas proparoxítonas finais.
De toda sorte, a variacão das proparoxítonas é suficiente para conferir individualidade a cada um dos “protagonistas”, mas fez muito pouco para mudar o destino deles todos, o que, me parece, era justamente a intenção do compositor.
Adriano, sua interpretação está excelente! Estava pesquisando a letra da música para colocala no meu blog e me deparei com suas maravilhosas palavras despidas. Até coloquei seu link no final do meu post. Muito obrigado e continue assim!
Olá Adriano, muito boa sua interpretação, eu amo essa música.
pra ser sincero as vezes me alimento da música de Chico Buarque pra
contornar o dia e essa sua interpretação só enriqueceu pra mim o sentido da letra.
Obrigado.
adorei era tudo q eu precisava
e a letra mi faz refletir muito na vida apesar de ser muito triste
EU SEMPRE FICAVA MUITO TRISTE QUANDO OUVIA ESSA MUSICA, POREM NÃO CONSEGUIA ENTENDER. MAS IMAGINAVA SIM DO QUE SE TRATAVA.
ESSA É UMA REALIDADE, QUE, SE TODOS QUE PUSERAM COMENTÁRIOS COMEÇASSEM A SE PREOCUPAR EM MUDAR COM CERTEZA, ISSO ACABARÁ UM DIA.ESSE DESCASO QUE NÃO FOI SÓ NO TEMPO DA DITADURA NÃO, HOJE EM DIA EXISTE SÓ QUE DE FORMA MAIS CAMUFLADA.AQUELA EXPRESSÃO ” PRA ENGANAR A TORCIDA”. MAS O DESCASO ESTÁ AÍ. UNS COM TUDO OUTROS COM NADA. EU ACREDITO QUE A EDUCAÇÃO SEJA UM BOM COMEÇO, PARA ESSA MUDANÇA, MAS EDUCAÇÃO DE VERDADE! E NÃO DE FAZ DE CONTA, PARA ISSO SE FAZ NECESSÁRIO TODOS NÓS REFLETIR E AGIR. NÃO FICAR SÓ ASSISTINDO COMO SE NÓS NÃO ESTIVÉSSEMOS NO MESMO PLANETA!
Parabéns pela análise, muito detalha e explicita!
Realmente Chico Buarque é crânio!
Eu particularmente não vejo como um suicídio… o trabalhador da construção é um ser genérico, representando todos os trabalhadores que morrem todo dia em qualquer profissão… um detalhe que acho que não foi comentado é a possível ironia do título da canção: Em construção, eu vejo Chico desconstruindo a objetividade da narração (“Seus olhos embotados de cimento e tráfego” é mais subjetivo que “Seus olhos embotados de cimento e lágrima”). Não vejo as três estrofes como referentes a pessoas diferentes. São a mesma história, da mesma pessoa, mas uma pessoa genérica, que ama daquela vez como se fosse a última, como se fosse o último e como se fosse máquina.
Mesmo não achando que a intenção original era de ter um indivíduo diferente em cada estrofe, tenho que admitir que a interpretação do Francisco Almeida admite essa possibilidade muito bem. Se a minha interpretação não foi o que o Chico quis dizer, tenho quase certeza que é essa.
Obrigado, Bruno. Creio que nossas interpretações são bastante semelhantes.
Que fontes tu usa para elaborar tua interpretação, Adriano?
Cara, eu sempre gostei das músicas do Chico, mas, ouvia meio q por tabela. Agr q eu to indo atrás das músicas dele, vejo q era mto melhor doq eu achava. Eu não conseguia interpretar as letras antes, acho q não tinha conhecimento nem maturidade suficiente pra isso, então eu só apreciava o instrumental, mas, depois q comecei a entender, fiquei fascinada com tamanha poesia, ele transforma histórias de uma vida inteira, tristes ou alegres, dramáticas ou não, em arranjos completos, exalando sentimentos, para serem decifrados, compreendidos e compartilhados.
Desculpa se eu falei alguma besteira, sou só uma adolescente feliz à procura de musica boa hahaha.
Bjs.
[...] http://letrasdespidas.wordpress.com/2007/07/12/chico-buarque-construcao/ [...]
Como uma autêntica “chicólatra”, estou simplesmente maravilhada com tantas visões diferentes, que eu nem imaginava, a respeito desta música daquele que, a meu ver, é um dos maiores gênios de todos os tempos. Parabéns, de verdade, a todos, exceto àqueles que não conseguem perceber tamanha genialidade rss
parabens, otimo o texto… achei realmente bacana, acho que faltou comentar mais sobre as mudanças de sentido das frases simplesmente pela troca da ultima palavra… por exemplo, “e cada filho teu como se fosse o único” com “e cada filho teu como se fosse o pródigo”, é de uma sutileza e sensibilidade espetaculares, que mudam totalmente o sentido e direcionam para um outro entendimento, sempre na direcao dessa vida de descaso, de inversao de valores, de valorizacao, submissao e indiferença do ser humano… a estrofe 1 é a situacao lógica e regrada e fria conforme a sociedade está estruturada, e ai ele mete as estrofe 2 e 3 com simples mudanças de palavras, e mostra a sociedade numa realidade mais crua, real, explicitando a falta de lógica e valores da sociedade de hoje… coisa de gênio!! e alex, parabens novamente, gostei muito do que voce escreveu, abraços
obrigada vc me ajudou com o trabalho da escola!