Dizem que o Brasil é um gigante adormecido; eu prefiro dizer que o Brasil é um gigante embriagado. Ou melhor, o gigante embriagado.
Embriagado por tudo aquilo que não nos deu certo, por todos os seus fracassos sociais, econômicos, culturais.
Embriagado pelos políticos corruptos, que nos envolvem num trapo sujo e rasgado, nos deixam com um ar de mendigo bêbado.
Embriagado pela mídia, pelos publicitários, pela porcaria que passa 25 horas por dia na TV.
Embriagado pelo povo! O povo embebeda o nosso país com tanta bobagem que faz, tanta inutilidade que pensa. O povo coloca um funil na boca do Brasil e entorna uma garrafa de alguma bebida que socialmente desce rasgando na garganta. E não estão nem ligando para a ressaca nacional.
Não é de se admirar que o nosso Brasil cambaleie em tropeços colossais.
A história da política alcoólica
Os índios estavam aqui e nem sabiam que praticavam o desenvolvimento sustentável. O português já chegou bêbado! Aí começou aquela dominação cultural. Os brancos embriagaram todo mundo. Logicamente, pelo fato da bebedeira estar transbordando na Europa, vieram passar umas canecas para as Américas. Sob a figura da libertação, tanto os tupiniquins quanto os americanos foram expandindo suas fronteiras. Lá nos EUA, o álcool humanóide começou a ser derramado rumo ao Velho Oeste. Aqui, eram bandeirantes e jesuítas brigando para escravizar o índio: o primeiro, pela sua mão-de-obra; o segundo, pela sua “fé de sobra”. Resumindo: motivos econômicos.
A sociedade foi crescendo e a nossa gota de problemas foi virando um engarrafado de encrencas. A colonização que Portugal nos submetia, com a subordinação a João-não-sei-qual-algarismo-romano. Até rolavam umas brigas de bar interestaduais e a tal da independência. Até hoje, quanta coisa nos aconteceu!
Era a cachaça do Pedro I; o porre das regências; a pinga do filho do imperador; o café-com-leite na mamadeira dos republicanos; a aguardente semifascista de Vargas; os copos populistas de Dutra, JK, Jânio Quadros, Jango; o coma alcoólico de Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel, Figueiredo (esta fase foi um coquetel: rolou de milagre a uma balinha de bar chamada DOPS); o micróbio de ressaca da barriga do Tancredo; as entornadas de Sarney, para que o Brasil dê certo; o grande tropeço do Collor; o andar estonteante de Itamar; a dose dupla de FHC e agora a segunda rodada de Lula frita na manteiga popular. O Brasil é mesmo o gigante embriagado.
Fatos consumados e consumidos
É truco! Garçom, traz mais uma! Pede seis? Desce! A bebedeira dos engenheiros que fizeram a cratera na Marginal! E a represa que estourou. Os aviões que não saem do chão, e quando saem, se não vão de encontro a algum Legacy, escorregam quando chegam em Congonhas. É Boeing 737-700, é Focker 100, é o Brasil que nos focker cem perdão! O paraíso tá boiando no álcool. E o Saddam que foi enforcado? O casal Renascer preso nos EUA, o Oriente Médio em deriva numa mistura de sangue e petróleo. O Bush perdeu apoio. Que confusão! Desce mais uma! Uma porção de camarão. Que porre!
Diálogo de Bar
Veja o lado bom, o Genérico deu certo. O Fome-Zero não. O coquetel anti-aids é referência global. A única coisa global é o aquecimento. Cazuza e Renato morreram. Faz tempo. João Gilberto descobriu uma filha de 2 anos. Pára, ele tá bem velhinho já. E daí? O Roberto Marinho também. Não fale mal do nosso segundo presidente! 25 anos sem um símbolo da MPB, quem era mesmo? Sei lá, passou na Globo. Me vê mais uma! Alguém foi preso por roubar 4 filés. Hum… onde você viu isso? Não sei, em algum lugar da TV. “Neste país que alguém te disse que era nosso”. Uhum.
Qual é o novo best-seller? Sei lá, o Caçador de Pipas talvez. Ainda? Pode ser. Será que não vão inventar o Sede-Zero? Nem me venha com a Lei Seca. É o contrário! E o PAC? Que isso? Do Lula. Hum, não conheço. O PAC ou o Lula. O PAC! Eu votei no nordestino! E daí, isso não significa que você o conheça. Enfim, o PAC é um bagulho para acelerar o crescimento. Mas vão esperar o bolo crescer para dividir? Bom, o Delfim Neto voltou. Então é melhor pôr bastante fermento, porque tem muita boca para alimentar e muito bolso de político a preencher. Quem sabe. Se seguir a tradição, continuaremos com o pé na jaca. “Pé na jaca”, a novela da Globo? Não, a expressão mesmo. Ah tá, desce mais uma para comemorar! O quê? Sei lá, alguma coisa boa, a nossa vida!
Se isso tudo for baseado em fatos reais, então está indiscutivelmente comprovado que o Brasil está atolado nos erros que minuciosamente construiu. Não há mais dúvidas de que o Brasil é o gigante embriagado! Vamos brindar a isso?
Postado por Adriano