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Olá leitores despidos,

Apenas notificando a saída de Mateus Marcelini, que colaborou com o nosso blog nos últimos meses. Para quem quer acompanhar as publicações dele, atualmente ele participa do blog Informarte, no seguinte endereço: http://informarteblog.blogspot.com/

Por opção do Mateus, todos os seus textos foram retirados do Letras Despidas.

Sem mais,

No capítulo anterior, vimos como Getúlio Vargas entrou no poder, na Revolução de 30, chegando até o Estado Novo. Na música, o samba foi ganhando uma outra face, com destaque de Noel Rosa. Veremos as novas mudanças na política e na música a seguir:

A renúncia de Getúlio Vargas

Início de Segunda Guerra Mundial, e o Brasil ainda não havia definida qual lado apoiar. Para conseguir um empréstimo que seria usado na construção da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), Vargas deveria apoiar os Aliados. Por outro lado, por governar de um modo ditatorial, bastante nacionalista, seria mais coerente apoiar o Eixo, com o qual possuía certa simpatia ideológica.

Getúlio Vargas

Getúlio Vargas

Deu que Vargas se aliou aos Aliados, que venceram a guerra em 1945. Resultado: incoerência. Leia o trecho abaixo do Manifesto dos Mineiros para entender as críticas a Vargas:

“Se lutamos contra o fascismo, ao lado das Nações Unidas, para que a liberdade e a democracia sejam restituídas a todos os povos, certamente não pedimos demais reclamando para nós mesmos os direitos e as garantias que os caracterizam… Queremos liberdade de pensamento, sobretudo o pensamento político…”

Marcaram-se eleições em 1945. Getúlio lançou o seu candidato oficial: Eurico Gaspar Dutra, que viria a ser o próximo presidente. Na oposição, foi criada a UDN (União Democrática Nacional), que lançou o Eduardo Gomes. Havia outros candidatos de outros partidos também.

Luís Carlos Prestes, que ajudou com a entrada de Getúlio, lançou uma campanha para o mesmo continuar, cujo lema foi “Queremos Getúlio”, e ficou conhecido como Queremismo. Com medo de um novo golpe de Vargas, dois generais organizaram um golpe militar ao Palácio do Governo. Para não ter que se exilar ou perder direitos políticos, Vargas renunciou.

Meu Brasil brasileiro

Ary Barroso

Ary Barroso

Em contraste com o clima de guerra, algumas canções foram lançadas exaltando as qualidades do país, como a conhecida Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, lançada em 1939. Veja o vídeo atual abaixo, com interpretação de Gal Costa acompanhada de um conjunto e de uma orquestra regida por Wagner Tiso.

Na mesma época, foi lançado um fenômeno brasileiro no exterior. Na realidade, ela não era brasileira, era portuguesa, mas simbolizava o lado tropical do Brasil de uma forma muito marcante, conhecida pela figura dos balangandãs pelo corpo e frutas sobre a cabeça: Carmen Miranda. Em 1939, ela viajou aos EUA para fazer uma temporada na Broadway.

Carmen Miranda

Carmen Miranda

Seu primeiro sucesso, Taí, tinha a cara do carnaval, sendo lançado em 1930. Tornou-se a portuguesa mais brasileira ao interpretar O que é que a baiana tem?, de Dorival Caymmi. Depois de voltar dos EUA, já na década de 40, foi recebida com críticas nacionalistas. Em resposta, lançou a canção Disseram que eu voltei americanizada. No vídeo abaixo, assista a uma interpretação do choro Tico-Tico no Fubá de Zequinha de Abreu, na voz da “pequena notável”:

A redemocratização

O Brasil teve um período de democracia após a renúncia de Getúlio Vargas, que deu um fim ao Estado Novo. Por outro lado, não muito tempo depois, houve o Golpe de 64, que instalou a ditadura militar. Neste curto intervalo de tempo, muita coisa aconteceu.

General Dutra

General Dutra

O general Dutra (1946-1951) foi eleito. Em termos econômicos, ele foi um desastre. Abrindo as importações, gastou as reservas cambias acumuladas por Getúlio em mercadorias supérfluas. Além da crescente inflação, aumento de custo de vida e congelamento salarial. Lançou o programa SALTE (Saúde, Alimentação, Transporte e Energia), que não saiu do papel.

No governo Dutra, a aliança entre Brasil e EUA aumentou, abrindo o nosso país para o capital estrangeiro. Na ressaca pós-guerra, em meio a uma nova guerra, a Guerra Fria, Dutra nos aproximou dos norte-americanos e cortou relações com a URSS.

No próximo texto, vamos ver a mudanças que começariam no país, com o retorno de Getúlio Vargas e o início de uma revolução na música brasileira: a pré-bossa, que antecedeu por alguns anos a bossa nova.

No artigo anterior, discuti a questão da legitimidade e necessidade de uma greve, como a que está ocorrendo atualmente na Universidade de São Paulo (USP), por funcionários, professores e estudantes. Neste texto, vou explorar uma das reivindicações estudantis: a expulsão da Polícia Militar (PM) do campus da Cidade Universitária.

Todos sabemos que a PM, pelo menos a paulista, é despreparada, principalmente para questões que envolvem civis. Basta ver os diversos desastres que aconteceram por ação policial nos constantes crimes na capital paulista. Na USP, guardadas as proporções, não foi diferente. Diversas pessoas não envolvidas na manifestação de terça passada sofreram as consequencias dos gases de efeito moral, sem contar os disparos de balas de borracha em um local movimentado, inclusive frequentado por crianças que ali estudam.

Polícias versus estudantes na Cidade Universitária

Polícias versus estudantes na Cidade Universitária

Não vou negar que muitas das práticas, que inegavelmente envolvem certo grau de violência, como piquetes e bloqueios aos portões de acesso (veja o artigo anterior) partem de minorias que decidem pela greve e votam por estas práticas. A questão é que a reitora Suely Vilela é incapaz de negociar ou discutir com os estudantes, o que a leva a pedir pela intervenção policial.

O governador José Serra, quem escolheu por essa reitora, disse que não houve excesso no tratamento da polícia, justificando que apenas estavam seguindo um mandado judicial, isto é, obedecendo a ordens. Lamentável a opinião de Serra, pois pode-se solucionar problemas das mais variadas formas, inclusive pela violência. Isto, por si só, não justifica um ato.

É difícil saber até que ponto a polícia agiu de maneira incorreta ou se foram os estudantes que provocaram, porque cada um vai defender o seu lado. É claro que, após o início dos ataques policiais, os estudantes também se defenderam de forma mais intensa, atacando pedras, inclusive. Uma imagem bastante interessante foi um estudantes batendo no escudo policial com um livro.

Estudantes fugindo das bombas de efeito moral

Estudantes fugindo das bombas de efeito moral

De qualquer forma, deveria ser evitada a presença da PM na universidade como maneira de solucionar problemas como greve e manifestações, porque o que os estudantes querem não é acabar com a polícia paulista, e sim debater pautas que motivaram a greve. A força da polícia, que se resume a reprimir as ações, não resolve o problema, pelo contrário, atiça o fervor. Deve-se lembrar que os estudantes e professores só entraram em greve depois que a tropa de choque se fez presente na universidade. Até então, apenas os funcionários estavam em greve, por outros motivos.

Sem partir para o lado ideológico (“a volta da ditadura”), que só tira o crédito do movimento estudantil e o transforma num sensacionalismo tal qual o midiático, são dedutíveis as razões para achar desnecessária uma ação policial no grau que ocorreu. Por outro lado, poderia vir dos próprios estudantes um alerta para as minorias que praticam ações, por vezes violentas e radicais, que também são responsáveis, em parte, por conflitos como o que vimos semana passada.

Acabei de ser assaltado, juro. E ainda digo que assaltaram a pessoa errada. Há poucos metros de entrar no meu condomínio, num trecho escuro, três (ou serão quatro?) rapazes, um deles armado (não sei se de verdade), me pararam e pediram meu celular, minha mochila e minha blusa. Em suma, o que eles roubaram:

- Celular da Nokia, operadora Vivo, um modelo antigo que há quatro anos custava R$ 200,00 e agora deve estar uma pechincha. É monofônico e o visor nem é colorido. Tem antena e o jogo da cobrinha;

- Mochila da Fico, contendo uma pasta com uma foto do neto da minha orientadora de Iniciação Científica, que eu ia usar para fazer um retrato e dar de presente de aniversário; o livro Benjamin, do Chico Buarque, lido até a página 51; o livro O Segundo Sexo, da Simone de Beauvoir, que tinha acabado de comprar na Livraria Cultura (R$ 87,00, é uma bíblia de quase mil páginas!); dois filmes que tinha acabado de alugar (Estorvo e Vicky Cristina Barcelona); dois bonecos em miniaturas que coleciono, um do Vinícius de Moraes e um do Machado de Assis; um MP3 player antigo de 1GB da marca Sony falsificado e coisas pessoais (escova e pasta de dente, lenço de papel, guarda-chuva, Halls sabor menta)

- Meu agasalho de moletom da cor preta, com um lenço usado no bolso porque estava meio resfriado.

Assaltaram a pessoa errada. Não sou aquele jovem que anda com gadgets de última geração, como iPod, MP10 e celulares modernosos. Meus assaltantes vão ter que se contentar, basicamente, com um livro feminista.

O que tinha de mais útil na minha mochila, sinceramente, era a escova de dente, que já estava meio velha. Os demais itens vão ser jogados fora. Para eles, não tem valor nenhum. Se ainda eles lessem, eu até me sentiria bem.

Eu poderia vociferar xingamentos como todo “classe média” faria, defender redução da maioridade penal, exigir exército nas ruas, propor uma cisão social. Mas não vou. Eu poderia botar a culpa no capitalismo pela marginalização de adolescentes. Ou eu poderia concordar com essa situação e dizer que eu, tendo uma condição de vida melhor que a deles, faço parte do grupo dos exploradores, e logo, estou colhendo o que plantei, passando a mão nas suas cabeça.

Eu poderia desejar o mal para eles, “que eles tomem um tiro e morram”. Ou desejar uma salvação redentora, “espero que aceitem Jesus, que os perdoará”. Mas não vou. Não estou afim de pensar nisso ou entender o que está por trás. Satisfeito não estou, é óbvio, tampouco dou razão a esta situação. Há tantos outros problemas, ainda maiores que esse, que agora só posso lamentar por terem sequestrado a Simone. De resto, vai-se levando.

Ultimamente a Universidade de São Paulo (USP) tem estado em greve de funcionários, professores e estudantes, com a reitoria ocupada. Ontem o portão principal da universidade foi bloqueado por grevistas e manifestantes, o que terminou em conflito entre estudantes e policiais.

Representatividade: moral ou legal?

Falando sobre os estudantes, entre os quais me incluo, digo que o Movimento Estudantil ou, de modo geral, as assembleias que definem manifestações, não representam todos os estudantes da USP, e sim aqueles que se filiam, que se aliam, que acatam ou que participam do movimento.

Até porque não me lembro de ter assinado, quando ingressei no meu curso, nenhum documento dizendo que minha posição deveria se subordinar à opinião da “maioria representativa”, que não é nem maioria, porque de fato de não é, nem representativa, porque não existe uma representatividade legal.

Manifestação na USP

Manifestação na USP

A decisão de acatar ao movimento parte de uma iniciativa moral, e não de uma obrigação legal. Logo, não são legítimos, tampouco democráticos (como eles gostam de chamar), as manifestações violentas que partem de estudantes contra a sociedade e contra os demais estudantes no geral. Isto se traduz em bloqueios aos portões ou piquetes em salas de aula.

Greve e protesto

A greve, por si só, não é uma forma de protesto. É senão uma forma de viabilizar, de facilitar, outras formas de protesto. A sociedade sustenta a USP e deve, pois, esperar um resultado. Não sou contra manifestações, pelo contrário, mas deve-se pesar até que ponto estes atos significam retornos positivos à população, ou se são meros reflexos de questões internas.

Porque parar a aula por parar, ou fechar o portão por fechar, não faz sentido. Que diferença faz se o aluno está assistindo à aula ou não? Por que se deveria entupir corredores com carteiras apenas para impedir o acesso? Não vejo valor na greve pura, no piquete à toa.

Polícia dispersa estudantes

Polícia dispersa estudantes

Dizem que uma greve parcial não tem crédito, mas qual seria o crédito de alunos fora da sala de aula. Isto não significada nada pros estudantes e muito menos para a sociedade. O que é diferente de um hospital parar, de um terminal rodoviário parar. Mas a USP é tão interiorizada, que não chega a ser relevante.

Seriam mais significantes passeatas, manifestações à vista da população. Os grevistas afirmam que isso só será possível na greve. Então nem deveríamos ter aula, porque o protesto deve ser constante, e não esporádico, aparecendo aos demais como um conflito, uma violência, às vezes incluindo depredação de patrimônio público.

Como disse, a greve ajuda a viabilizar o protesto, mas não o define. A USP poderia ser mais participativa em muitos outros aspectos, não precisaria levantar as bandeiras da greve e todas as suas variáveis (piquetes, bloqueios etc), que muitas vezes faz o movimento se resumir a atos indesejados, levando-o ao desfoque ou no mínimo ao desprestígio.

OBS: as reinvicações estudantis são: contra corte de verbas para o ensino superior, contra um curso à distância em implementação na universidade, contra a presença da Polícia Militar no campus da Cidade Universitária.

Essa é uma pergunta que quase todos já deram um palpite. Dizem que responder a essa pergunta é o primeiro passo para discutir aborto, pesquisa com células-tronco, manipulação de embriões. Eu discordo. Vou tentar mostrar neste texto a minha visão sobre o começo da vida e qual a importância disso para a discussão do aborto.

A vida se inicia, de fato, na fertilização, isto é, no encontro dos gametas (espermatozóide e óvulo). Antes disso, existem apenas os gametas, que são células com a metade do material genético de um indivíduo, logo, são impossibilitadas de gerarem vida sozinhas. Por isso eu digo que o início do desenvolvimento da vida parte deste encontro, mas este por si só não define uma vida.

Porque não adianta ter um embrião se ele não conseguir continuar seu desenvolvimento. Se ele não se implantar na parede do útero, será descartado, encerrando a vida que havia começado. Se ele não desenvolver sistema nervoso, circulatório ou qualquer outro, também morrerá. Se ele estiver pronto e, numa situação hipotética, não sair do útero da mãe, também não adiantará.

Um pequeno embrião humano.

Um pequeno embrião humano.

A vida se compõe dessas pequenas etapas: inicia-se na fertilização, continua na implantação, desenvolvimento de órgãos e sistemas e nascimento. A partir daí, o seu destino dependerá do comportamento da mãe, e não mais da sua biologia. Isto quer dizer que se uma mãe quiser interromper a vida do filho recém-nascido, basta não amamentá-lo. Mas esta mesma mãe não conseguiria interromper o desenvolvimento de sistema nervoso.

Quando se discute aborto, tenta-se mascarar a discussão. Os católicos, por exemplo, definem que a vida começa na fertilização e pronto, tudo o mais já é vida. Isto é uma bobagem, porque eu posso pegar células do seu corpo e mantê-las vivas em laboratório. Elas têm vida? Sim, possuem material genético, se multiplicam, têm metabolismo etc. Elas são uma vida? Não, porque não dariam origem a um organismo.

Os cientistas, no geral, dizem que a vida começa quando há formação de sistema nervoso. Também não faz sentido. O que há antes disso então? Um bolo de células e mais nada? Pode não ter um sistema nervoso desenvolvido, mas tem o programa e todas as ferramentas para formá-lo, é só uma questão de tempo. Ele está latente, esperando chegar no momento certo para ser desenvolvido. Logo, existe vida antes dele.

Onde quero chegar com isso? Quero mostrar que o debate do início da vida não é importante para se legalizar ou não o aborto. Interrompendo o desenvolvimento do embrião quando há apenas uma célula, ou do feto com oito meses, se estará fazendo a mesma coisa: interrompendo uma vida, ou se preferir, uma vida em potencial.

Slogan sobre aborto.

Slogan sobre aborto.

Sou favorável ao aborto, mesmo sabendo que se estarão interrompendo vidas. Não posso ser hipócrita, mascarar uma realidade. Dizer que a vida começa quando há sistema nervoso é limpar a consciência, porque abortar o feto antes dessa etapa não seria problema, já que não haveria vida mesmo.

Definir um período no qual se poderia abortar é uma questão de ética. Não dá para permitir que se aborte um bebê de nove meses, prestes a nascer, pois além de já poder viver fora do útero, haveria muito sofrimento e seria arriscado até para a mãe. Agora, se podemos minimizar o esforço e o sofrimento, abortar antes do desenvolvimento do sistema nervoso é uma saída, pois o embrião é bem pequeno e não sente dor. Não disse que não está vivo, e sim que seria o mais indicado para a prática abortiva.

Logo, a discussão do aborto tem que adquirir um viés mais pragmático, porque nunca se estará, como defendo, driblando a questão de “matar ou não” um indivíduo. Se o efeito da legalização do aborto será benéfico para a sociedade, sobretudo para mulheres, vejo mais razões para defendê-lo. Parece desumano, mas não é, e não vou discutir neste texto as vantagens de interromper uma gravidez indesejada, isso fica para depois.

O que importa é: existe uma vida em desenvolvimento dentro do útero, interrompê-la no início ou no fim é indiferente. O que deve-se fazer é estabelecer critérios para minimizar os problemas que o aborto pode causar, tanto para o feto quanto para a mãe.

No ano que vem ocorre eleição presidencial, na qual o principal candidato até agora é o governador paulista José Serra (PSDB). Eis que está surgindo Dilma Rousseff (PT), a “tiazona” do PAC, braço direito do Lula e ministra da Casa Civil.

A mídia tem um gosto especial em apedrejar o nosso presidente petista, às vezes com razão. Há alguns meses, a imprensa botava terror sobre a possibilidade de Lula seguir um terceiro mandato, visto que é o presidente mais bem avaliado da história brasileira.

Embora negasse, dizendo que o continuísmo é prejudicial para a nação e para a democracia, a mídia insistia. Enquanto isso, Dilma foi se preparando para ser a candidata sucessora de Lula. Ganhou popularidade com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), acompanha Lula em todo palanque e até mudou o visual.

Isso porque o PT está queimado por todos os inescrupulosos casos de corrupção. Quem se salvou foi Lula, Dilma e mais alguns poucos.

Dilma Rousseff: será este mesmo o nome?

Dilma Rousseff: será este mesmo o nome?

É claro que com Dilma no governo teríamos quase um terceiro mandato de Lula, pois ela seria uma Dilma Inácio “Lula” da Silva, mas sua popularidade ainda é baixa para bater o paulista Serra.

Agora com câncer, Dilma passa por tratamento médico e diz não querer “transformar a doença num espetáculo midiático”, embora já esteja se tornando, até porque as críticas da oposição engrossam o tal espetáculo, mesmo com intenção contrária. Outros arriscam a dizer que se Dilma morrer, aí sim Lula vai entrar para um terceiro mandato.

Medo é o que não falta. O continuísmo, tal qual se viu ou se tentou em diversos presidentes brasileiros (Getúlio Vargas, Jânio Quadros, José Sarney, FHC), não pode. Mas o “mudar para continuar o mesmo” pode, tal qual os famosos exemplos dos Magalhães na Bahia, e dos Sarney no Maranhão. Vamos aguardar os próximos meses.

Caros leitores,

Só para não deixá-los desavisados, vim escrever esta mensagem para dizer que o blog ficará, pelos menos por parte de mim e da Bia, desatualizada por um tempinho.

Meu motivo: estou bastante ocupado na faculdade nos últimos tempos, portanto não terei como escrever muito, no máximo, pequenos textos, mas não será possível continuar a minha série de “História e MPB” nestas semanas.

Motivo da Bia: ela está de férias, aqui no Brasil, e não tem computador aqui para acessar. Além disso, mesmo na sua casa, seu computador está quebrado, portanto, ela só poderá continuar a série do “Por Que Capitalismo?” quando voltar para sua casa, na metade para frente de junho.

Esperamos retomar as atividades normalmente após este período.

Até mais.

No capítulo anterior vimos a proclamação da República, o movimento tenentista e um pouco sobre o início do samba e do choro, misturados com ritmos africanos e europeus. Neste segundo capítulo, veremos como a “política do café-com-leite” terminou, entrando Getúlio Vargas. Essa revolução na política coincidiu com uma revolução no samba. Veremos como.

A Revolução de 30: entrada de Getúlio Vargas

Como disse anteriormente, o último presidente da República Velha foi Washington Luis (1926-1930), apoiado pelo Partido Republicano Paulista (PRP). Seguindo o esquema do “café-com-leite”, deveria apoiar a candidatura de um político mineiro. Mas para manter sua política econômica, fraudou o esquema vigente e apoiou um outro paulista, Júlio Prestes. Em resposta foi criada uma aliança entre estados (incluindo Minas Gerais), denominada Aliança Liberal, que lançava Getúlio Vargas (1930-1945) como candidato a presidente, e João Pessoa como vice.

Enquanto isso, o Carnaval dos anos 30 contaram com a marchinha É sopa, é sopa, de Eduardo Souto, que dizia: “Para vencer o combinado Brasileiro / Diz Getulinho / É sopa, é sopa…”. E de Sinhô, que citei no texto anterior como um dos primeiros compositores de samba, compôs Eu ouço falar, que dizia o contrário: “Eu ouço falar / Que para nosso bem / Jesus designou / Que seu Julinho é que vem…”

Getúlio Vargas em 1930

Getúlio Vargas em 1930

Esse embate entre paulistas e a Aliança Liberal fez surgir ideias de usar lutar armada. Até que João Pessoa morre por motivos políticos e de ordem pessoal, o que causa uma comoção popular. Júlio Prestes havia ganhado a eleição, mas logo foi deposto por Getúlio Vargas, que entrou pelo chamado Golpe de 30. Inicia-se uma fase de “Governo Provisório”.

A Revolução do Samba

O samba de Sinhô, com bastante influência do maxixe, foi se perdendo assim que o sambista morreu em 1930, o mesmo ano da entrada de Getúlio. O Carnaval, por sua vez, que abusava das marchinhas, foi absorvendo um novo samba, com novos instrumentos, dentre o surdo e o tamborim. Um pouco antes dessa data, já havia sido formada a primeira escola de samba do Brasil, a Deixa Falar, que era coordenada por Ismael Silva, músico que investia neste novo samba.

O sambista Sinhô

O sambista Sinhô

Conforme o Brasil foi deixando de ser um país exclusivamente agrário para se urbanizar, surgia, culturalmente, uma figura urbana bastante intrigante, especialmente dos morros: o malandro. Como bem ilustra a canção O que será de mim de Ismael Silva, Nilton Bastos e Francisco Alves: “Se eu precisar algum dia / De ir pro batente / Não sei o que será / Pois vivo na malandragem / E vida melhor não há…”

Nesse contexto, surge um dos mais celebrados compositores da MPB, o boêmio Noel Rosa. Abandonou os estudos de medicina no segundo ano para seguir no samba, morrendo aos 26 anos de idade, deixando mais de 250 canções. Em uma de suas mais famosas canções, Com que roupa, Noel escreve uma letra para falar do “Brasil de tanga” por causa da crise da bolsa de Nova York em 29. Veja no vídeo abaixo, cantada por ele mesmo:



“Revolução” Constitucional e Estado Novo

No “Governo Provisório” de Vargas, no qual foram implantadas as leis trabalhistas (Consolidação das Leis de Trabalho), a situação não ficou apaziguada. Os paulistas, revoltados por ter Getúlio ao poder, organizaram revoltas, conhecidas como a “Revolução” Constitucional de 32, que embora não tenha revolucionado, ao menos pressionou o governo federal e construir uma nova Constituição.

Os oposicionistas: Olga Benário e Luis Carlos Prestes

Os oposicionistas: Olga Benário e Luis Carlos Prestes

Foi escrita, então, a nova Constituição, em 1934. Eleito presidente da República, agora Vargas governava sobre um “Governo Constitucional”, e não mais provisório, de 1934 a 1938. Outra oposição persistia pela ANL (Aliança Nacional Libertadora), que foi fechada por Vargas em 1935. No mesmo ano ocorreu a “Intentona Comunista”, levante armado que mais uma vez tentava a revolução, no qual estavam envolvidos Luis Carlos Prestes e Olga Benário.

No fim de 1937, com as eleições que colocariam no poder o sucessor de Vargas marcadas para o ano seguinte, uma canção venceu um concurso musical e parecia prever o que aconteceria, fazendo especulações acerca do candidato governista, Osvaldo Aranha (“Seu Vavá”), e Armando Sales de Oliveira (“Seu Manduca”). A letra dizia o seguinte: “O homem quem será? / Será Seu Manduca ou será Seu Vavá? / Entre esses dois meu coração balança porque / Na hora “h” quem vai ficar é Seu Gegê…”

Charge sobre o Estado Novo

Charge sobre o Estado Novo

No mesmo ano, Getúlio Vargas decretou o Estado Novo (1938-1945), como maneira de aumentar seu poder a fim de evitar que a oposição o depusesse. Criou o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), órgão censurador. Utilizou-se da PE (Policia Especial), que perseguia os dissidentes. A polícia reprimia grupos parados na rua, a ordem era ficar circulando. Ainda assim, por causa das leis trabalhistas, era chamado de “pai dos pobres”.

Como Getúlio Vargas saiu, dando vaga a uma redemocratização que marcou bastante a história do Brasil, e como a MPB se alterou bastante, aproximando-se mais do que ouvimos hoje, veremos no próximo post.

Iniciando a série, relembro um pouco da história do Brasil no final do século XIX e início do século XX, vemos como nasce o samba e o choro, os gêneros pioneiros, e como se inicia o declínio da primeira República brasileira.

República Velha

No Brasil, em 1889, proclama-se a República. Um grupo de militares liderado pelo marechal Deodoro da Fonseca (1889-1891) derruba a monarquia e torna-se o nosso primeiro presidente brasileiro, chefiando um Governo Provisório com poderes ditatoriais. Nasce a atual bandeira brasileira, com o lema positivista “Ordem e Progresso” e, pouco mais tarde, é escrita a primeira constituição republicana, cujo principal autor foi Rui Barbosa.

Proclamação da República (óleo sobre tela de Benedito Calixto, 1893)

Proclamação da República (óleo sobre tela de Benedito Calixto, 1893)

Dois anos depois de Deodoro da Fonseca ter assumido a presidência, este renuncia e dá lugar ao marechal Floriano Peixoto (1891-1894). Após esses dois presidentes militares, o Brasil emerge numa outra República, dominada pelas oligarquias, em especial a mineira e a paulista, representadas por partidos políticos estaduais (não existiam partidos políticos nacionais), caracterizando a “Política do Café-com-Leite”, iniciada por Prudente de Morais (1894-1898).

Durante o período da República Velha, que durou da proclamação da República até a Revolução de 30, houve a atração de imigrantes, o ciclo da borracha, o coronelismo, a Primeira Guerra Mundial, a Semana de Arte Moderna. E em termos de música?

Samba e Choro

No início do século XX, o samba nasce como um ritmo sem letra, de raízes africanas. Na casa da Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata, e de João Batista da Silva, o Sinhô, a cultura africana era predominante. A primeira canção oficial de samba chama-se “Pelo Telefone”, de 1917, de autoria questionável (atribuída a Ernesto dos Santos, o Donga), pois nascera de um conjunto de músicos que frequentavam a casa da Tia Ciata. Veja abaixo um vídeo gravado em 1966 da canção Pelo Telefone cantada de forma descontraída por Donga e Chico Buarque, na presença do grande mestre de choro Pixinguinha:

A partir de 1908, nasce o choro, gênero totalmente instrumental, que gozava de maior prestígio. Tocava-se choro para disfarçar, quando na verdade queria-se tocar samba. Um dos primeiros “chorões” foi o flautista Joaquim da Silva Calado, ou apenas Calado, que modificou ritmos do estrangeiro, como a polca e a valsa, para o samba. Pode-se dizer que o choro, diferentemente do samba, teve um origem mais européia, branca, o que o tornava mais aceito pelas elites da época. Segundo depoimento de Pixinguinha: “Se havia uma festa, o choro era tocado na sala de visitas e o samba só no quintal, para os empregados.”

Neste sentido, foi importante a presença da compositora Chiquinha Gonzaga. Autora de gêneros como o maxixe, ritmo gerador da primeira dança urbana brasileira (considerada “a dança proibida”), foi a primeira mulher a compor músicas para óperas e peças e a reger orquestras. Trouxe ritmos negros, até então rejeitados, para dentro dos consagrados ritmos brancos. No vídeo abaixo, você pode ouvir a polca Atraente, de sua composição, na versão do grupo As Choronas:

O declínio da República Velha

A crescente industrialização brasileira trouxe muitas mudanças, embora a população ainda fosse majoritariamente rural. Cresceu a malha ferroviária, o mercado interno, a imigração. O PCB (Partido Comunista Brasileiro) foi fundado em 1922, mesmo ano em que ocorreu a Semana de Arte Moderna e o advento do Rádio.

Após a Primeira Guerra Mundial, um movimento começou a ganhar maiores proporções, o tenentismo, protestando inicialmente contra o governo de Artur Bernardes (1922-1926). Eles promoveram a conhecida Revolta do Forte de Copacabana (na fotografia abaixo, de Zenóbio da Costa). Um dos movimentos tenentistas foi a Coluna Prestes, organizada por Luis Carlos Prestes, que viajou o Brasil divulgando, entre outras, ideias contra a República Velha.

Revolta do Forte de Copacabana: "Marcha da Morte" (Zenóbio Costa, 1892)

O último presidente da República Velha foi Washington Luis (1926-1930), mas como ocorreu a transição deste para o governo de Getúlio Vargas, com mais informações sobre a música da época, veremos no próximo post.

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