O último livro que eu li foi “Mãe coragem e seus filhos” do Bertolt Brecht. É uma peça bem curta até.
Bertolt Brecht nasceu em 1898 na Alemanha, Augsburg. Ele escreveu bastante sobre a guerra e “Mãe Coragem e seus filhos” é uma das peças mais fortes anti-guerra. Mesmo tendo dinheiro ele se preocupou bastante com os pobres, e você vê isso nas poesias e peças dele.
Helene Weigel como mãe coragem, a melhor interpretação que existiu
Mãe coragem e seus filhos se passa durante a Guerra dos Trinta Anos, onde a Mãe coragem (Anna Fierling) puxa uma carroça com suplementos para soldados, desde sapatos à salsichas. Ela vai andando vendendo o que tem e vivendo a “rotina” na guerra. Embora a história seja bem triste o livro por si não é, ele escreve de um jeito sarcástico que não deixa o leitor muito triste. A Mãe Coragem é uma personagem bem complexa, você fica achando que ela não tem coração algumas vezes e outras acha que ela é tão batalhadora, é estranho esse sentimento de “não gosto de você, mas te admiro”. Acho que o leitor não pode julga-la tão mal, pois ela estava em uma situação muito ruim.
Ela tem três filhos de três pais diferentes. O mais velho é o Eilif, o primeiro a ir para guerra, e o penúltimo à morrer. O segundo mais velho é o Queijinho, ele é muito honesto e morre um pouco como um mártir (eu gosto dele) e a mais nova é a Katrin, que é a última à morrer, ela salvou a vida de um monte de gente, e definitivamente morre com honra.
Como eu li em inglês não tem como colocar partes da peça aqui, o que é uma pena.
Outra interpretação, mais nova.
Mas eu irei traduzir uma parte na qual ela (Mãe coragem) fala como ela conseguiu esse apelido.
“They call me Mother Courage because I was afraid I’d be ruined, so I drove through the bombardment of Riga like a madwoman with fifty loaves of bread in my cart. They were going moldy, what else could I do?”
“Eles me chamam de Mãe Coragem por que eu tinha medo de estar arruinada, então eu dirigi atravez do bombardeamento de Riga como uma louca com cinquenta pães no meu carrinho. Eles estavam estragando, o que mais eu poderia fazer ?”
Você fica com a dúvida. Será que aqueles que apelidaram ela de Mãe Coragem queriam fazer uma brincadeira pois ela era uma covarde, ou eles acharam realmente que ela fez um ato corajoso ?
Mas que ela é corajosa isso é. A última cena é muito bonita, pois mostra como ela sempre continua com a vida, mesmo com todos os obstáculos.
Na peça ela e outros personagens como o Cozinheiro e o “Padre”(não é muito bem um padre, é só um líder religioso), conversam sobre a paz, e muitas vezes dizem que a paz não é boa, e é muito interessante ler uma peça anti-guerra com esses tipos de diálogos, o Brecht não simplesmente escreveu uma peça onde uma mãe sofre e seus filhos morrem, ele escreveu uma peça onde há diálagos a favor da guerra, e uma mãe que parece não ter sentimentos às vezes, e essa é uma mulher que sofre, ele não escolheu um personagem que todos iriam amar fácilmente.
No final, se você ler bem percebe que esse livro fala do conformismo e a razão por que existe guerras. O que é bonito de se ler, é quando você entende o apelido Mãe Coragem atravez dos filhos dela, você tem noção que aqueles personagens foram criados por ela, eles não poderiam ter sido criados por outra pessoa.
A pergunta que fica no começo some depois “Quem é mãe coragem?”, ela é tudo o que os filhos mostram.
Bem, nem preciso dizer que eu recomendo esse livro. Ele é muito bom. Você tem que analisar as coisas por que está tudo entre linhas. Acho que se eu assistisse a peça iria chorar…É muito bom, leiam !
[...] a ela. Fazia alusão ao fascismo em diversas obras, como em Terror e miséria do Terceiro Reich, Mãe Coragem e Seus Filhos e comparava Hitler a um pintor de paredes. Com muita influência do comunismo, embora desgostasse [...]
[...] a ela. Fazia alusão ao fascismo em diversas obras, como em Terror e miséria do Terceiro Reich, Mãe Coragem e Seus Filhos e comparava Hitler a um pintor de paredes. Com muita influência do comunismo, embora desgostasse [...]